Café Paris – Os Precursores, remonta vida dos grandes nomes dos cenários intelectuais do Rio de Janeiro

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Os precursores do Café Paris, antigo reduto intelectual da cidade de Niterói é tema de novo livro da Coordenadora de Acervo Especial da Fundação Biblioteca Nacional, em parceria com o professor Emílio Eigenheer.

Maria José da Silva Fernandes, coordenadora do Acervo Especial da Fundação Biblioteca Nacional é autora, juntamente com o Prof. Emílio Eigenheer (UERJ), do livro “Café Paris: os precursores”, terceiro número da série Boêmio do Café Paris, antigo reduto intelectual da cidade de Niterói.

Bibliotecária de formação, Maria José começou a vida profissional na Biblioteca Nacional como estagiária, em maio de 1978. Trabalhou por vários anos na área de microfilmagem, no Plano Nacional de Microfilmagem de Periódicos Brasileiros, e na Divisão de Informação Documental. Cedida à Universidade Federal Fluminense, coordenou o Centro de Memória Fluminense, organizando e disponibilizando acervos particulares de personalidades de Niterói e do Estado do Rio.

Através do Programa de Coletiva Seletiva do bairro de São Francisco, projeto pioneiro no Brasil, iniciado em 1985, foi recolhido um acervo que pertenceu ao boêmio, militar e poeta Lourenço de Araújo. Este material iniciou um projeto de recuperação da memória do Café Paris, reduto de intelectuais e boêmios da cidade, nas primeiras décadas do século XX.

O primeiro número da série é dedicado a Lourenço de Araújo e seu acervo. O segundo ao emblemático poeta campista Max de Vasconcelos, que foi um ícone para os próprios frequentadores do Café. Esse terceiro volume é dedicado aos primeiros frequentadores que iniciaram a formação da mais antiga roda literária da cidade.

Em entrevista para a Assessoria de Comunicação da Fundação Biblioteca Nacional, a autora falou sobre a obra lançada na quarta-feira, 25, no Solar do Jambeiro, em Niterói. Café Paris – Os Precursores, recém lançada:

 

  1. Como surgiu a ideia de transformar numa série de livros a vida intelectual em torno do Café Paris?

Logo percebemos que o acervo pessoal de Lourenço Araújo e de seus familiares também literatos, abria uma significativa linha de pesquisa sobre o Café Paris e a vida intelectual da cidade naquela época. Por isso ele foi o primeiro na nossa linha de interesse. Depois fomos percebendo que muitos nomes faziam parte do universo dos frequentadores do Café, e aí a ideia da série se impôs.

 

 

  1. Quais intelectuais que vocês estudaram tiveram uma projeção mais significativa na literatura ou em algum outro campo da arte do Brasil e política?

Podemos citar Luciano Gualberto, que nasceu em Petrópolis, foi médico e logo após a sua formatura foi para São Paulo. Poeta de reconhecida qualidade pelos críticos literários de sua geração, chegou a pertencer à Academia Paulista de Letras e foi reitor da USP. Também o Isidro Nunes, que foi um militar muito orgulhoso da sua farda, mas ao mesmo tempo escrevia sobre feminismo, participava de revistas femininas. Acho um contraponto interessante você imaginar um militar tão moderno para o seu tempo. Entre outros.

 

  1. Algum preferido?

Não, o conjunto é importante. Quando você começa a acompanhar a vida de alguém começa a entender o que essas pessoas sentiam, e como se comportavam. Eu gosto muito do grupo dos médicos: Alcides Figueiredo, Raul Sá Pinto e Luciano Gualberto, porque percebo neles um grande idealismo e dedicação ao próximo. Foi uma geração muito sofrida, passaram por epidemias, como a gripe espanhola, entre outras adversidades.

 

Segundo Maria Jose, o acervo encontrado contemplará pelo menos mais cinco volumes, pois são cerca de 120, os personagens mapeados.

 

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