Parceria com o Instituto Presidente João Goulart : FBN recebe cerca de dez mil itens de Jango

Em parceria com o Instituto Presidente João Goulart, a Fundação Biblioteca Nacional irá receber aproximadamente dez mil itens que faziam parte do acervo pessoal da família Goulart. Cartas, documentos manuscritos e demais itens serão catalogados, armazenados e disponibilizados para o público pela Biblioteca Nacional.

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Renato Lessa, presidente da FBN, e João Vicente Goulart, do Instituto Presidente João Goulart, oficializam a parceria

João Vicente Goulart, filho de Jango, considera o convênio com a FBN  uma homenagem prestada à construção da memória do povo brasileiro. Segundo ele, a parceria é de importância fundamental na divulgação de fatos históricos para as próximas gerações através da Academia, ressaltando assim, o quão significante é conhecermos o que ocorreu em 64, desde os contextos que levaram ao Golpe às providências tomadas pelo governo que se instalou e permaneceu durante aproximadamente 21 anos.

João Vicente relata que, além da repercussão historiográfica que esses documentos possam ter, a guarda adequada na FBN, respeitando termos de conservação técnica específicos é fundamental para a permanência e manutenção do acervo, pois alguns itens possuem mais de 50 anos.“É um orgulho estarmos hoje aqui realizando esta parceria com a Biblioteca Nacional, para que esses documentos possam ter não somente armazenamento adequado como também possamos começar a divulga-los”, comenta João Vicente.


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O evento contou com a participação e cobertura da imprensa, como da revista Veja, da Revista de História da Biblioteca Nacional, da Globo News, da EBC e da Tv Brasil. 

O Instituto da Liberdade e Democracia Presidente João Goulart foi criado a fim de preservar a memória do povo brasileiro e sua luta pela  cidadania- própria de um governo democrático capaz de contemplar amplamente o âmbito social, uma vez que o Golpe de 64 foi uma manifestação contra as instituições, a Constituição e as reformas sociais e de base pelas quais grande parcela da população brasileira clamava.

João Vicente ainda ressalta que as medidas propostas há 50 anos por Jango são as mesmas que estão em pauta hoje, como a reforma agrária, reforma tributária, reforma urbana- uma série de medidas reformistas necessárias para se repensar a situação do país atualmente. João Vicente acrescenta que é preciso considerar a questão sobre o que a Ditadura trouxe para o país, não só em relação aos crimes de violência social, mas as consequências econômicas e políticas, através de uma consciência mais humanista.

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Parte dos documentos que já estão na FBN

O professor e historiador Oswaldo Munteal diz que “a documentação que está chegando para a Biblioteca Nacional é inédita”, reunindo documentos vitais, que dão indicações graves de que o Congresso Brasileiro atuou de forma significativa no Golpe que derrubou o presidente João Goulart. O historiador lembra a relevância da vida política intensamente ativa de Jango, que participou de diversos fatos políticos desde a Era Vargas até o exílio. João Goulart foi presidente nacional do PTB, vice do presidente de Juscelino Kubitschek e posteriormente do presidente Jânio Quadros, Deputado Federal e Ministro do Trabalho. Jango lutou também pela retomada do poder do Executivo diante de um Legislativo muito agressivo, permeado por um “mosaico de acontecimentos importantes que afetaram a vida pública no Brasil”, como afirma o professor.

Renato Lessa, mestre e doutor em ciências políticas e presidente da Biblioteca Nacional, ressalta que Jango foi o único Presidente da República a morrer em exílio. “Para uma instituição republicana como a Biblioteca Nacional, receber esse acervo é um ato de justiça. Receber os documentos de Jango é ter a sensação de que vencemos a Ditadura”, afirma o presidente da FBN.

O acervo tem importância para os pesquisadores que estudam um período que possui inúmeras zonas de obscuridade, pois os trabalhos para resgatar documentos que retratam a Ditadura ainda são muito recentes. Em breve, a FBN irá disponibilizar através de meios digitais os itens recebidos pela parceria. A estimativa é de que todo o acervo seja entregue até março do ano que vem.

Saiba mais sobre o Instituto Presidente João Goulart 

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