“A Biblioteca Nacional na Crônica da Cidade” será publicado em comemoração aos 450 anos do Rio

O resultado do Edital da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, divulgado na 1ª semana de dezembro de 2014, selecionou três projetos editoriais da Fundação Biblioteca Nacional para serem publicados em comemoração aos 450 anos do Rio de Janeiro. Os pesquisadores do Centro de Pesquisa e Editoração da Biblioteca levaram a proposta ao Edital Nº 42/2014 Programa “Apoio à produção e Publicação de Livros e DVDs”.

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 “A Biblioteca Nacional na Crônica da Cidade”, um dos projetos amparados pelo Edital, é um trabalho desenvolvido pelo CPE desde o início de 2014 pela historiadora Lia Jordão e pelo cientista social Iuri Lapa. A proposta do trabalho é recolher, organizar e apresentar em forma de livro determinados registros encontrados no próprio acervo da Biblioteca Nacional que façam referência à Biblioteca ao longo da história do Rio de Janeiro, evidenciando o panorama único de inserção urbana e geográfica da Instituição.

O projeto possui um olhar inédito sobre a importância e história da Biblioteca e sua memória, como participante da dinâmica literária, cotidiana, espacial e lírica da cidade. O título ainda aborda a recepção da Biblioteca no Rio de Janeiro, exemplificando como ela foi apropriada por seus leitores, frequentadores, moradores do Rio, turistas e visitantes.

Os pesquisadores que estão trabalhando no livro buscam representações presentes na literatura e demais publicações nacionais, levando o fato de como a história da Biblioteca Nacional se confunde às vezes com aspectos de construção da própria cidade aniversariante. Os fragmentos são selecionados em categorias, que serão acompanhados de comentários autorais, como por exemplo: os leitores, a leitura e encontros, o prédio e a FBN como referência espacial e monumento geográfico.

Charges, anedotas, fotografias, jornais, revistas e crônicas, disponíveis nos acervos de iconografia, periódicos e também na Hemeroteca Digital, abordam a Biblioteca como palco de eventos e apresentam também uma percepção que varia entre o olhar romântico clássico diante da Biblioteca versus a deterioração inevitável causada pela ação do tempo, que constantemente afeta a dinâmica urbana. “A Biblioteca Nacional na Crônica da Cidade” tem previsão de lançamento para o final desse ano.

 

A revista Careta, em 1909, ironiza a demora da construção do prédio sede da Av. Central, hoje Av. Rio Branco:

Careta     , 13 de março de 1909

 

 

 

Carlos Drummond de Andrade foi um dois frequentadores mais assíduos da Biblioteca. O escritor dirigia-se sempre à sala que hoje abriga a seção de obras gerais, ocupando, todas as vezes, a cadeira de número quatro. Drummond dizia se sentir inspirado ao se sentar no assento de numeração determinada. No Correio da Manhã, em 1959, a coluna de Antonio Crispim, pseudônimo de Carlos Drummond de Andrade, resume a importância do acervo de periódicos da Biblioteca:

“As coleções de jornais velhos podem ser comparadas a um subterrâneo onde se depositam bens de toda sorte: desde barras ou pepitas de ouro até simples latas de querosene vazias. Elas contêm tudo que alguém possa procurar e mais alguma coisa. Nesse bric-a-brac pitoresco e melancólico ao mesmo tempo, os achados literários são numerosos, estando apenas à espera do pesquisador. É ir ali à Biblioteca Nacional e entrar na seção de periódicos, dirigida pela srta. Zilda Galhardo de Araújo. Procurada no fichário a indicação do jornal ou revista, e feito o pedido em poucos minutos o curioso tem à sua frente uma fatia do passado- de cinquenta, oitenta anos- e nela têm todas as incrustações políticas, sociais, econômicas, artísticas, humanas, que a vida vai fazendo na matéria do tempo”.

Em “O buraco na parede”, de 2001, o cronista Rubem Fonseca mostra como a Biblioteca Nacional está inserida na rotina do personagem de sua história:

 “Eu estava desempregado e ia ler na Biblioteca Nacional todos os dias. Seguia pela Mem de Sá até o largo da Lapa e pegava a Rua do Passeio. Eu podia descer pela Evaristo da Veiga, que desembocava na 13 de Maio ao lado do Theatro Municipal, mas preferia a rua do Passeio, que era mais movimentada, tinha mais gente pra ver. Da rua do Passeio chegava à praça Mahatma Gandhi,  e então a praça Floriano, andava um pouco e lá estava a Biblioteca, o prédio mais bonito da cidade. À noite, no caminho de casa, comia um sanduíche, de pernil ou mortadela. Isso matava a minha fome.”

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