Rio 450 anos – Bairros do Rio – Paquetá

Paquetá -  Ferrez, Marc - Rio de Janeiro, RJ :  [ca. 1890]

Paquetá – Ferrez, Marc – Rio de Janeiro, RJ : [ca. 1890]

Louvação à Paquetá

É um espetáculo agradável o passeio em noite de luar.  As árvores açoutadas pelo Nordeste, o céu puro de nuvens, e o caminho branqueado de areia, fazem com que ao caminhar lentamente mais se alegre o nosso espírito!  Mas quando se presta atenção, e se houve o sussurro das árvores, quando se lança os olhares para a baía do lado sueste, e o mar plácido e prateado pelo clarão da Lua, se assemelha a um claro espelho, o coração se encanta, e o homem recorda-se de um Deus criador, e lembra-se necessariamente do Paraíso, onde foram   colocados nosso primeiros pais.  Mas, se derdes alguns passos, atravessando a ilha em direção leste, vereis tudo quanto tenho descrito, o mar agitado pela brisa, vem quebrar seus grossos vendavais nas lindas praias que o limitam.”  (Padre Joaquim da Rocha Cristallina – 1869, Livro: A Ilha de Paquetá em 1869, Raymundo Fernando Sampaio Rebello da Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá).

Paquetá -  Ribeiro, Antônio Caetano da Costa - Rio de Janeiro [RJ] : [s.n.], [ca. 1914].

Paquetá – Ribeiro, Antônio Caetano da Costa – Rio de Janeiro [RJ] : [s.n.], [ca. 1914].

O nome da Ilha tem origem tupi e uma tradução polêmica. Para alguns especialistas Paquetá significa “muitas pacas”, o que é contestado por outros pois não há registros de que o animal habitasse a Ilha. Outra corrente de especialistas em tupi aponta para a possibilidade de Paquetá significar “muitas conchas”, pois consideram que a abundância de mariscos nas praias tenha incentivado a fundação de diversas caieiras. Segundo   Vivaldo Coaracy, no livro Paquetá : imagens de ontem e de hoje (1965 – Ed. Olympio), “ a verdade  é que não se pode afirmar com segurança e certeza o que na linguagem dos ameríndios, significava o nome Paquetá. Só é incontestável a origem”. Para Coaracy, “nos documentos antigos, o nome da Ilha aparece grafado por duas formas: “Pacoatá” e Paquatá”.

Ilha de Paquetá - Gutierrez, Juan - Rio de Janeiro, RJ : [s.n.], 1894.

Ilha de Paquetá – Gutierrez, Juan – Rio de Janeiro, RJ : [s.n.], 1894.

Gastão Cruls, no livro “Aparência do Rio de Janeiro”, publicado em 1949, descrevia assim os aspectos geográficos de Paquetá:

“Em tamanho, Paquetá é a segunda Ilha da baía.  Não obstante isso, cinge-se a uma superfície de pouco mais de 1.000.000 m² distribuídos num sentido longitudinal norte-sul, pois que tem 2.500 metros de comprimento e a sua largura, muito variável, em certos trechos é bastante exígua.  Assim, se nos limites extremos dilata-se nas pontas da Imbuca, ao sul, e do Lameirão, ao norte, adelgaça-se ao centro na Cintura ou ladeira do Vicente, onde, de mar a mar, não medeiam 100 metros.  É também nas zonas terminais que apresenta alguns morrotes, nunca excedentes de 50 metros de altura: dois ao sul, o da Cruz e o da Paineira, em um ao norte, o da Caixa D’água. “

Praia de Catimbau (Paquetá) - Gutierrez, Juan: [s.n.], 1894.

Praia de Catimbau (Paquetá) – Gutierrez, Juan: [s.n.], 1894.

Os aspectos geográficos da Ilha também são fruto do estudo de Vivaldo Coaracy, que assim os descreve:

“ Ao fundo da Guanabara, para nordeste, emerge das águas reduzido arquipélago formado por dois grupos distintos de ilhas e ilhotas.  O primeiro é constituído pelas ilhas  Comprida, Redonda, dos Ferros, da Casa-de-Pedra, do Braço Forte e Jurubaíbas, além da ilhotas da Pita e do Manguito e dos parcéis de Cocóis e Gravataí.  Compõem o segundo grupo as ilhas de Paquetá, Brocoió, Pancaraíba, Itapacis, dos Lobos e da Folhas.  Entre um e outro grupo, situam-se os recifes das Tapuamas, de dentro e de fora.”

As praias da Ilha são: Praia dos Tamoios, do Catimbau, do Lameirão (das Águas, da Covanca, dos Coqueiros (Pintor Castagneto), de São Roque, da Moreninha (Dr. Aristão), Manuel Luís, dos Frades, da Imbuca – Iracema e Moema, Praia da Mesbla, Praia Grossa e Praia José Bonifácio (Praia da Guarda).

Paquetá - Gutierrez, Juan - Rio de Janeiro, RJ: [s.n.], 1894

Paquetá – Gutierrez, Juan – Rio de Janeiro, RJ: [s.n.], 1894

Paquetá abrigou algumas indústrias de cal, carvão de lenha e das esteiras além de contar com jazidas de caolim, material que segundo Cruls, foi utilizado por um químico brasileiro, para confecção de um belo serviço de louças oferecido a D. João VI.

Os primeiros registros da Ilha montam de 1555 e tem ligação com a expedição de Villegaignon, e sua missão para fundar a França Antártica, anterior à própria fundação da cidade do Rio de Janeiro.

A Ponta do Lameirão em Paquetá - Con, Frederico Carlos  - Rio de Janeiro : [s.n.], [1864?].

A Ponta do Lameirão em Paquetá – Con, Frederico Carlos – Rio de Janeiro : [s.n.], [1864?].

Em 1565 a Ilha de Paquetá é doada por Estácio de Sá, sob a forma de duas sesmarias, sendo parte norte doada para Inácio de Bulhões, e a parte sul para Fernão Valdez.

Com a chegada da Família Real no Brasil e o Príncipe Regente, um alvará especial de D. João cria a Freguesia do Senhor Bom Jesus do Monte.

Em 1903, os distritos de Paquetá e Governador são unidos no Distrito das Ilhas, incorporando ilhas e ilhotas ao redor.

Em 1961, o governador do estado da Guanabara cria o Distrito Administrativo de Paquetá e, em 1975, com a fusão da Guanabara e do Rio de Janeiro, a Ilha de Paquetá passa a pertencer à cidade do Rio de Janeiro, constituindo sua XXI Região Administrativa.

Conheça mais sobre Paquetá na BNDigital.

Localize Paquetá na Carta corographica da capitania do Ryo de Janeyro, capital dos estados do Brasil / Por Francisco João Roscio, 1777. Coleção: Benedicto Ottoni.

 

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Uma resposta to “Rio 450 anos – Bairros do Rio – Paquetá”

  1. Lanchinho da Meia-Noite Says:

    Republicou isso em Lanchinho da Meia-Noite.

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