FBN | Documentos Literários: 14 de julho – Aniversário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que hoje completa 108 anos.

Fotografia da Divisão de Iconografia: Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1937

A ideia de um teatro nacional, com uma companhia financiada pelo poder público, já existia desde meados do século XIX. Um dos seus maiores defensores foi o ator João Caetano (1808 – 1863), pioneiro da arte dramática no Brasil, que, em 1923, teria seu nome atribuído à mais antiga casa de espetáculos construída no Rio de Janeiro (inaugurada em 1813 e inicialmente chamada de Real Theatro de São João). No entanto, foram os esforços do dramaturgo Arthur Azevedo (1855 – 1908), homenageado no último post desta série, que acabaram por viabilizar a construção do teatro, já nos primeiros anos do século XX.

Em 1903, no âmbito da reforma iniciada no ano anterior, o prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, abriu uma concorrência pública em que se escolheria o projeto arquitetônico para o futuro teatro. O resultado foi polêmico: dois projetos empataram em primeiro lugar, e havia uma desconfiança de que o “autor secreto” de um deles fosse Francisco de Oliveira Passos, filho do prefeito. No fim, houve uma fusão entre esse projeto e o do outro vencedor, o arquiteto francês Albert Guilbert, uma vez que ambos tinham sido inspirados pela Ópera de Paris.

As obras foram iniciadas no dia 2 de janeiro de 1905, e em maio do mesmo ano seria disposta a pedra fundamental. Entre os artistas convidados para decorar o interior estavam nomes ilustres como Rodolfo Amoedo, os irmãos Rodolfo e Henrique Bernardelli e Eliseu Visconti, responsável pela pintura do foyer (pano de boca), em que misturou referências à mitologia grega e a personagens históricos do Brasil. Isso lhe valeu muitas críticas por parte daqueles que, nos primeiros anos da República, desejavam se livrar de associações com o passado imperial e escravocrata. Um dos críticos foi o mesmo Arthur Azevedo que tanto lutara pela construção do teatro e que acabou por falecer sem vê-lo construído.

Com capacidade para 1.739 espectadores (após a última reforma, conta com 2.252), o Teatro Municipal foi inaugurado a 14 de julho de 1909 pelo presidente do Brasil, Nilo Peçanha, e pelo prefeito do Rio de Janeiro, Sousa Aguiar. No início recebeu companhias estrangeiras, mas, a partir dos anos 1930, passou a ter seus próprios corpos de artistas: Ballet, Coro e Orquestra Sinfônica, que até hoje realizam as temporadas artísticas oficiais com talento e dignidade.

Uma fotografia da Divisão de Iconografia mostra o Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1937. Na Divisão de Manuscritos encontra-se uma preciosidade: um desenho do arquiteto do teatro (e suspeito de ter encaminhado um projeto), Francisco de Oliveira Passos, que integra o álbum de autógrafos dedicado a Leonor Pereira de Melo e organizado por Laurinda Santos Lobo e F. Guimarães. A data é 1907. Os documentos podem ser consultados na BN Digital através dos links:

 

Divisão de Manuscritos: Desenho do arquiteto do teatro, Francisco de Oliveira Passos

Fotografia do Teatro Municipal de 1937 da Iconografia
http://objdigital.bn.br/…/div_i…/icon1497065/icon1497065.jpg
Desenho de Oliveira Passos:
http://objdigital.bn.br/…/div_man…/mss1408477/mss1408477.jpg

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Uma resposta to “FBN | Documentos Literários: 14 de julho – Aniversário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro”

  1. Lanchinho da Meia-Noite Says:

    Republicou isso em Lanchinho da Meia-Noite.

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