Construtores da Literatura Carioca – Joaquim Manuel de Macedo foi tema de Vilma Arêas

Dia 3 de dezembro, a Biblioteca Nacional (BN) recebeu a escritora Vilma Arêas, no auditório Machado de Assis, para mais uma palestra do ciclo “Construtores da Literatura Carioca”. Joaquim Manuel de Macedo e a obra “A Moreninha” estiveram em pauta durante o encontro, organizado em parceria com a Academia Carioca de Letras (ACL). O projeto, criado para celebrar os 450 anos do Rio de Janeiro, prossegue até janeiro de 2016 com mais três conferências.

Renato Lessa, presidente da BN, e Ricardo Cravo Albin, presidente da ACL, agradeceram a presença da palestrante e saudaram a plateia, salientando que o autor homenageado, afeito à alma carioca, descreveu em sua obra a vida cotidiana do Rio de Janeiro do século XIX, época em que o Império se desenvolvia.

Escritora, ensaísta e professora do departamento de teoria literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, Vilma Arêas iniciou a conferência com uma breve biografia de Joaquim Manuel de Macedo, que nasceu em Itaboraí em 1820 e teve sua formação durante o Primeiro Reinado. “Em A Moreninha, que foi um best seller da época, Macedo descreve a vida social, com saraus e festinhas, e retrata o tipo romântico, açucarado. Ele escreve em linguagem popular e representa a classe média nessa história um tanto folhetinesca”, disse a palestrante.

Vilma leu alguns trechos do livro, tecendo comentários sobre traços marcantes na obra de Macedo. “Sempre existem ricos e pobres e os ricos são compassivos; os senhores são caridosos com os escravos. Muitas vezes ele interrompe a narrativa e diz: ‘vou resumir isso, vou pular esse pedaço’, fortalecendo a presença do narrador e criando uma intimidade com o leitor”, observou. Ela comentou sobre fatos da vida do escritor, que, como no romance “A Moreninha”, também se apaixonou por uma menina, Carolina, cujo pai se opunha ao namoro. “Dez anos depois, ela adoece e o pai permite o casamento”, contou Vilma.

A escritora também mencionou o livro “As vítimas algozes”, no qual Macedo aborda o tema escravidão e coloca os escravos como vilões, embora seus senhores sejam gentis e bondosíssimos. “Essa obra revela bastante a ambiguidade de Macedo que muito me intriga. Existe uma cisão no raciocínio dele. É curioso ver a contradição que ele expõe, a inquietação que aparece junto com o desejo de realismo. Ele trabalhava loucamente, porque queria fazer parte da aristocracia, mas não aceitava pagamento e morreu paupérrimo. Até o final da vida lecionou no Colégio Pedro II, foi deputado da ala conservadora do Partido Liberal, atento à República. Os leitores da fase açucarada não gostavam desse Macedo mais crítico. Fato é que existiam dois Macedos – o romântico e o moralista – e ambos foram massacrados pelos realistas, concluiu Vilma Arêas.

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