FBN I Rio 450 anos – Bairros do Rio – Freguesia de Inhaúma e a Igreja da Penha

Igreja da Penha C.a. 1960, Epaminindas e Raul Lima. Exposição Rio Cidade-Paisagem

Igreja da Penha C.a. 1960, Epaminindas e Raul Lima. Exposição Rio Cidade-Paisagem

A Freguesia de Inhaúma, criada em 1743, teve sua importância agrícola com a instalação da fazenda da Rainha Carlota Joaquina, que além do engenho de cana-de-açúcar (Engenho da Rainha), produzia café.  A região compreendia as terras onde hoje estão os bairros de Pilares, Engenho de Dentro, Engenho da Rainha, Thomas Coelho, Del Castilho, Higienópolis, Olaria, Bonsucesso, e se estendia até a Penha.

O nome “Inhaúma” possui origem indígena (Tamoios) e é derivado do nome de um pássaro muito comum na região chamado “inhaúma”, ave de cor preta com uma espécie de chifre pontiagudo sobre a cabeça que habita lugares pantanosos como mangues da época.

Segundo Brasil Gerson, no livro “História das ruas do Rio”, de 1965, já no fim do 2º Reinado o Coronel Antônio Joaquim de Souza Botafogo, republicano e florianista, chefe de Gabinete de Rui Barbosa na Fazenda e Diretor Geral do tesouro e Inspetor Geral da Alfândega, com a decadência da atividade agrícola, desmembrou a região foi em pequenas propriedades através da venda de lotes a prestação, estimulando o comércio e fornecendo ele próprio, o material de construção. O Coronel doou também o terreno para a construção do cemitério e para a rua Padre Januário, vigário da igreja no seu tempo.

Ainda Segundo Gerson, entre a Lei do Ventre Livre e a Abolição, a região só contava com um colégio, o do Professor Cintra Vidal, no Caminho dos Pilares (Hoje rua Álvaro de Miranda).  No largo perto da escola ficava a Venda dos Pilares, cuja denominação é atribuída aos adornos de pedra que decoravam a casa do vendeiro.

No trecho entre Manguinhos e Maria Angú, até a Estrada da Pavuna, tudo era ou Inhaúma, ou Engenho da Pedra, ou Engenho da Rainha. De Bonsucesso não se falava até que D. Cecília Vieira de Bonsucesso reformasse em 1754 uma capela erguida em 1728 por um devoto de Santo Antônio, e que os canaviais da época passassem a se chamar “os campos de Bonsucesso” assim como o Engenho da Pedra passasse a ser conhecido como “Engenho da Pedra e Bonsucesso”.

A região de Bonsucesso era considerada a “passagem de Inhaúma para o mar”, e lá, em 1896, em terras doadas por Adriano da Costa Rocha, foi construída uma capela, no alto da rua Olga, onde, trazida nos ombros desde o porto de Inhaúma, foi colocada a imagem francesa de sua Santa padroeira, juntamente com a imagem de N. S. dos Navegantes dos seus pescadores, e que por devoção deles, foi transportada para mais perto do mar ao inaugurar-se a Avenida Brasil.

Com a deflagração da primeira guerra mundial e por influência do engenheiro Guilherme Maxwell, responsável pela reurbanização e loteamento das terras do antigo Engenho da Pedra, a região de Bonsucesso passou a ser conhecida como “Cidade dos Aliados”, com praças e ruas de traçado perfeito e nomes conhecidos que homenageiam os países envolvidos nos combates tais como as Avenidas Londres, Paris, Bruxelas, Roma e Nova York e também a Praça das Nações.

Próximo à Praia Pequena de Benfica, no Morro do Amorim, ou Fazenda de Manguinhos, de propriedade do João Dias Amorim, dono de uma grande carvoaria numa parada da Leopoldina (futura estação Carlos Chagas), era o crematório da Limpeza Pública com sua altíssima chaminé, onde, já no Governo Campos Sales, o Barão Pedro Afonso montou o Instituto Soroterápico posteriormente transformado no Instituto Oswaldo Cruz.

Ribeiro, Antônio Caetano da Costa - Instituto Oswaldo Cruz, Manguinhos, Rio de Janeiro [RJ] : [s.n.], [ca. 1914].

Ribeiro, Antônio Caetano da Costa – Instituto Oswaldo Cruz, Manguinhos, Rio de Janeiro [RJ] : [s.n.], [ca. 1914].

Sobre a Penha, Nelson Costa, em seu livro “Rio de ontem e de hoje”, de 1958, afirmava que a primeira capelinha erguida ali datava de 1635, contrariando alguns estudiosos que defendiam a data de 1613.

Para Nelson, a construção da ermida, atribuída ao capitão português Baltazar de Abreu Cardoso, está associada a uma lenda urbana. Segundo a lenda, no início do século XVII, o capitão Baltazar, ao subir o penhasco (onde hoje existe a igreja), foi atacado por uma cobra venenosa. Assustado, Baltazar apelou para Nossa Senhora gritando: “Minha Nossa Senhora, valei-me!” Imediatamente um lagarto surgiu do nada e devorou a serpente.  Por gratidão, o capitão mandou construir a igreja que ficou pronta em 1635.

Diplomas de Irmandades(3) - Nossa Senhora da Penha que se venera em sua Igreja na Freguezia de Irajá, [19--].

Diplomas de Irmandades(3) – Nossa Senhora da Penha que se venera em sua Igreja na Freguezia de Irajá, [19–].

Outra versão sobre a construção da igreja é defendida por Gastão Cruls no livro “Aparência do Rio de Janeiro”: um caçador, já estafado por marchas e contra-marchas, no fim do dia improfícuo, se dispunha a descansar junto à penha onde hoje é a igreja. Quase nenhum lhe foi o sono reparador. Acorda a qualquer ruído e logo vê à sua frente, pronta a ataca-lo, monstruosa e hedionda serpente. Apela então para Nossa senhora, uma vez que lhe falta ânimo para qualquer movimento de defesa ou fuga. É quando aparece um lagarto que, ás rabanadas, maltrata e escorraça a cobra, e depois, calmamente, como a dizer-lhe que o acompanhe, sobe pelo morro acima. O homem, vai-lhe na trilha e, já quase no viso do penedo, apraz-lhe certo sítio, onde poderá repousar com mais segurança. Dorme, sim, mas não tanto como desejava. Assalta-o agora a sede e água não há por ali. Apela outra vez para Nossa Senhora. É quando lhe aparece um coelhinho branco, que o conduz até uma fonte. A Virgem, porém, já não lhe era apenas oráculo. Se o atendia nas aflições, pedia-lhe também alguma coisa. Que o seu protegido fosse até a lomba da penha, onde há muito jazia ao abandono a própria imagem dela que não podia continuar assim, exposta ao tempo. Urgia dar-lhe uma capelinha. E novamente o guia-coelhinho saiu à sua frente, agora para mostrar-lhe onde estava a imagem. E foi desta imagem e da capelinha logo levantada pelo caçador, que nasceu o culto a Nossa Senhora da Penha.

Martinet, Alfred, 1821-1875 - N. S. da Penha de França: que se venera na sua capella na freguesia de Iraja, Rio de Janeiro : Lith. de Alf. Martinet, [1853-1858].

Martinet, Alfred, 1821-1875 – N. S. da Penha de França: que se venera na sua capella na freguesia de Iraja, Rio de Janeiro : Lith. de Alf. Martinet, [1853-1858].

Localize a Freguesia de Inhaúma na Carta corographica da capitania do Ryo de Janeyro, capital dos estados do Brasil / Por Francisco João Roscio, 1777. Coleção: Benedicto Ottoni.

 

 Anúncio do Cortume Carioca - Jornal o Malho - 28/07/1928

Anúncio do Cortume Carioca – Jornal o Malho – 28/07/1928

 

Saiba mais sobre a região consultando a BNDigital ou a Hemeroteca Digital Brasileira.

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2 Respostas to “FBN I Rio 450 anos – Bairros do Rio – Freguesia de Inhaúma e a Igreja da Penha”

  1. celimarfontes Says:

    O Rio e sua historia, muito lendária e bela.
    celimarfontes

  2. Lanchinho da Meia-Noite Says:

    Republicou isso em Lanchinho da Meia-Noite.

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