FBN | Série Documentos Literários – Brava Gente Brasileira: um Hino de Evaristo da Veiga

 

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia Evaristo da Veiga, autor da letra do Hino da Independência, no aniversário de sua morte.

Evaristo Ferreira da Veiga e Barros (Rio de Janeiro, 8 de outubro de 1799 – 12 de maio de 1837) era filho de um professor português que, mais tarde, abriria uma livraria na rua da Alfândega, no centro da cidade. Estudante aplicado, era um ávido leitor das obras europeias vendidas na loja, interessando-se por jornalismo e pela impressão de livros. Dedicou-se, ainda, à poesia, com influência tardia dos poetas do Arcadismo. Vários de seus poemas de juventude homenageavam membros da Família Real e deixam claro que se considerava um súdito da Coroa portuguesa. Mais tarde, porém, aderiu ao crescente movimento pela independência do Brasil, o que ficou patente em seus versos e, especialmente, nos vários hinos que escreveu.

 

 

O mais famoso destes é o Hino da Independência, que não surgiu com esse nome, nem foi escrito após o Sete de Setembro. Na verdade, as tão conhecidas estrofes iniciadas com “Já podeis, filhos da Pátria” – e não “da Pátria filhos”, como em versões posteriores – foram escritas um mês antes da Independência, em agosto de 1822, sob o título “Hymno Constitucional Brasiliense”. O manuscrito teria sido musicado pelo maestro Marcos Portugal, que foi professor de música de d. Pedro I. Este, algum tempo depois, compôs uma nova música para aqueles versos, e chegou-se a pensar que também tinha escrito a letra, mas Evaristo da Veiga conseguiu provar sua autoria em 1833. Nessa época, já havia fundado seu próprio jornal, a “Aurora Fluminense” (que circulou entre 1827 e 1835), e se tornado um opositor do que denunciava como “a indiferença” por parte do Governo. Foi, ainda, deputado, defendendo até o fim da vida a Constituição Brasileira. Segundo Otávio Tarquínio de Souza, que escreveu sua biografia na coleção “História dos Fundadores do Império do Brasil” (1957), Evaristo da Veiga teve grande influência na política do seu tempo e contribuiu para criar um ambiente liberal nos primeiros anos da Regência.

O Hino da Independência foi deixado de lado por algum tempo, voltando a ser executado, com a música do maestro Portugal, a partir do centenário da Independência, em 1922. Mais tarde, os originais de cada hino foram estudados por uma comissão, da qual fez parte Heitor Villa-Lobos, e a melodia oficial passou a ser a composta por d. Pedro I.

O manuscrito original com a letra, ainda intitulado “Hymno Constitucional Brasiliense”, foi doado por Júlio B. Ottoni à Biblioteca Nacional juntamente com as letras de outros hinos escritos por Evaristo da Veiga. Os documentos se encontram sob a guarda da Divisão de Manuscritos. Um fac-símile do “Hymno” foi digitalizado e pode ser consultado no link da BN Digital:

http://objdigital.bn.br/…/mss_I_07_15_0…/mss_I_07_15_020.pdf

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