RIO 450 ANOS – Bairros do Rio – Tijuca

Tijuca [Iconográfico] : Largo da Boa Vista - Klumb, Revert Henrique, fl. 1855-1880 - Coleção Thereza Christina Maria – Acervo BNDigital.

Tijuca [Iconográfico] : Largo da Boa Vista – Klumb, Revert Henrique, fl. 1855-1880 – Coleção Thereza Christina Maria – Acervo BNDigital.

Tijuca é um bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro cuja formação remonta a 1565, quando a região foi ocupada pelos padres jesuítas, que se instalaram em fazendas dedicadas ao cultivo da cana-de-açúcar. Os jesuítas construíram também uma capela dedicada a São Francisco Xavier.

Seu nome na língua tupi significa brejo, lama, atoleiro, lodo ou lamaçal de cor escura. A região da Tijuca foi um dos temas do livro Aparência do Rio de Janeiro, de Gastão Cruls, publicado em 1949. Nele o autor descreve assim a região:

“A Tijuca, cujos mananciais vinham cada vez mais sendo aproveitados para abastecimento da cidade, fêz com que em 1857 a atenção do governo se voltasse para as suas florestas. As fazendas aí abertas uns trinta anos antes e queimadas subsequentes tinham-lhe quase completamente acabado com a pujante vegetação. Urgia reflorestá-la. Essa obra, de que já cogitara o ministro Conselheiro Felizardo de Sousa e Melo, só pôde, porém, ser iniciada em 1861, quando outro ministro do Império, Luís Pereira do Couto Ferraz, Barão e, depois, Visconde do Bom Retiro, confiou ao Major Manoel Gomes Archer o grande trabalho de povoar com novas essências aquêle pitoresco recanto da cidade. Para isso, Archer trouxe de sua própria fazenda – Fazenda Independência – no Morro do Cabuçu, limites de Campo Grande e Guaratiba, e também das matas que a vizinhavam, numerosas sementes e mudas dos mais vigorosos exemplares da flora fluminense. Assim, só num ano, foram plantadas, nos altos da Tijuca e das Paineiras, perto de oito mil árvores, preferentemente araribás, caneleiras, cedros, guarajubas, guaretás, guarapiapunhas, paus-brasil, jacarandás e jequitibás. Concomitantemente, foram abertos ou melhorados 20 quilômetros de estradas cavalgáveis, possibilitando aprazíveis passeios e até a moradia em pleno seio da natureza.

Mais tarde, em 1875, o Barão d’Escragnolle (Gastão Luís Henrique d’Escragnolle), nomeado administrador da floresta, prosseguiu com carinho a tarefa iniciada por Archer. Morando na própria Tijuca e conhecendo-lhe muito bem os sítios mais aprazíveis, foi êle que deu o nome e facilitou o acesso ao Excelsior, soberbo mirante, a 611 metros de altura, sobre o fundo da baía. Devem-se-lhe também o embelezamento da Gruta de Paulo e Virgínia, das cascatas Gabriela e Diamantina e da fonte Piraiú…

Aliás, aos principais benfeitores dos altos do antigo Andaraí Pequeno, Visconde do Bom Retiro, Barão d’Escragnolle e Braão de Taunay, foi prestada homenagem em modestos monumentos que aqui e ali, entre o arvoredo acolhedor, lhes testemunham a gratidão dos cariocas.

Diziamos acima que os caminhos adentrados pela floresta, deram ensejo a que algumas pessoas de recursos abrissem suas chácaras debaixo da ramaria sempre verde e entre regatos buliçosos. Acodem-nos algumas: a do próprio Visconde do Bom Retiro, para os lados do Açude da Solidão; a do Dr. Tomás Cochrane, na Gávea Pequena, hoje propriedade do Sr. E.G. Fontes, que a transformou numa das mais ricas residências do Rio; a do Barão de Itamarati, à rua Boa Vista, depois um hotel do mesmo nome, e atualmente Abrigo Feminino do Juízo de Menores; finalmente o Palacete Leopoldina, hoje Colégio Sacré Couer, à rua Ferreira de Almeida.

Na Antiga chácara do Dr. Cochrane, sogro de José de Alencar, dizem que o nosso romancista escreveu alguns dos seus livros, entre os quais: Sonhos de Ouro e o Sertanejo. Consta ainda que aí êle recebeu a visita de Castro Alves, recém-chegado da Bahia, que lhe trouxe uma carta de recomendação e, talvez, lhe tenha lido alguns dos seus poemas…”

Conheça um pouco mais sobre a Tijuca acessando a BNDigital ou visitando a Seção de Referência da Biblioteca Nacional.

Fotos:

[Boa] Vista, Tijuca : lado direito – Leuzinger, George, 1813-1892. Album do Rio de Janeiro. [foto 15] – Coleção Thereza Christina Maria – Acervo BNDigital.

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/TH_christina/icon309814/icon877064.jpg

A Cascatinha [Iconográfico] – Leuzinger, George, 1813-1892 – Coleção Thereza Christina Maria – Acervo BNDigital.

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/TH_christina/icon309814/icon877076.jpg

Pedras de Quebra Cangalha, Tijuca [Iconográfico] – Leuzinger, George, 1813-1892 – Coleção Thereza Christina Maria – Acervo BNDigital.

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/TH_christina/icon309814/icon877068.jpg

Tijuca [Iconográfico] : Etablissement de Mr. Bennett – Klumb, Revert Henrique, fl. 1855-1880 – Coleção Thereza Christina Maria – Acervo BNDigital.

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon576012/icon576012.jpg

Tijuca [Iconográfico] : Largo da Boa Vista – Klumb, Revert Henrique, fl. 1855-1880 – Coleção Thereza Christina Maria – Acervo BNDigital.

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon576014/icon576014.jpg

 

Conheça também o portal Brasiliana Fotográfica:  http://brasilianafotografica.bn.br/

 

 

 

 

 

Anúncios

Uma resposta to “RIO 450 ANOS – Bairros do Rio – Tijuca”

  1. Lanchinho da Meia-Noite Says:

    Republicou isso em Lanchinho da Meia-Noite.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: