Mesa redonda – Visões da Grande Guerra de 1914

A mesa redonda “Visões da Grande Guerra de 1914”, realizada ontem no auditório Machado de Assis, teve a participação do presidente da Biblioteca Nacional e professor de teoria política da UFF, Renato Lessa; de Denise Rollemberg, professora de história contemporânea na UFF e Modesto Florenzano, professor de história moderna da USP. O encontro debateu sobre os desdobramentos e paradigmas instaurados pelo evento catastrófico que inaugura o século XX, o qual surpreendentemente se estenderia por mais de 30 anos, marcando gerações de jovens europeus, a economia, o mundo das artes e determinando o período conhecido como “Guerra Total”.

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Da esqueda para a direita – Modesto Florenzano, Renato Lessa e Denise Rollemberg

Modesto Florenzano, professor da UFF, associa Gavrilo Princip a representação bíblica do anjo Gabriel, sendo aquele que anuncia o que está por vir. E foi assim, em junho de 1914, quando o estudante sérvio-bósnio e membro da Jovem Bósnia assassina o herdeiro do trono austro-húngaro, o arquiduque Franscisco Ferdinando da Áustria, em Saravejo, na Bósnia, tornando o fato o estopim para a crise geral dos anos que se seguiam.

No entanto, nenhuma grande potência europeia participante da 1ª Guerra esperava pelas dimensões que o conflito tomaria. Falava-se na época de uma “guerra civil europeia”, ou de uma “2ª Guerra dos Cem Anos”. Os combatentes, em sua maior parte jovens, que no meado de 1914 encaminhavam-se para os campos de batalha, esperavam retornar para suas casas até o natal, como lembra o professor da USP.

No campo da arte, que com os modernistas e vanguardistas foi sustentada através de grande fervor criativo e traumas consequentes do conflito, a professora Denise Rollemberg cita as obras de Otto Dix, pintor expressionista alemão que se voluntariou para entrar no exército. Dix, como muitos dos jovens europeus que não teriam como prever as dimensões que o conflito tomaria, surpreendeu-se com o cenário caótico e perturbador das trincheiras, onde corpos em processo de decomposição dividiam espaço com os soldados que, além de lutarem pela sobrevivência, viam-se violados pelas doenças, podridão e convívio direto com os mortos.

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Auto-retrato, 1913- Otto Dix

Nota-se, como aponta a professora da UFF, diferenças no trabalho do pintor expressionista entre antes e depois de ter participado da Grande Guerra. A própria maneira de reconhecer-se enquanto soldado é carregada pelo desespero vivido na artilharia, onde o real traumático acabara por invadir os sonhos do pintor, que se atormentava profundamente com pesadelos gerados pelas lembranças da Guerra.

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Auto-retrato como um Soldado – Otto Dix

O público também pôde interagir com a mesa de palestrantes, fazendo perguntas e acrescentando pontos sobre o conflito histórico. A exposição “Guerra: ó dor, ó vergonha!”, sobre o centenário da Grande Guerra permanece, desde 17 de setembro, nos corredores da Biblioteca Nacional. A entrada é franca.

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