FBN | Série Documentos Literários – Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa

vila-rica

 

A série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta uma cópia do poema Vila Rica, de Glauceste Satúrnio, pseudônimo usado pelo inconfidente Cláudio Manuel da Costa.

Nascido a 5 de junho de 1729, na vila de Ribeirão do Carmo, hoje pertencente a Mariana (MG), o poeta era filho de uma brasileira e de um minerador português. Como a maioria dos jovens da elite colonial, estudou em Coimbra, onde escreveu seus primeiros poemas sob a influência do estilo barroco. De regresso ao Brasil, dedicou-se à advocacia, tendo exercido os cargos de procurador da Coroa, desembargador e secretário de Estado. Era um homem influente, bem relacionado, que desfrutava de uma vida confortável.

A participação de Cláudio Manuel da Costa no movimento de inconfidência suscita discussões por parte dos historiadores. Uns dizem que ele não teria passado de um espectador, enquanto outros sustentam que forneceu as bases teóricas para a conspiração, inspiradas no movimento iluminista, que conhecia muito bem. Sua morte, que ocorreu em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG), a 4 de julho de 1789, é o alvo das maiores polêmicas. Os documentos oficiais relatam que o poeta se enforcou na prisão, mas a posição em que foi encontrado e o fato de a sua morte ser conveniente para várias pessoas ligadas ao poder – em especial o visconde de Barbacena, governador de Minas Gerais – fazem com que alguns estudiosos afirmem que o suicídio foi uma farsa criada para encobrir um assassinato.

Vila Rica é o poema mais conhecido de Cláudio Manuel da Costa. A estrutura é a de um poema épico clássico, ou epopeia, e se assemelha à de outro poema brasileiro do mesmo período, O Uraguai, de Basílio da Gama, publicado em 1769. Ambos são representantes do movimento conhecido como arcadismo, que valoriza a vida no campo, se utiliza de personagens mitológicas e, no Brasil, trata de temas da história colonial, introduzindo o indígena como personagem.  É assim que, em Vila Rica, aparecem tanto o Curupira quanto as ninfas do Tejo, bem como o Gênio da Terra, uma criação do autor que representa a tentativa de conciliar os elementos nativos, “selvagens”, e as intenções civilizadoras de Albuquerque, o herói do poema, fundador de Vila Rica.

 

Cantemos, Musa, a fundação primeira
Da Capital das Minas, onde inteira
Se guarda ainda, e vive inda a memória
Que enche de aplauso de Albuquerque a história.


O códice apresentado, uma cópia manuscrita, possivelmente do século XVIII, foi comprado de F. Roiz de Paiva em 1901, pela quantia de 40$000 (quarenta mil réis). Está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e disponível para consulta na BN Digital pelo link abaixo:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1255459/mss1255459.pdf

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