Ministério da Cultura lança programação da Feira de Frankfurt em coletiva na Flip

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Da prosa às histórias em quadrinhos, da música às intervenções urbanas. A participação brasileira na Feira do Livro de Frankfurt 2013 (9 a 13 de outubro) não ficará limitada à literatura. O Ministério da Cultura lança nesta quinta-feira, 4/7, a programação paralela do Brasil no maior evento editorial do planeta, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (RJ). A coletiva de imprensa será realizada na Pousada do Ouro (Rua da Praia, 145. Centro Histórico de Paraty).

 

O Brasil recebeu em 2010 o convite da Feira do Livro de Frankfurt para ser o país homenageado em 2013, com o desafio de mostrar a riqueza da sua produção literária e cultural ao mundo, oferecendo um panorama da literatura brasileira em toda a sua pluralidade e diversidade, com a presença expressiva de vozes femininas e novos nomes que têm se destacado no mercado.

 

Até o fim de 2013, a produção literária do Brasil terá sido representada na Alemanha por um total de 92 escritores em eventos realizados em diferentes cidades, como a Feira do Livro de Leipzig, a LitCologne, a Internationale Kinder und Jugendbuchwochen e o Festival Internacional de Literatura de Berlim (em setembro). Em outubro, 70 autores estarão não apenas na Feira do Livro em Frankfurt, mas em diferentes espaços culturais e em outras cidades alemãs.

 

Além disso, há muitos lançamentos de literatura brasileira em língua alemã.

Das 270 bolsas concedidas pelo Programa de Apoio à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior desde 2011 pela Fundação Biblioteca Nacional/MinC, 48 foram destinadas à publicação de livros brasileiros por editoras alemãs, todos com lançamento previsto até outubro deste ano.

 

A programação cultural brasileira, paralela à oficial da Feira de Frankfurt, começa em 23 de agosto, com um show do rapper paulista Criolo. Ao todo serão ocupados 15 espaços, realizadas nove exposições, 10 apresentações musicais, cinco espetáculos de teatro, um ciclo de leitura de dramaturgia, dois espetáculos de dança e cinco  projetos de performance, instalações e videoarte.

 

PROGRAMAÇÃO LITERÁRIA

A escolha dos 70 autores que integram a comitiva do País na Feira do Livro foi realizada por uma curadoria compartilhada entre o crítico literário Manuel da Costa Pinto, o coordenador da programação literária brasileira em Frankfurt, Antonio Martinelli, e a professora Antonieta Cunha. Já os autores que participam dos demais eventos foram escolhidos por curadores alemães muitas vezes em colaboração com a curadoria brasileira.

 

Entre os critérios de seleção, destacam-se: autores publicados ou em vias de publicação no exterior, sobretudo na Alemanha; autores premiados no

Brasil e no exterior; diversidade e pluralidade de estilos, gêneros e regiões de origem dos autores; equilíbrio entre a nova produção e a de autores consagrados; e, claro, qualidade estética.

 

Programação – Pavilhão Brasil

 

Durante a Feira do Livro de Frankfurt, os debates literários com autores brasileiros se concentrarão no Pavilhão do Brasil, espaço de 2.500 m² com

uma exposição conceitual concebida por Daniela Thomas. Bebendo na fonte do Modernismo Brasileiro: a “vontade construtiva geral” na arte brasileira – como descrito por Hélio Oiticica –, as curvas abraçarão o público da Feira do Livro de Frankfurt, enquanto ele passeia por esse grandioso quadrado público escutando música,  conhecendo incríveis ficcionistas brasileiros, viajando por todas as esquinas desse imenso País.

 

ABERTURA

No dia 08 de outubro, os escritores Ana Maria Machado e Luiz Ruffato falarão sobre perspectivas e desafios da cultura do país na Cerimônia de Abertura da Feira do Livro, que terá presença da Ministra da Cultura do Brasil, Marta Suplicy.

 

9 A 13 DE OUTUBRO – PROGRAMAÇÃO LITERÁRIA NO PAVILHÃO

 

Dia 9:

10h30 – Leitura/Brazilien Liest INFANTOJUVENIL: Lirismo e ironia Em seus livros e narrativas infantojuvenis, a escritora e ilustradora Angela-Lago e a cronista e contista Marina Colasanti exploram com lirismo, ironia, e humor toda a complexidade e a riqueza subjetiva guardada nas fantasias (e nos fantasmas) do universo infantil.

 

11h30 – Leitura/Brazilien Liest  PROSA: Convergências da memória Autores de alguns dos livros de ficção mais importantes no panorama atual da literatura brasileira, a escritora Nélida Piñon (primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras) e o romancista e jornalista Carlos Heitor Cony têm em comum uma prosa memorialística, à qual convergem a história familiar e a história política do país.

 

12h30 – Leitura/Brazilien Liest  PROSA: Engrenagens frenéticas No universo de Marçal Aquino, autor do romance Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, obsessões passionais e vinganças pessoais obedecem ao ritmo alucinante de engrenagens sociais que, em Cidade de Deus e Desde que o Samba é Samba, de Paulo Lins, devastam o tecido urbano e criam uma cultura de resistência marginal.

 

13h30 – Painel Literário: Formação e Crise do Discurso da Nacionalidade “Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?”. Assim o poeta Carlos Drummond de Andrade sintetizou o tema da identidade nacional que atravessa a cultura brasileira. José Miguel Wisnik e Walnice N. Galvão – dois dos principais ensaístas do país – discutem, a partir da literatura, a origem e as crises do discurso da sobre a identidade nacional.

 

14h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: As fissuras da realidade Artista plástico consagrado, ensaísta, poeta e compositor, Nuno Ramos imprime em sua prosa um sentido de atrito com o real, abrindo brechas e desvios também explorados pela cosmologia em miniatura de Veronica Stigger, autora dos sarcásticos microcontos de Os Anões.

 

15h30 – Visões do Brasil e suas contestações Um encontro entre as antropólogas e historiadoras Manuela Carneiro da Cunha (autora de Cultura com Aspas e Negros, Estrangeiros, organizadora de História dos Índios no Brasil) e Lilia Moritz Schwarcz (autora de O Espetáculo das Raças, Nem Preto Nem Branco Muito pelo Contrário, coordenadora do projeto História do Brasil Nação: 1808-2010).

 

16h30 – Leitura/Brazilien Liest  POESIA: Dissidências da vida e da forma Egresso da “poesia marginal” (corrente contracultural surgida nos anos da ditadura militar brasileira), Chacal lê seus poemas ao lado de Age de Carvalho, poeta radicado em Viena que retira dessa condição de exilado voluntário (ou de “turista terminal”) uma força de estranhamento e de hermetismo dissidente.

 

Dia 10:

10h30 – Leitura/Brazilien Liest INFANTOJUVENIL: Fábulas da diferença A escritora e ilustradora Eva Furnari apresenta o coelho poeta Felpo Filva,

personagem marcante de uma obra que brinca com as formas, nem sempre harmônicas, de compor o mundo e lidar com a diferença. E Roger Mello expõe

um universo de fabulações em que palavras e imagens compõem microcosmos longínquos de pescadores, carvoeiros e meninos do mangue.

 

11h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: A escrita do desencontro Autor de O filho eterno, livro mais aclamado do Brasil nos últimos anos, Cristovão

Tezza lê trechos de seu último romance, Um erro emocional. E Teixeira Coelho apresenta trechos de História Natural da Ditadura – em que as experiência catastróficas do século XX, na Europa e na América Latina, são expressas num gênero híbrido, entre ensaio, memória e ficção.

 

12h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Variações obsessivas A prosa taquigráfica e escatológica de O Cheiro do Ralo, do também artista gráfico

e dramaturgo Lourenço Mutarelli, e a densidade descritiva de Barba Ensopada de Sangue, do escritor e tradutor Daniel Galera, realizam variações sobre temas como obsessão, delírio e memória em romances de alta voltagem existencial.

 

13h30 – Painel Literário: Das vanguardas ao tempo pós-utópico As mutações da representação literária, da modernidade à pós-modernidade, são tema do

diálogo entre Costa Lima, um dos grandes teóricos da mímesis, e Flora Süssekind, intérprete da literatura contemporânea para além de um recorte brasileiro.

 

14h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Desvios e desvãos Em Os Malaquias, romance ganhador do prêmio José Saramago de 2011, Andrea del Fuego faz da memória familiar uma fonte dos desvios (às vezes fantásticos) que constituem a essência bizarra da realidade. E, em seus microcontos, Marcelino Freire capta com andamento hipnotizante a oralidade de personagens que habitam os desvãos das ruas.

 

15h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Nervos exposto No romance Paisagem com Dromedário, de Carola Saavedra, uma personagem recapitula os desastres

de um triângulo amoroso. No conto “O Telhado e o Violinista”, da romancista Cíntia Moscovich, uma cena doméstica recapitula os desastres do povo judeu. Na voz dessas escritoras brasileiras, temos o nervo exposto de uma subjetividade sem reparação.

 

16h30 – Leitura/Brazilien Liest POESIA: Contemplações perplexas Na religiosidade de Adélia Prado (cuja poesia comporta elementos de um fervor

erótico) e no lirismo desolado de Heitor Ferraz Mello (observador das inóspitas paisagens urbanas), duas poéticas que enxergam a banalidade cotidiana com ironia metafísica.

 

Dia 11:

10h30 – Leitura/Brazilien Liest INFANTOJUVENIL: Indagações rebeldes Marcelo, Marmelo, Martelo e O Reizinho Mandão, de Ruth Rocha, e A Marca de

uma Lágrima e a série Os Karas, de Pedro Bandeira, formaram gerações de leitores brasileiros ao traduzir as indagações e as rebeldias de crianças e adolescentes.

 

11h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Arqueologia do estranho “A Figurante”, de Sérgio Sant’Anna, e “Fantasmagoria de motores mortos”, de Joca Reiners Terron, são contos que investigam o passado fazendo uma arqueologia do que é insignificante ou efêmero, mas que insiste em eclodir no presente – sintetizando a prosa de dois escritores que estabelecem relações tensas entre a linguagem e conteúdos perturbadores, sinistros.

 

12h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Movimento em falso A linguagem é protagonista na obra desses dois escritores. No romance Lorde, de João Gilberto Noll, temos perambulações de sua personagem (e alter ego) por Londres. Em “Deus é Bom nº 6”, de André Sant’Anna, um pregador está narcotizado por sua própria ladainha religiosa. Em ambos, a prosa densa e obsessiva é ao mesmo tempo busca e cativeiro.

 

13h30 – Brasil em debate: Tempo e Liberdade A psicanalista, poeta e ensaísta Maria Rita Kehl integra a Comissão Nacional da Verdade (que investiga violações dos direitos humanos no Brasil). Na obra da contista e cronista Rosiska Darcy de Oliveira, a questão feminina aparece como tema desestabilizador e emancipador. As autoras debatem as relações entre tempo e liberdade, com suas implicações éticas.

 

14h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Comoção à distância O conto “Nós, a maré e o morto”, de Antonio Carlos Viana, narra um precário cortejo fúnebre. No romance Olhos Secos, o protagonista de Bernardo Ajzenberg alterna experiências de aventura, utopia, frustração e fracasso. Em comum entre os dois autores, uma escrita precisa, que expõe a comoção de maneira crua e distanciada.

 

15h30 – Painel literário: A aventura biográfica Dois mestres da biografia. Com Fernando Morais, as trajetórias de Olga (ícone do comunismo brasileiro), Assis Chateaubriand (magnata da imprensa e das artes) e Paulo Coelho (mago das letras). Com Ruy Castro, Mané Garrincha (o gênio ébrio do futebol) e Nelson Rodrigues (cronista trágico da alma brasileira).

 

16h30 – Leitura/Brazilien Liest POESIA: O rigor e a desordem Nesses dois poetas marcados pela ironia e pelo ímpeto crítico-satírico, o rigor formal dos haikais de Alice Ruiz e das variações de Paulo Henriques Britto sobre o soneto exploram o contraste entre o rigor da linguagem e a desordem do mundo.

 

Dia 12:

10h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Olhar polifônico A proliferação de pontos de vista em dois momentos da literatura brasileira: em Zero, de Ignacio de Loyola  Brandão, a cidade polifônica tritura seus habitantes. Em Antonio, de Beatriz Bracher, cada personagem se aproxima de um mesmo segredo familiar. E, em ambos, temos o peso esmagador da história e dos traumas subjetivos.

 

11h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Angústia oculta na margem Em Ladrão de Cadáveres, de Patrícia Melo, um acidente deflagra hesitações éticas e desvela impulsos ocultos nos laços sociais. Deus foi almoçar, de Ferréz, expõe sentimentos de desamparo e angústia num contexto de privação econômica. E ambos tornam ainda mais complexo um repertório identificado com a violência do submundo e da periferia urbana.

 

12h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Ruínas subjetivas No romance O Filho da Mãe, história de amor entre escombros, Bernardo Carvalho leva o tema da identidade instável, onipresente em sua obra, para o contexto da guerra da Tchetchênia. Em Diário da Queda, de Michel Laub, os escombros daquilo que se quer esquecer instauram a incomunicabilidade nas relações subjetivas.

 

13h30 Leitura/Brazilien Liest PROSA: Mundos paralelos Escritores com intensa atuação na crítica literária, Maria Esther Maciel e Nelson de Oliveira (que também assina como Luiz Bras) apresentam suas obras atravessadas pela arbitrariedade cerebral dos jogos ficcionais e pelos mundos paralelos da imaginação.

 

14h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Alegorias e utopias Do Brasil a Brasília. No clássico moderno Viva o Povo Brasileiro, João Ubaldo Ribeiro faz um percurso alegórico pela história do país que encontra em Cidade Livre, romance de João Almino, a contrapartida anti-utópica do projeto de construção da capital modernista.

 

15h30 – Brasil em debate: O país dos deslocamentos O historiador e cientista político José Murilo de Carvalho debate a singularidade da formação social e política brasileira no contexto latino-americano com a historiadora Mary del Priore, autora de livros sobre vida privada no país e as conexões entre Brasil e Europa.

 

16h30 – Leitura/Brazilien Liest POESIA: Sátira canibal Affonso Romano de Sant’Anna (autor do icônico Que país é este?) e Nicolas Behr (poeta de Eu engoli Brasília) respondem com experimentalismo, sátira e indignação poéticas às canibalizações da história brasileira.

 

Dia 13:

10h – HQ & Graphic Novel: Encontro de gerações Os criadores de personagens emblemáticos das histórias em quadrinhos – Ziraldo (pai do Menino Maluquinho) e Mauricio de Sousa (autor da Turma da Mônica) – se reúnem com os renovadores da graphic novel brasileira Fábio Moon & Gabriel Bá, Fernando Gonsales, Lelis e Lourenço Mutarelli.

 

11h30 – Leitura/Brazilien Liest PROSA: Itinerários e perdas Adriana Lisboa, romancista de Sinfonia em Branco e Um beijo de Colombina,

apresenta também sua obra recente – livros como Rakushisha Azul-Corvo e o recém-lançadoHanói, em que traumas históricos e choques culturais

amplificam uma prosa de itinerários e perdas.

 

12h – Brasil em debate: Renovação da prosa, reinvenção da ciência Ambos médicos, ambos ligados ao nordeste brasileiro, ambos inventores de mundos.

O romancista e contista Ronaldo Correia de Brito mostra sua renovação da prosa regionalista. O neurocientista Miguel Nicolelis expõe seus projetos

de repercussão internacional. Arte e saber sem fronteiras.

 

13h – Leitura/Brazilien Liest INFANTOJUVENIL: Águas ancestrais Em Meu Avô Apolinário, Daniel Munduruku relata ensinamentos que aprofundaram o

conhecimento e o orgulho de sua ancestralidade indígena. Lampião e Lancelote, de Fernando Vilela, faz os cavaleiros medievais encontrarem os

cangaceiros do sertão brasileiro. E os afluentes da memória – vivida e inventada – deságuam no mesmo rio.

 

15h30 Passagem do Bastão para o próximo país a ser homenageado.

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