FBN | Série Documentos Literários – Desenhos de Raul Pompeia para “O Ateneu”

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Na Semana do Livro e da Biblioteca, a Série Documentos Literários apresenta os desenhos de Raul Pompeia — que esteve à frente da Biblioteca Nacional por um curto espaço de tempo – feitos para ilustrar “O Ateneu”, seu mais famoso romance.

Raul Pompeia nasceu em 12 de abril de 1863, em Jacuecanga, município de Angra dos Reis (RJ). Seu pai, magistrado, era tido como severo e carrancudo. Aos onze anos, o futuro escritor foi matriculado num internato, o Colégio Abílio, do qual saiu em 1879 para estudar no Colégio Pedro II. Ainda como estudante, publicou seu primeiro romance, “Uma Tragédia no Amazonas”.

Terminados os estudos, Raul Pompeia foi para São Paulo, onde se matriculou na Faculdade de Direito. Os professores logo passaram a vê-lo com reservas, devido ao seu envolvimento com Luís Gama, a causa abolicionista e o movimento republicano. Em companhia de outros estudantes, como Raimundo Correia e Luís Murat, fundou várias gazetas, embora todas tenham tido poucos números. Em 1883, publicou novo romance, “As Joias da Coroa”. Dois anos depois, transferiu-se para a Faculdade de Direito do Recife a fim de completar o curso, regressando em seguida para o Rio de Janeiro, onde começou a escrever para vários jornais.
Como muitos romances naquela época, “O Ateneu” foi publicado de forma seriada num desses periódicos, a “Gazeta de Notícias”, entre janeiro e março de 1888. Após algumas modificações, ganhou uma primeira edição em livro, publicada pela própria “Gazeta”. Raul Pompeia continuou a escrever, mas sua atenção se voltava principalmente para a política e a vida pública. Em 1894, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional, cargo do qual seria demitido no ano seguinte pela mesma razão que o fizera romper várias amizades: seu apoio ao governo de Floriano Peixoto. O acúmulo de pressões o levou ao suicídio, na casa onde vivia com sua mãe, no dia 25 de dezembro de 1895.
“O Ateneu” foi bem recebido pela crítica desde o lançamento, havendo quem comparasse seu autor a Machado de Assis e aos estrangeiros Balzac, Zola e Flaubert. O historiador Capistrano de Abreu chegou a afirmar que se tratava do “livro mais forte escrito no Brasil até então”. De fato, a obra, um romance de características realistas e naturalistas, inova tanto na escrita quanto no tratamento que dá a questões como a homossexualidade, a angústia da solidão e do isolamento, e as distorções do sistema educacional. É, também, um romance de formação, que acompanha o amadurecimento e as reflexões do personagem “Sérgio”, possivelmente um alter ego de Raul Pompeia, durante sua passagem pelo internato “Ateneu”.
Os direitos do romance foram comprados pela Editora Alves & Cia., que, entretanto, só o publicaria em 1905, acompanhado dos desenhos feitos pelo próprio autor. De acordo com a editora, tratava-se de uma edição definitiva, impressa em Paris. Os desenhos foram reproduzidos em edições posteriores, e os originais foram doados pela editora à Biblioteca Nacional em 1907.
Os desenhos estão na Divisão de Iconografia e podem ser vistos acessando o link da BN Digital:
Para saber mais sobre a passagem de Raul Pompeia pela Biblioteca Nacional, leia o texto do pesquisador e servidor da instituição, Iuri Lapa:

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