Archive for the ‘curiosidades históricas’ Category

FBN | Documentos Literários: Um Alvará de D. Sebastião, o Desejado, nos Manuscritos da Inquisição de Goa

agosto 4, 2017
A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta um alvará passado por D. Sebastião, rei de Portugal que desapareceu durante a batalha de Alcácer-Quibir, também chamada “Batalha dos Três Reis”, a 4 de agosto de 1578.
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Página 1 do Alvará de D. Sebastião. [Acervo Divisão de Manuscritos]

Nascido a 20 de janeiro de 1554, D. Sebastião era filho póstumo de D. João Manuel, príncipe herdeiro de Portugal, e aos três anos de idade herdou o trono de seu avô, D. João III. Assumiu o reino aos quatorze anos, após um período de regência, e manifestou grande disposição para a vida militar, além de um intenso fervor religioso. Preocupado com o avanço dos muçulmanos sobre Marrocos — de onde, acreditava, poderiam tentar retornar à Península Ibérica –, ele promoveu uma espécie de cruzada, que culminou com a batalha entre os portugueses, aliados às tropas do sultão Mulei Mohammed, e as tropas do tio de Mohammed, Abd al-Malik, que tinha o apoio dos otomanos.
A contenda travada em Alcácer-Quibir – nome da cidade situada entre Tânger e Fez, no Marrocos – levou não apenas à derrota dos portugueses como ao desaparecimento de D. Sebastião, cuja figura desde então se revestiu de características místicas que o ligam ao nacionalismo e à ideia de um “redentor” que um dia ressurgirá para auxiliar Portugal em seus momentos mais sombrios, algo próximo do que é o Rei Artur para os britânicos. Essa crença é conhecida como Sebastianismo, ao passo que o rei ganhou as alcunhas de “O Desejado” e “O Adormecido”.
O documento aqui apresentado data de 15 de fevereiro de 1576, dois anos antes da Batalha dos Três Reis. Trata-se de um alvará no qual D. Sebastião determinava que a justiça real não castigasse as pessoas consideradas apóstatas em Goa, possessão portuguesa na Índia. Ali, em 1560, foi instituído um Tribunal do Santo Ofício, cujo intuito parece ter sido menos o de punir o que fosse considerado um delito contra a fé católica do que o de converter a população do Oriente ao Cristianismo, funcionando, assim, como instrumento de dominação e controle social.
A Biblioteca Nacional possui nove códices que reúnem aproximadamente 1.600 documentos da Inquisição de Goa, entre os quais se encontram a correspondência dos oficiais, listas de réus, breves, provisões, alvarás e ordens régias. Abrangendo um longo período entre os séculos XVI e XIX, os códices estão sob a guarda da Divisão de Manuscritos.
Alvará de D. Sebastião:
Texto da pesquisadora Patrícia Souza de Faria acerca dos manuscritos da Inquisição de Goa na BN Digital:
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FBN | 03 de agosto de 1958: Nautilus realiza a primeira navegação abaixo da camada de gelo do Polo Norte

agosto 3, 2017
No dia 30 de setembro de 1954 o submarino americano Nautilus entrou em operação. Ele foi o primeiro submarino movido a energia nuclear que, dentre muitas vantagens, pode-se destacar a maior autonomia. Além disso, foi o pioneiro na realização de uma navegação histórica por baixo da camada de gelo do Polo Norte, em 03 de agosto de 1958.
submarino

Submarino Nautilus. A Divulgação (PR), 1958\Edição 00007

“A Proesa de “Nautilus”

Pela primeira vez na história do mar, um submarino logrou atingir o Polo Norte, passando sob o ponto geográfico que assinala aquele extremo polar, sob o Polo, porquanto o submarino “Nautilus” cursou por baixo da carapaça de gelo que existe no Polo, gelo eterno e dificilmente dominável.

O submarino “Nautilus” da marinha norte-americana é um barco movido pela energia atômica, fato que tornou possível tão magnífico feito de navegação submarina”

(A Divulgação (PR). Ano 1958\Edição 00007)
Leia mais uma reportagem sobre o feito do submarino Nautilus, acessando: http://memoria.bn.br/DocReader/119601/14064?pesq=Nautilus
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FBN I História – 18 de Julho de 1841: Coroação do Imperador Dom Pedro II

julho 18, 2017
D. Pedro II - Coleção Thereza Christina Maria

D. Pedro II – Coleção Thereza Christina Maria

Aos 15 anos de idade, depois de uma manobra que oficializou a redução da sua maioridade, D. Pedro II foi coroado, em cerimônia solene, Imperador do Brasil.

O jornal Diário do Rio de Janeiro, na edição 00157, de 19 de julho de 1841 publicava a seguinte nota:

18 de julho – A SAGRAÇÃO E COROAÇÃO DO SENHOR D. PEDRO II

Teve logar a cerimônia augusta, a solemne invocação da divindade para que se digne derramar os thesouros de sua infinita bondade sobre o reinado do Sr. D. Pedro 2º, aclamado em 7 de abril de 1831 imperador do Brasil o seu defensor perpétuo; a consagração religiosa é um acto importante para o christão; a política fria e severa não a desdenha, pelo contrário a applaude e preside a ella…

 

Leia a matéria na integra: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=094170_01&PagFis=24242

Foto: Paris [França : [s.n.], 1890]. Busto do Imperador idoso, voltado para a esquerda.

 http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon852419/icon852419.jpg

 

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FBN | 11 de julho de 1836 – nascimento de Carlos Gomes

julho 11, 2017

A maioria dos brasileiros conhece um trecho de uma das principais obras de Carlos Gomes, a ópera “O Guarani”. Se você está se perguntando qual é clique aqui: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/…/pas_mus/1041748.mp3.

 

 

“O Guarani”, criada por Carlos Gomes e baseada no livro homônimo de José de Alencar, foi o primeiro sucesso de uma obra musical brasileira no exterior. Ele começou sua composição entre 1867 e 1868, mas ela só foi finalizada mais tarde, e teve sua estréia no dia 19 de março de 1870, no Teatro Alla Scalla de Milão, na Itália.

Carlos Gomes é considerado um dos maiores compositores da história do Brasil e para homenageá-lo e celebrar essa data a Fundação Biblioteca Nacional destaca em seu acervo as partituras e os arquivos sonoros de “O Guarani”: https://www.bn.gov.br/…/destaques-do-a…/guarani-carlos-gomes.

 

 

Para conhecer um pouco mais sobre sua história com um olhar contemporâneo ao seu tempo, pois faleceu em 16 de setembro de 1896, leia a biografia publicada no periódico “Revista Musical” de 04 de janeiro de 1879, que é possível ser consultada da Hemeroteca Digitalhttp://memoria.bn.br/docreader/146633/1.

 

FBN | História – A Chegada da Família Real a Salvador 22 de janeiro de 1808

janeiro 22, 2017

No dia 22 de janeiro de 1808, após quase dois meses no mar, os navios que traziam ao Brasil a família real portuguesa e sua comitiva chegaram a Salvador. O conde da Ponte, governador da Bahia, os recebeu em meio a muitos festejos, com repique de sinos, salva de canhões e fanfarras.

 

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Chegada de D. João à Bahia, de Cândido Portinari

D. João, o príncipe regente, permaneceu na Bahia apenas 35 dias, mas, nesse espaço de tempo, assinou dois documentos importantes: a famosa Carta de Abertura dos Portos, que franqueava os portos brasileiros às nações que estivessem em paz com Portugal, e a Decisão Régia de 18 de fevereiro de 1808, na qual fundava a Escola Médico-Cirúrgica da Bahia. Além disso, tal como aconteceu com o Rio de Janeiro, a cidade de Salvador começou a receber uma grande quantidade de estrangeiros através de seu porto, o que ocasionou grandes mudanças nos costumes e na vida social da cidade.

 

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Quadro da Baronesa de Jaguaripe, de autor desconhecido, e mobiliário do século XIX

Em 2008, ano do bicentenário da chegada da família real, o Museu de Arte da Bahia abrigou a exposição “A Bahia nos Tempos de D. João”, reunindo um grande conjunto de documentos e artefatos relativos à passagem da família real por Salvador e suas consequências para a cidade.
As Divisões de Manuscritos e de Iconografia possuem exemplares da publicação feita por ocasião dessa mostra, que também conta com textos escritos por especialistas.

 

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Título do catálogo:

A Bahia na época de D.João : a chegada da corte portuguesa, 1808 / [textos, Maria José de Souza Andrade, Sylvia Menezes de Athayde ; fotografia, Sergio Benutti]. Salvador : Museu de Arte da Bahia : Solisluna, 2008.

Todas as imagens foram retiradas do catálogo acima mencionado.

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FBN I Museu Nacional de Belas Artes completa 80 anos – 13 de janeiro

janeiro 13, 2017

A Biblioteca Nacional homenageia o Museu Nacional de Belas Artes pelos seus 80 anos disponibilizando o álbum digitalizado de fotografias doado por  M. Nogueira da Silva,  de 1932,  que retrata cenas do cotidiano da Escola Nacional de Belas Artes e dos artistas da época, destacando a importância da instituição na preservação da Cultura Nacional.

“Situado no centro histórico do Rio de Janeiro, o edifício de arquitetura eclética projetado em 1908 pelo arquiteto Adolfo Morales de los Rios para sediar a Escola Nacional de Belas Artes, herdeira da Academia Imperial de Belas Artes, foi construído durante as modernizações urbanísticas realizadas pelo prefeito Pereira Passos na então Capital Federal.

Criado oficialmente em 1937 por Decreto do presidente Getúlio Vargas, o Museu Nacional de Belas Artes conjugou a ocupação do prédio com a Escola Nacional de Belas Artes até 1976, quando a EBA foi deslocada para a ilha do Fundão. Neste mesmo ano, com a criação da Fundação Nacional de Arte (Funarte) houve novo compartilhamento.

Em 24 de maio de 1973, o edifício da Avenida Rio Branco, 199, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a partir de 2003, a imponente construção passou a abrigar na sua totalidade o MNBA.

Avançando na linha do tempo, em 2009 o MNBA foi incorporado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura. Hoje é a instituição que possui a maior e mais importante coleção de arte brasileira do século XIX, concentrando um acervo de setenta mil itens entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, objetos, documentos e livros”. (Fonte: http://mnba.gov.br/portal/museu/historico)

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon276816/icon276816.htm

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FBN | Série Verão Carioca – Pelas Nossas Praias

janeiro 11, 2017

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A Revista CARETA edição do dia 03 de fevereiro de 1917 dizia:

“Sempre animadas, com o calor intenso dos ultimos dias maior ainda tem sido o movimento de banhistas em nossas praias e os lugares escolhidos pela élite carióca para os seus brincos recreativos com as ondas, dando ás paysagens que margeam ao mar nova vida, desvendam-lhes o mysterio sagrado das fórmas esculpturaes…”

FBN | 9 de janeiro 1822 – Dia do “Fico”

janeiro 9, 2017

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Cerca de um mês após o “Dia do Fico”, o príncipe d. Pedro escreveu a seu pai uma carta na qual falava da necessidade da criação de um Conselho de Estado, conforme lhe haviam pedido os representantes das províncias.

Segundo diz num trecho da carta, “determinei-me a criá-lo, atento às razões fortíssimas dadas pelas três Províncias, e eu entender que era para felicidade geral da Nação, em que eu estou pronto a trabalhar até a morte”. Ele solicita que d. João encaminhe sua resolução às Cortes portuguesas, fazendo-as saber que tem muito interesse pela monarquia luso-brasileira e está isento de quaisquer ambições.

A carta é datada de 16 de fevereiro de 1822, foi escrita pela mão de d. Pedro e traz sua assinatura. Pertence à Coleção Augusto de Lima Júnior e se encontra na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.
Conheça a carta original e outros documentos na Divisão de Manuscritos: https://www.bn.gov.br/explore/acervos/manuscritos

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FBN I Homenagem – 08 de janeiro – Dia Nacional do Fotógrafo e da Fotografia

janeiro 8, 2017
Joaquim Insley Pacheco. Pedro II, Imperador do Brasil : retrato, 1883. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN

Joaquim Insley Pacheco. Pedro II, Imperador do Brasil : retrato, 1883. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN

Em homenagem ao Dia Nacional do Fotógrafo, destacando uma imagem de d. Pedro II, o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo e, provavelmente, o primeiro fotógrafo nascido no Brasil. Seu interesse foi decisivo para a divulgação e o desenvolvimento da fotografia no país.

D. Pedro II  acumulou ao longo dos anos uma vasta coleção de fotografias,  cuja maior parte à Biblioteca Nacional, após a proclamação da República.

Além das fotografias, a parcela da biblioteca do imperador que coube à Biblioteca Nacional, consiste de 100 mil itens, aproximadamente: livros, publicações seriadas, mapas, partituras, desenhos, estampas, fotografias e outros documentos impressos e manuscritos. A pedido do imperador D. Pedro II foi denominada “Collecção. D. Thereza Christina Maria”, em homenagem à imperatriz. Trata-se da maior doação já recebida pela Biblioteca Nacional.

D. Pedro II formou sua coleção de fotografias, principalmente, através da contratação do trabalho de muitos profissionais – concedendo inclusive a alguns deles o título de “Photographo da Casa Imperial” – além da aquisição de fotografias estrangeiras, principalmente durante suas viagens ao exterior. O resultado é a maior e mais abrangente coleção de documentos fotográficos brasileiros e estrangeiros do século XIX existente numa instituição pública de nosso país.

É composta por imagens referentes ao Brasil e ao mundo do século XIX, que retratam a realidade do período e refletem a personalidade do imperador e seus interesses.

O reconhecimento internacional do valor cultural desta coleção foi obtido através de sua inscrição no Registro Internacional da Memória do Mundo da UNESCO, em 2003. Assim, esta coleção tornou-se o primeiro conjunto documental brasileiro a integrar este programa da UNESCO.

Conheça a coleção completa:  http://bit.ly/2j53I9s


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FBN I História – 04 de janeiro de 1839, nasce o poeta Casimiro de Abreu

janeiro 4, 2017

Casimiro José Marques de Abreu, nasceu em Barra de São João (distrito da cidade que leva seu nome), no Rio de janeiro, em 4 de janeiro de 1839. É o patrono da cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras.

Sua biografia é assim descrita no site da ABL:

“Era filho natural do abastado comerciante e fazendeiro português José Joaquim Marques Abreu e de Luísa Joaquina das Neves. O pai nunca residiu com a mãe de modo permanente, acentuando assim o caráter ilegal de uma origem que pode ter causado bastante humilhação ao poeta. Passou a maior parte da infância na propriedade materna, Fazenda da Prata, em Correntezas. Recebeu apenas instrução primária, estudando dos 11 aos 13 anos no Instituto Freeze, em Nova Friburgo (1849-1852), onde foi colega de Pedro Luís, seu grande amigo para o resto da vida. Em 1852 foi para o Rio de Janeiro praticar o comércio, atividade que lhe desagradava, e a que se submeteu por vontade do pai, com o qual viajou para Portugal no ano seguinte. Em Lisboa iniciou a atividade literária, publicando um conto e escrevendo a maior parte de suas poesias, exaltando as belezas do Brasil e cantando, com inocente ternura e sensibilidade quase infantil, suas saudades do país. Lá compôs também o drama Camões e o Jau, representado no teatro D. Fernando (1856), com grande sucesso. O poeta só tinha dezessete anos, e já colaborava na imprensa portuguesa, ao lado de Alexandre Herculano, Rebelo da Silva e outros. Não escrevia apenas versos. No mesmo ano de 1856, o jornal O Progresso imprimiu o folhetim “Carolina”, e na revista Ilustração Luso-Brasileira saíram os primeiros capítulos de “Camila”, recriação ficcional de uma visita ao Minho, terra de seu pai.

Em 1857, voltou ao Rio, onde continuou residindo a pretexto de continuar os estudos comerciais. Animava-se em festas carnavalescas e bailes e frequentava as rodas literárias, nas quais era bem relacionado. Colaborou em A Marmota, O Espelho, Revista Popular e no Correio Mercantil, de Francisco Otaviano. Nesse jornal, trabalhavam dois moços igualmente brilhantes: o jornalista Manuel Antônio de Almeida e o revisor Machado de Assis, seus companheiros em rodas literárias. Publicou As primaveras em 1859. Em 1860, morreu o pai, que sempre o amparou e custeou de bom grado as despesas da sua vida literária, apesar das queixas românticas feitas contra a imposição da carreira. A paixão absorvente que consagrou à poesia justifica a reação contra a visão limitada com que o velho Abreu procurava encaminhá-lo na vida prática.

Doente de tuberculose, buscou alívio no clima de Nova Friburgo. Sem obter melhora, recolhe-se à fazenda de Indaiaçu, No município que hoje leva seu nome, onde veio a falecer, seis meses depois do pai, faltando três meses para completar vinte e dois anos.

Em As primaveras acham-se os temas prediletos do poeta, e que o identificam como lírico-romântico: a nostalgia da infância, a saudade da terra natal, o gosto da natureza, a religiosidade ingênua, o pressentimento da morte, a exaltação da juventude, a devoção pela pátria e a idealização da mulher amada. A sua visão do mundo externo está condicionada estreitamente pelo universo do burguês brasileiro da época imperial, das chácaras e jardins. Trata de uma natureza onde se caça passarinho quando criança, onde se arma a rede para o devaneio ou se vai namorar quando rapaz.

À simplicidade da matéria poética corresponde o amaneiramento paralelo da forma. Casimiro de Abreu desdenha o verso branco e o soneto, prefere a estrofe regular, que melhor transmite a cadência da inspiração “doce e meiga” e o ritmo mais cantante. Colocado entre os poetas da segunda geração romântica, expressa, através de um estilo espontâneo, emoções simples e ingênuas. Estão ausentes na sua poesia a surda paixão carnal de Junqueira Freire, ou os desejos irritados, macerados, do insone Álvares de Azevedo. Ele pôde sublimar em lânguida ternura a sensualidade robusta, embora quase sempre bem disfarçada, dos seus poemas essencialmente diurnos, nos quais não se sente a tensão das vigílias. No poema “Violeta” configura a teoria do amor romântico, segundo a qual devem ficar subentendidos os aspectos sensuais mais diretos, devendo, ao contrário, ser manifestado, com o maior brilho e delicadeza possível, o que for idealização de conduta. “Meu livro negro”, em toda a sua obra, é o único momento de amargura violenta e rebeldia mais acentuada; noutros o drama apenas se infiltra, menos compacto. Em sua poesia, talvez exagerada no sentimentalismo e repleta de amor pela natureza, pela mãe e pela irmã, as emoções se sucedem sem violência, envolvidas num misto de saudade e de tristeza.”

Obras de Casimiro de Abreu:

Fora da Pátria, prosa, 1855
Minha Mãe, poesia, 1855
Rosa Murcha, poesia, 1855
Saudades, poesia, 1856
Suspiros, poesia, 1856
Camões e o Jau, teatro, 1856
Meus Oito Anos, poesia, 1857
Longe do Lar, prosa, 1858
Treze Cantos, poesia, 1858
Folha Negra, poesia, 1858
Primaveras, poesias, 1859

Consulte o acervo da FBN sobre Casimiro de Abreu:

http://acervo.bn.br/sophia_web/index.html

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