A Problemática Metodologica dos 50 anos do Golpe de 1964: Entre a Memória e a História, encerra seminário na FBN

 

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A participação da população no golpe de 1964, as consequências da modernização, o poder absoluto dos militares e os reflexos da ditadura no país até hoje, foram alguns dos temas tratados pelos acadêmicos Rodrigo Sá Motta (UFMG), Daniel Aarão Filho (UFF) e Luis Costa Lima (PUC), na mesa redonda de encerramento  A Problemática Metodologia do Golpe Militar de 1964: Entre a Memória e a História do seminário que acontece na Fundação Biblioteca Nacional; Golpe de 1964 – 50 anos.

Rodrigo Sá Motta, autor de As Universidades e o Regime Militar, abriu o debate, lembrando de sua legitimação através do discurso anti-comunista, sobretudo, anti-subversivo e da alta intervenção do Estado através de uma linha modernizadora que, nas embora tenha contribuído, segundo Rodrigo, para a modernização das faculdades, por outro lado resultou na censura a vida universitária, através do Estado autoritário que “mudou as estruturas da universidade brasileira”. Rodrigo lembrou que o sistema de vestibular vigente até hoje, foi criado pelos militares para aplacar a revolta estudantil, considerada na época de extrema ameaça. Motta concluiu alertando do jogo de acomodação da elite e daqueles que se beneficiaram em cargos, mesmo sendo indivíduos considerados perigosos pelo governo.

Daniel Aarão Filho tomou a palavra, falando da relação entre a sociedade e a ditadura no que ele lembrou como, golpe civil e militar. O apoio civil foi enfatizado pelo professor que  falou da presença das massas até setembro de 1964  nas marchas em celebração ao Estado de Exceção em todo país. Apropriou-se do termo do historiador francês, LaBorie, ao denunciar as “zonas cinzentas” brasileiras compostas daqueles que eram contra e a favor ao golpe militar, ao mesmo tempo. Daniel também falou da duvida quanto a validade da ditadura no Brasil, pairando entre três datas: 1979, 1985 e 1988.

 

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Para o autor de A Ditadura Que Mudou o Brasil Nos Anos do Golpe de 1964, ela se finda em 1979, quando não há Estado de Exceção, mesmo com um governo militar. Em 1985, não ocorre uma mudança institucional, econômica, politica ou cultural mesmo com a chegada de um civil ao poder, já que Sarney fora um homem da ditadura e interpretá-lo como puramente um não militar na presidência da república consistiria, segundo o próprio estudioso, numa incongruência e inconsequência. E mesmo na constituição de 1988, haveria resquícios dos aparelhos de extrema direita na constituição, como Daniel apelidou de “Cacos”, como a Lei Fleury e o nosso próprio modelo econômico que o professor da Universidade Federal Fluminense afirma que “jogou o capitalismo brasileiro há custa de desigualdades tremendas”. Daniel Aarão Filho fechou sua intervenção falando da militarização da PM.Imagem

Em seguida, Costa Lima fechou remontando a ditadura de 1930 com Getúlio Vargas e apresentou diferenças e semelhanças com o golpe de 1964. Para ele, esse segundo momento não deve ser visto isoladamente e sim, como “uma manifestação em sentido contrario a revolução de 1930” com inclinação evidente de direta, ao contrário do populismo Varguista que apesar de influencias nazi-fascistas, aparentemente inclinava-se ao esquerdismo e ao populismo, cuja semente fora desmatada de forma mais opressiva e arbitraria em nome da ordem. “ Democracia sempre foi um nome sem conteúdo”, conclui o estudioso.

A Fundação Biblioteca Nacional sediou, nos dias 27 e 28 de março, o seminário Golpe de 1964 -50 anos, realizando em seu auditório quatro mesas com intelectuais e servidores que dedicaram seus trabalhos ao resgaste desse período do nosso país, acompanhada de uma Mostra de periódicos alternativos como O Pasquim, Anistia e Pif-Paf.

 

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