FBN | 1º de outubro de 1884 – começa a circular o jornal O Paiz

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O Paiz. Ano 1884\Edição 00001. [Acervo Hemeroteca Digital]

O Paiz foi um jornal diário de grande circulação lançado em 1º de outubro de 1884, no Rio de Janeiro (RJ), por João José dos Reis Júnior, o conde de São Salvador de Matozinhos. Conservador e de grande expressão, considerado o mais robusto órgão governista da República Velha, foi um dos maiores formadores de opinião na política e na sociedade brasileiras entre o fim do século XIX e o começo do século XX. Durou até 18 de novembro de 1934, quando foi fechado pela Revolução de 1930.

A trajetória de O Paiz começou nos últimos anos da Monarquia no Brasil. Na ocasião, com o seu primeiro redator-chefe Rui Barbosa, o jornal se destacava por sua participação nas campanhas abolicionista e republicana, envolvendo-se em algumas polêmicas contra a Gazeta de Notícias – segundo Nelson Werneck Sodré em “História da imprensa no Brasil”, este jornal e O Paiz eram os dois grandes periódicos da corte no fim do Segundo Reinado. Rui Barbosa, no entanto, não ficou por muito tempo na chefia da redação de O Paiz, sendo logo substituído por Quintino Bocaiúva.

Quintino Bocaiúva acabou sendo uma das figuras mais importantes na história de O Paiz. Sendo um dos fundadores do Partido Republicano, figura eminente na imprensa brasileira de então, foi responsável por consolidar o tom editorial que caracterizaria o jornal em suas campanhas e posicionamentos mais marcantes. Inicialmente, através do diário, Bocaiúva se colocou ao lado dos militares na chamada Questão Militar de 1884, combatendo a prisão do tenente-coronel Sena Madureira, fazendo eco a Saldanha Marinho na Revista Federal e aplaudindo o artigo “Arbítrio e inépcia”, publicado por Madureira no jornal gaúcho A Federação. Neste contexto, O Paiz via com bons olhos a figura do marechal Deodoro da Fonseca.

Ainda durante os primeiros anos de Bocaiúva n’O Paiz, o jornal teve uma guinada no seu caráter republicano: a partir de 1888, o diretor apoiou uma importante série de artigos assinados por Silva Jardim, onde o autor se exprimia veementemente contrário à Monarquia. Da tiragem inicial de cerca de 11 mil exemplares, em 1884, Bocaiúva alavancou este número para 16 mil em meados de 1885, 22 mil no início de 1886, 26 mil em 1889 – até que, após a Proclamação da República, o jornal veio a lançar pelo menos algumas edições especiais com tiragem de mais de 60 mil exemplares. Por anos a fio o cabeçalho de cada edição vinha com o slogan: “O Paiz é a folha de maior tiragem e de maior circulação na América Latina”.

Com a República, O Paiz se consolidou como uma das maiores influência na vida política nacional. Quintino Bocaiúva foi nomeado o primeiro ministro das relações exteriores do período republicano, no Governo Provisório, ao passo que a folha que conduzia ia se firmando como um dos periódicos mais vendidos na capital federal, certamente um dos maiores jornais do país. Suas antes quatro páginas por edição eram agora seis, sempre em formato standard e com alta vendagem.

Acesse a primeira edição na íntegra: http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/1

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