FBN| PERFIL – Eduardo Jardim e a personalidade de Mario de Andrade


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Eduardo Jardim,autor do livro “Mário de Andrade: eu sou trezentos- vida e obra”, e bolsista pelo PNAPR

Em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional, o pesquisador e bolsista pelo Programa Nacional de Apoio a Pesquisadores Residentes, Eduardo Jardim, irá lançar uma biografia pioneira no que diz respeito à vida, obra e particularidades da personalidade de Mário de Andrade.

“Mário de Andrade: eu sou trezentos- vida e obra” discute a trajetória biográfica do artista, articulando suas iniciativas públicas, atuações na área cultural e processos de criação literária como projetos de vida e produção artística. Eduardo Jardim observa que, no estudo de uma figura carismática e emblemática como Mário de Andrade, foi necessário abordar a personalidade e perspectivas pessoais do escritor para a elaboração de uma biografia completa.  O autor é mestre e doutor em filosofia e foi professor do Departamento de Filosofia e do Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com ênfase em história da filosofia, tendo elaborado pesquisas, artigos, estudos e demais publicações acadêmicas.

Ao longo do trabalho, o pesquisador expõe a figura de Mário de Andrade como um homem que vivia perante inúmeras contradições, observando a sensibilidade de Mário para as questões do coletivo. Na poesia lírica, construtiva e disciplinada, Mário de Andrade via-se “composto por uma vida de baixo e por uma de cima”, que permaneciam desencontradas. “Mário de Andrade é uma figura dilacerada entre forças em conflito”, completa o acadêmico, ressaltando a grandeza e vivacidade da obra do multifacetado escritor, poeta e ensaísta.

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Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,

Mas um dia afinal eu toparei comigo…

Tenhamos paciência, andorinhas curtas,

Só o esquecimento é que condensa,


E então minha alma servirá de abrigo.

Eu sou trezentos – Mário de Andrade

Os primeiros capítulos do livro retratam a influência familiar na formação de Mário entre 1893, ano de seu nascimento, e 1917, abordando a presença de figuras femininas que se inscreveram na vida do poeta durante a infância e juventude vividas em uma São Paulo pré-reformas urbanas. Eduardo Jardim pontua que no ano de 1917 Mário conhece a “Arte Moderna”, no ano da famosa exposição da artista Anita Malfatti, considerada por muitos estudiosos a primeira representante do Movimento Modernista do Brasil.

“Meu poeta futurista” foi o nome dado à segunda parte do livro, forma como Oswald de Andrade, outra figura conhecida do movimento, se referia a Mário. O título trata-se de um artigo de Oswald de Andrade de 1921 que apresenta Mário de Andrade. O segundo momento do livro retrata a vida do artista modernista de 1917 a 1924, quando ele é contagiado pelos movimentos de vanguardas artísticas. É também durante a década de 20 que Mário de Andrade torna-se mentor da nova vertente do Modernismo: o nacionalismo- preocupando-se em definir quais eram os traços mais particulares da cultura brasileira.

O pesquisador completa que para Mário de Andrade, “só podemos ser ‘modernos’ se tivermos uma ‘cara própria’”, definindo a particularidade de posicionamento do artista em relação ao movimento. A ideia principal de Mário era ligar o Brasil a um contexto maior, questionando o que era conhecido à época como “nacional”. Eduardo acrescenta que Mário de Andrade “quer definir aquilo que está quase intocável, aquilo que faz parte de uma dimensão subjacente da cultura brasileira”.

A terceira parte do livro de Eduardo Jardim se ocupa do início dos anos 30, período “pesado” para Mário de Andrade, que observa seus planos para o Brasil serem frustrados. Mário  é convidado a ser Diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, trabalhando de maneira pioneira e única na administração cultural, procurando romper as linhas bem definidas entre o que era dito “popular” e o que era “erudito”.  O objetivo é a expansão cultural e, segundo Eduardo Jardim, tal projeto significaria a “realização do modernismo” para Mário. Porém, o projeto pessoal do artista é interrompido pelo Golpe que implanta a Ditadura do Estado Novo, sendo afastado do Departamento de Cultura. O modernista, frustrado, se muda para o Rio de Janeiro, onde não tem muito destaque em sua atuação na esfera pública.

Eduardo Jardim embasou sua pesquisa a partir da coleção de livros, catálogos e, sobretudo, de periódicos como revistas modernistas de época que a Biblioteca Nacional possui em primeira edição. Para auxiliar o pesquisador, a Biblioteca produziu três catálogos sobre o Modernismo e Mário de Andrade, “esses catálogos são imprescindíveis para quem quer estudar Modernismo”, afirma Eduardo. O primeiro catálogo foi confeccionado nos anos 70 e contém referências sobre todo o acervo da FBN relacionado ao Modernismo. Nos anos 90, mais dois catálogos foram produzidos, um deles em 1993, comemorando os 100 anos de Mário de Andrade.

“Mário de Andrade: eu sou trezentos- vida e obra” mostra como o modernista lidava com as contradições que o cercavam e as frustações no que dizia respeito a uma política cultural de abrangência nacional, de maneira democrática e acessível. Nesse sentido, Mário de Andrade, diferente da visão clássica de escritor consagrado do modernismo, pode ser percebido como alguém que fracassou em seu projeto principal. De acordo com o autor, o livro foi elaborado com a preocupação de atingir a um público não só formado por acadêmicos, mas por quem mais se interesse sobre as diversas facetas de Mário de Andrade. A obra estará disponível para venda na Loja do Livro da FBN.

Conheça um pouco mais sobre Mário de Andrade consultando a BNDigital.

FBN: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1299517.pdf

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