FBN I Perfil – Márcia Bessa e a memória dos cinemas de rua

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À pesquisadora Márcia Bessa interessa reunir, organizar, documentar, analisar e divulgar informações sobre os cinemas de rua que ainda estão em funcionamento na cidade do Rio de Janeiro: suas áreas de atuação, suas estruturas, suas trajetórias. Seu intuito é recuperar a biografia de cada uma das sete salas de projeções cinematográficas – que continuam abertas e operando nas vias públicas cariocas – através da revisão de publicações seriadas especializadas disponíveis na Hemeroteca Digital Brasileira.

Graduada em Comunicação Social (Cinema e Vídeo) e Mestre em Ciência da Arte – ambos pela Universidade Federal Fluminense (UFF) –, Márcia Bessa doutorou-se em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), sob a orientação da professora Leila Beatriz Ribeiro. Atualmente, Márcia é pesquisadora residente da Fundação Biblioteca Nacional (pelo PNAP-R) e possui experiência nas áreas de Cinema e Vídeo, Educação Superior e Produção Cultural.

Márcia argumenta que integrar a trajetória de existência desses cinemas de rua – alguns deles já reconhecidos institucionalmente como patrimônios – à memória social do Rio de Janeiro, discutindo ainda a concepção de novas instâncias de patrimonialização, pode contribuir sobremaneira para o debate e revigoração das políticas públicas voltadas para esses mesmos patrimônios culturais.

Ainda de acordo com a pesquisadora, a cidade do Rio de Janeiro já contou mais de 160 salas de exibição cinematográfica em funcionamento nas calçadas de suas ruas, praças e avenidas. “Hoje, damos conta da existência de somente sete cinemas de rua – sala de espetáculos cinematográficos cuja localização privilegia as calçadas urbanas, tendo suas fachada e entrada ocupando diretamente esses passeios públicos; categoria que começa a operar quando surgem cinemas em centros comerciais (década de 1950) – na capital fluminense”. A proposição de estudo de Márcia Bessa surge em meio a essa constatação: os cinemas de rua estão acabando.

Segundo a pesquisadora, alguns desses cinemas estão em funcionamento apesar de fechamentos, reformas e ameaças. Outros nasceram já nas últimas décadas do século passado – período de potencialização de crise do mercado exibidor brasileiro, processo iniciado em fins dos anos 1950 – num conceito híbrido entre rua e centro comercial. Raros são os que, indo na contramão do confinamento dos shopping centers, insistiram em marcar território em ruas da cidade como novíssimas salas. Os poucos cinemas ainda em funcionamento nas ruas de alguns bairros cariocas representam suportes de uma memória dos cinemas de rua, amparando-nos numa análise mais específica da problemática do processo de desaparecimento dessas salas.

Até agora, no levantamento feito por Márcia Bessa no acervo da Hemeroteca Digital Brasileira/BN Digital – Brasil, já foi possível constatar a importância do trabalho efetuado pela imprensa brasileira – viabilizado pelo maior acervo de periódicos da América Latina – para a reconstituição das biografias dos cinemas de rua ainda em funcionamento em solo carioca; ressaltando ainda a relevância de um acervo hemerográfico como esse que enseja novas abordagens nos estudos da cultura fluminense (e brasileira) e possibilita o ingresso em outras etapas e questionamentos na pesquisa da memória de nosso circuito exibidor cinematográfico tradicional.

As trajetórias de (in)existência dos cinemas de rua cariocas integram as pesquisas da residente desde 2007, época da confecção do roteiro cinematográfico para o filme de longa-metragem documentário, “Cinemas de rua…”[1] – atualmente em fase de captação de recursos –, seguem adiante, com a tese de doutorado “Entre achados e perdidos: colecionando memórias dos palácios cinematográficos da cidade do Rio de Janeiro” (2009-2013) e têm como continuidade a pesquisa aqui introduzida – “Sobrevivendo no asfalto: por uma memória social dos cinemas de ruaem processo de extinção nas calçadas cariocas” – e o desenvolvimento futuro do projeto do museu virtual interativo do cinema de rua.

Uma das notícias já adiantada pela pesquisadora, é que o nome do nosso Cine Roxy (1938), de Copacabana, para além da inspiração vinda do Roxy Nova-Iorquino, pode ter surgido através da atuação do “grande exhibidor” Samuel L. Rothafel (Minnesota, EUA) – Roxy era seu apelido – “com suas modernas theorias de apresentação de films, com prologos e orchestras de setenta e cinco figuras […] um homem que conhece o seu negocio melhor que todos os outros, e por isso, foi bem sucedido”; como podemos ler na crônica publicada por Cinearte (1926, n. 13, p. 30, http://hemerotecadigital.bn.br/cinearte/162531).

Um dos trabalhos mais recentes de Márcia Bessa é a resenha “Cinemas de Niterói em revista: por uma historiografia das salas de exibição cinematográfica na antiga capital fluminense”, que foi publicada na edição de Janeiro-Junho 2014 do periódico Rebeca – Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –, uma publicação da Sociedade de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE).

Para conhecer um pouco mais sobre a revista e sobre o trabalho da pesquisadora, acesse http://www.socine.org.br/rebeca/pdf/RESENHAS_4_MarciaBessa_final.pdf.

[1] Roteiro desenvolvido em co-autoria com Wilson Oliveira Filho e registrado no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional (2007).

 

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