Perfil – Alcebiades Diniz Miguel e os paradoxos do simbolismo

 

Alcebiades Diniz Miguel

Alcebiades Diniz Miguel

A solução entre texto e imagem, com a qual os simbolistas anteciparam várias tendências das vanguardas no século XX, é a base da pesquisa “Os paradoxos do simbolismo”, que utiliza imagens dos periódicos simbolistas, disponíveis no acervo da Fundação Biblioteca Nacional.

 O projeto desenvolvido por Alcebiades Diniz Miguel – pesquisador-bolsista do Programa Nacional de Apoio a Pesquisadores Residentes da Fundação Biblioteca Nacional (PNAP-R) – tem como meta trabalhar com os paradoxos estéticos que floresciam como soluções gráficas e literárias nos periódicos simbolistas, que surgiam em todo o Brasil no final do século XIX e início do século XX.

De acordo com o pesquisador, o simbolismo não foi apenas um movimento literário esteticamente definido, estilisticamente estruturado e historicamente circunscrito: seus autores valorizavam estados de consciência visionários, evocados em imagens que negavam associações narrativas convencionais, na busca por símbolos cada vez mais depurados. O foco muitas vezes excessivo e nada sutil na musicalidade das palavras e no hermetismo das imagens gerou farta munição a seus detratores, uma vez que até mesmo estudiosos, herdeiros e admiradores do simbolismo percebiam tais excessos como um defeito difícil de desculpar.

De acordo com Alcebiades, “desde o início, paradoxos e contradições impulsionaram o simbolismo para além de certos limites estreitos, definidos por seus detratores – refiguração do romantismo, fuga da realidade na forma de estetização obsessiva, mesmo antecipação do fascismo”. No entanto, o pesquisador ressalta também que “a despeito das críticas – eventualmente justas – que o movimento como um todo ou autores a ele associados sofreram, certas tendências do simbolismo foram realmente inovadoras e visionárias, gerando contínuas releituras que se desdobram até a mais recente contemporaneidade”.

Graduado em Linguística pela Universidade de São Paulo, com mestrado, doutorado e pós-doutorado em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (com estágio na Brunel University, em Londres), Alcebiades Diniz Miguel trabalha com questões de literatura, discurso e ficção, tendo experiência como docente (pela Unicamp), assessor técnico, tradutor e pesquisador em diversos centros como o Grupo de Pesquisa da Discriminação (USP), o Margens (IEL-Unicamp) e, atualmente, a Fundação Biblioteca Nacional. Também criou roteiros, animações, contos e interfaces de jogos. O núcleo de suas pesquisas é a Literatura Fantástica, atuando principalmente nos seguintes temas: anti-semitismo, literatura, teatro, história em quadrinhos, narrativa e cinema.

 

Para ver alguns exemplos do acervo consultado clique em Victrix e Pallivm.

Leia o artigo “Signos” e ficções de arquivo:

http://bibliofagia.weebly.com/blog/signos-e-ficcoes-de-arquivo

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Uma resposta to “Perfil – Alcebiades Diniz Miguel e os paradoxos do simbolismo”

  1. Lanchinho da Meia-Noite Says:

    Republicou isso em Lanchinho da Meia-Noite.

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