Entrevista com Mia Couto

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O escritor Mia Couto, 57 anos, recebeu nesta segunda-feira o Prêmio Camões 2013, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa. O moçambicano foi escolha unânime do júri, composto por seis críticos.  É a segunda vez que o país recebe esse prêmio, sendo a primeira com o autor José Craveirinha, em 1991.

 

Do romance à crônica e do conto à poesia, Mia Couto contribuiu para a literatura através de gêneros muito distintos. Ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e seu romance “Terra Sonâmbula” foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX. Aos 14 anos teve alguns poemas publicadas no jornal Notícias da Beira e daí não parou de deliciar os leitores com seu texto doce, poético. Além de sua faceta literária, o moçambicano já foi jornalista e já tentou estudar medicina. É biólogo e comanda uma empresa de estudos de impacto ambiental em Moçambique.

 

Em entrevista à Assessoria de Comunicação da Fundação Biblioteca Nacional, o autor contou que não escreve com a intenção de ganhar prêmios e que não pretende deixar que isso influencie no modo como desenvolve suas obras, mas revelou estar muito alegre com a premiação e entusiasmado por ser a maior honraria da língua portuguesa.

 

No entanto, o escritor não se ilude quanto às dimensões que esse resultado pode tomar. Ele afirma que a realidade da população moçambicana não vai mudar por causa de um prêmio, a questão é muito mais estrutural e escolar do que o reconhecimento de um trabalho. Também não acha que desde o primeiro prêmio tenha havido uma mudança significativa no cenário literário do país.

 

Apesar da falta de romantismo, Mia Couto não ignora que seu país, bem como outras partes da África, tem ganhado espaço no cenário internacional, principalmente Portugal e Brasil. O escritor também acredita que não é essencial haver uma sensação de reconhecimento entre esses lugares além da língua comum, mas que a importância da união entre esses países se encontra na pluralidade cultural mais do que na literatura em si.

 

O que falta, segundo o moçambicano, é o intercâmbio de escritores. As visitas são poucas e muito espaçadas, dificultando a divulgação dessas obras distantes da realidade brasileira. No entanto, ele diz que o Brasil está mais receptivo à literatura de outros países de língua portuguesa depois de algumas políticas do governo Lula. Em setembro, Mia Couto vem  fazer o lançamento do seu livro de contos “Cada Homem É uma Raça” (Companhia das Letras) na Bienal do Livro do Rio.

 

Assessoria de Comunicação

Fundação Biblioteca Nacional – Ministério da Cultura

Tel.: (21) 3095-3848 / E-mail: imprensa2@bn.br

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