Os ‘fantasmas’ cariocas

Funcionários e visitantes contam as histórias mal-assombradas que habitam prédios antigos do Rio, como a Biblioteca Nacional e o Theatro Municipal.

Não só de acervo e História vivem os antigos prédios do Rio de Janeiro, como a Biblioteca Nacional ou o Theatro Municipal. Cercados de mistérios e lendas, não são poucos os visitantes e funcionários que garantem, ‘por tudo o que é mais sagrado’, já terem visto fantasmas e assombrações por seus corredores em noites mais escuras.

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Chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, Ana não pensa duas vezes antes de sair correndo quando ouve barulho estranho | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

Experiente, o professor de História e guia de turismo, Milton Teixeira, levou viajantes durante anos para passeios pela Câmara dos Vereadores, Theatro Municipal, Museu Histórico Nacional e outros lugares tradicionais. Há cerca de 10 anos, uma das turistas que assistia a um espetáculo nas cadeiras acolchoadas do Municipal diz ter visto uma figura magra, de óculos de aro fino, cabelo grisalho e terno claro se esboçar ao seu lado. Com um grito de susto, caiu no colo do cavalheiro da cadeira mais próxima.

“Pela descrição dela, era o fantasma do poeta Olavo Bilac”, garante Milton, que até fotos das assombrações já fez. “Há 13 anos uso máquinas diferentes e já fiz várias fotos. Algumas pessoas acham que é sujeira da lente, mas é impossível que todas estejam sujas”, afirma o guia. Ele conta que, uma vez, no Museu Histórico Nacional, um médium que estava no grupo teria visto uma falange de anjos. “Foi no pátio interno. Ele explicou que estavam lá para recolher espíritos revoltos”.

Cercada de livros, a chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, Ana Virgínia Pinheiro, não pensa duas vezes antes de sair correndo quando ouve um barulho estranho. “Trabalho aqui há 31 anos e, às vezes, tarde da noite, quando todos já saíram, ouço livros caindo. Quando vou ver, não é nada”, relata Ana.

Em ronda, segurança encontrou ‘senhores’ em togas discutindo

Na Câmara dos Vereadores — prédio de 1923 —, há mais ou menos 30 anos, um segurança noturno, depois de fazer a ronda e apagar as luzes, ouviu o som de vozes debatendo no salão principal. Ao entrar lá, um grupo de senhores vestidos em suas togas discutiam acaloradamente, segundo contou. As luzes ainda estavam acesas e todos, de uma vez, olharam para o segurança intruso, que correu. O colega de turno foi apurar a história e encontrou o salão vazio e escuro.

“Lugares mal assombrados são explicados pelo fato de espíritos desencarnados estarem ligados aquele ambiente e continuarem vivendo lá”, opina Helio Loureiro, do Conselho Espírita do Rio. Já para a presidente do Sindicato dos Psicólogos do RJ, Étila Ramos, algumas pessoas são mais sugestionáveis e podem produzir em sua mente imagens, vultos e vozes: “Alguns lugares também inspiram alucinações, como cemitérios e museus. Ninguém vê espírito na praia”.

 

Matéria publicada no Jornal O Dia, em 23/3/13. Acesse em: http://odia.ig.com.br/portal/rio/os-fantasmas-cariocas-1.564262

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