Archive for the ‘Documentos Literários’ Category

FBN | Documentos Literários: Poema de Fabulista

agosto 18, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta “A Um Poeta”, de Anastácio Luiz do Bonsucesso, pertencente à Coleção Literatura.
Bonsucesso (Rio de Janeiro, 1833 – 1899) foi médico, professor, teatrólogo e poeta. É considerado um dos pioneiros do gênero fabulístico no Brasil, tendo lançado em 1858 a primeira edição de seu livro “Fábulas”, com duas centenas de narrativas de fundo moral. Várias eram dedicadas a figuras públicas (D. Pedro II, a Princesa Isabel, José do Patrocínio), a escritores que ele considerava seus precursores no gênero fábula e até a instituições como o Gabinete Português de Leitura. Segundo o pesquisador Ismael dos Santos (UFSC), suas narrativas tinham grande eloquência verbal, faziam muito uso de metáforas e reforçavam a religiosidade e a moral vigentes.

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Página 1 de “A um poeta” (1857), Anastácio Luís do Bonsucesso. [Acervo Divisão de Manuscritos]

O manuscrito da Coleção Literatura é um poema datado de maio de 1857 – antes, portanto, da publicação de “Fábulas” — e dedicado a José Alexandre Teixeira de Mello, médico, jornalista e escritor brasileiro que esteve à frente da Biblioteca Nacional entre 1895 e 1900. Curiosamente, uma anotação recomenda que o nome de Teixeira de Mello seja substituído pelo de Álvares de Azevedo. É provável que o original se destinasse a ser encaminhado a um editor para publicação, e que o autor desejasse fazer uma homenagem póstuma a Azevedo, falecido prematuramente em 1852.

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Página 3 de “A um poeta” (1857), Anastácio Luís do Bonsucesso. [Acervo Divisão de Manuscritos]

O original está na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado pelo link da BN Digital: http://objdigital.bn.br/…/mss_I_07_10_0…/mss_I_07_10_058.pdf

FBN | Documentos Literários: Licença Pastoril, espetáculo dedicado ao Príncipe D. José

agosto 11, 2017

A Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, vem apresentar um original proveniente da Real Biblioteca. Trata-se de um documento de vinte páginas, encaminhado ao então príncipe herdeiro de Portugal, D. José, pelo empresário e atores da Companhia Cômica Portugueza, ligada ao Teatro do Salitre.

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Página 2. Licença Pastoril. [Manuscrito]

O Teatro do Salitre foi um dos mais famosos teatros portugueses, construído por João Gomes Varela e inaugurado em 1782, com capacidade para 900 espectadores. Sediou uma grande diversidade de espetáculos — que incluíam peças de dramaturgia, bailado, ópera, mágica, teatro de fantoches, entre muitos outros gêneros –, e, justamente por isso, ficou conhecido também como “Teatro das Variedades Dramáticas” ou, simplesmente, “Teatro das Variedades”. Foi demolido em agosto de 1879, após quase cem anos em que se destacou, segundo o pesquisador José Leite, como “um dos mais carismáticos espaços teatrais de fins do século XVIII e durante quase todo o XIX”.

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Página 4. Licença Pastoril. [Manuscrito]

Este documento, datado de 1787 – apenas cinco anos após a inauguração do teatro — traz o texto de uma Licença Pastoril, nome atribuído a uma peça a ser recitada para o príncipe no dia do seu aniversário, 21 de agosto. Composta em versos, a peça tem um cenário bucólico, e seus personagens são pastores que, em meio a uma história de amor entre os jovens Albano e Isbela, cantam louvores ao príncipe e a Portugal, destacando seu domínio sobre terras de além-mar:

Prostre a seus pés/Do Tejo ao Ganges/Cruéis alfanjes/Do ímpio ao léu.

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Página 5. Licença Pastoril. [Manuscrito]

O Príncipe D. José morreu de varíola em 1788. Seu irmão, D. João, o sucedeu como herdeiro do trono português, veio para o Brasil em 1808 e trouxe a Licença Pastoril em meio a outros manuscritos da Real Biblioteca. Ele se encontra na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado através do link da BN Digital

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_20_010/mss_I_07_20_010.pdf

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FBN | Documentos Literários: Um Alvará de D. Sebastião, o Desejado, nos Manuscritos da Inquisição de Goa

agosto 4, 2017
A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta um alvará passado por D. Sebastião, rei de Portugal que desapareceu durante a batalha de Alcácer-Quibir, também chamada “Batalha dos Três Reis”, a 4 de agosto de 1578.
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Página 1 do Alvará de D. Sebastião. [Acervo Divisão de Manuscritos]

Nascido a 20 de janeiro de 1554, D. Sebastião era filho póstumo de D. João Manuel, príncipe herdeiro de Portugal, e aos três anos de idade herdou o trono de seu avô, D. João III. Assumiu o reino aos quatorze anos, após um período de regência, e manifestou grande disposição para a vida militar, além de um intenso fervor religioso. Preocupado com o avanço dos muçulmanos sobre Marrocos — de onde, acreditava, poderiam tentar retornar à Península Ibérica –, ele promoveu uma espécie de cruzada, que culminou com a batalha entre os portugueses, aliados às tropas do sultão Mulei Mohammed, e as tropas do tio de Mohammed, Abd al-Malik, que tinha o apoio dos otomanos.
A contenda travada em Alcácer-Quibir – nome da cidade situada entre Tânger e Fez, no Marrocos – levou não apenas à derrota dos portugueses como ao desaparecimento de D. Sebastião, cuja figura desde então se revestiu de características místicas que o ligam ao nacionalismo e à ideia de um “redentor” que um dia ressurgirá para auxiliar Portugal em seus momentos mais sombrios, algo próximo do que é o Rei Artur para os britânicos. Essa crença é conhecida como Sebastianismo, ao passo que o rei ganhou as alcunhas de “O Desejado” e “O Adormecido”.
O documento aqui apresentado data de 15 de fevereiro de 1576, dois anos antes da Batalha dos Três Reis. Trata-se de um alvará no qual D. Sebastião determinava que a justiça real não castigasse as pessoas consideradas apóstatas em Goa, possessão portuguesa na Índia. Ali, em 1560, foi instituído um Tribunal do Santo Ofício, cujo intuito parece ter sido menos o de punir o que fosse considerado um delito contra a fé católica do que o de converter a população do Oriente ao Cristianismo, funcionando, assim, como instrumento de dominação e controle social.
A Biblioteca Nacional possui nove códices que reúnem aproximadamente 1.600 documentos da Inquisição de Goa, entre os quais se encontram a correspondência dos oficiais, listas de réus, breves, provisões, alvarás e ordens régias. Abrangendo um longo período entre os séculos XVI e XIX, os códices estão sob a guarda da Divisão de Manuscritos.
Alvará de D. Sebastião:
Texto da pesquisadora Patrícia Souza de Faria acerca dos manuscritos da Inquisição de Goa na BN Digital:
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FBN | Série Documentos Literários – De escritor para editor: carta de Coelho Neto a Gelormini

abril 7, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta uma carta do escritor Coelho Neto ao editor italiano Gelormini.

Henrique Maximiano Coelho Neto (1864 – 1934) foi um dos mais prolíficos escritores brasileiros de sua época. Além de romances, contos e discursos que compõem uma obra de mais de cem volumes, ele publicava artigos quase diariamente, sobre assuntos diversos, muitas vezes usando pseudônimos. E, embora seu estilo fosse considerado ultrapassado pelos críticos da Semana de Arte Moderna, ele continuou a produzir e a ter notoriedade, tanto que, em 1928, um concurso promovido pela revista “O Malho” o agraciou com o título de “Príncipe dos Prosadores”.

Como a maioria dos escritores, Coelho Neto mantinha uma intensa correspondência acerca de assuntos literários e de seu trabalho. Esta carta, datada de 29 de março de 1907, foi endereçada ao editor italiano F. L. Gelormini, a quem o escritor envia um número do jornal “Fanfulla” – publicado pela colônia italiana desde 1893, que desde 2014 existe apenas em formato digital –, um romance e dois livros de contos. Na carta, em que agradece o interesse de Gelormini em traduzir suas obras, Coelho Neto “quase garante” o sucesso junto ao público europeu, não pelo seu próprio mérito, mas “pelo que há de grandioso na paisagem, de esplêndido nos dias de sol, de augusto e sugestivo nos lugares magníficos”.

 

Nenhum texto alternativo automático disponível.

 

A carta pertence à Coleção Adir Guimarães, integrada, principalmente, por correspondência de escritores brasileiros. Está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e pode ser consultada na BN Digital acessando o link:

http://objdigital.bn.br/acerv…/div_manuscritos/mss467147.pdf

Outro post sobre Coelho Neto da Série Documentos Literários:
https://blogdabn.wordpress.com/…/fbn-serie-documentos-lite…/

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