Archive for the ‘Documentos Literários’ Category

FBN | Documentos Literários: Nelson Werneck Sodré Escreve Sobre a Era Vargas

novembro 10, 2017

 

No dia em que se completam 80 anos desde a instituição do regime ditatorial conhecido como Estado Novo, a Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta um artigo de Nelson Werneck Sodré acerca do período que ele intitulou “Época de Vargas”.

 

 

Getúlio Dornelles Vargas (São Borja, RS, 1882 – Rio de Janeiro, 1954) governou o Brasil em dois períodos. O primeiro durou 15 anos, começando em 1930. O Estado Novo se iniciou a 10 de novembro de 1937, quando Vargas se pronunciou no rádio por meio de um “Manifesto à Nação” no qual afirmava sua intenção de “reajustar o país à nova realidade”. Dentre as medidas adotadas pelo Estado Novo contam-se a supressão dos partidos políticos, a repressão aos opositores do regime – incluindo violência policial e tortura – e a censura à imprensa e a todo tipo de expressão midiática, para o que foi criado o Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP. O Estado Novo foi desmontado a partir de 29 de outubro de 1945, data da deposição de Vargas – que, contudo, ainda voltaria à Presidência do Brasil, eleito por voto direto, em 1951. O mandato foi encerrado a 24 de agosto de 1954, quando o presidente cometeu suicídio.

 

 

Não apenas o Estado Novo, mas todo o Governo Vargas é tema deste artigo de Nelson Werneck Sodré (1911 – 1999), militar de carreira, professor e intelectual, autor de dezenas de livros e inúmeros artigos em que trata de questões ligadas à realidade brasileira. Extremamente organizado e meticuloso, Sodré colecionou todos os artigos que publicou em fichários que, mais tarde, doou à Biblioteca Nacional juntamente com alguns textos , planos de aula, fotografias e outros documentos. Os originais estão guardados na Divisão de Manuscritos e uma importante parte da coleção já foi digitalizada.

 

Para ler o artigo “A Época de Vargas”, publicado em 1975 na revista “Ensaios de Opinião”, acesse o link
http://objdigital.bn.br/…/div_man…/mss1359307/mss1359307.pdf

O inventário analítico da Coleção Nelson Werneck Sodré foi publicado nos Anais da Biblioteca Nacional, v. 126. Para acessá-lo, clique no link
http://objdigital.bn.br/acervo_dig…/anais/anais_126_2006.pdf

 

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FBN | Documentos Literários: Carta de Ferdinand Denis ao Poeta e Etnólogo Gonçalves Dias

novembro 3, 2017

A Série Documentos Literários homenageia Gonçalves Dias, autor de poemas como “Canção do Exílio” e “I-Juca Pirama” , no aniversário de sua morte.

Antônio Gonçalves Dias (Caxias, MA, 10 de agosto de 1823 – Guimarães, MA, 3 de novembro de 1864) é conhecido principalmente por sua obra literária, na qual se sobressaem os poemas nacionalistas e indigenistas. Entretanto, teve também uma importante atuação como jornalista, como professor do Colégio Pedro II, onde lecionou História e Latim, como advogado, formado na Universidade de Coimbra, e, ainda, como etnólogo e folclorista, tendo-se destacado na pesquisa sobre as línguas nativas. Por causa disso, foi convocado para dirigir a Seção Etnográfica e Narrativa da Comissão Científica de Exploração, organizada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB. Com ela viajou entre 1859 e 1860 pelo Ceará, depois visitou os estados do Pará e do Amazonas, onde coletou inúmeros objetos etnográficos.

Em 1862, Gonçalves Dias, com a saúde debilitada, foi à Europa em busca de tratamento. Várias temporadas em estações de cura não lograram êxito. Em 1864, embarcou de volta ao Brasil, mas o navio no qual viajava naufragou ao se chocar contra um banco de areia, próximo à costa do Maranhão. Todos se salvaram, menos o escritor, que não teve forças para deixar seu camarote. Morria, assim, aquele que José de Alencar disse ser “o poeta nacional por excelência, aquele a quem ninguém disputa na excelência da imaginação”.

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O documento apresentado é uma carta enviada a Gonçalves Dias pelo escritor e historiador francês Ferdinand Denis (1798-1890), que tinha estado no Brasil quando jovem e acabou por se tornar um especialista em estudos brasileiros. Na carta, datada de 1862, Denis se refere a viajantes e a seus estudos e comenta sobre o estado de saúde do poeta, desejando que logo esteja bem e possa brindá-los com novos “poemas encantadores ou páginas cheias de interesse”.

A carta está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional e pode ser consultada pelo link da BN Digital: http://objdigital.bn.br/…/div_man…/mss1233576/mss1233576.pdf

FBN | Documentos Literários – Carta de Machado de Assis ao autor da Lei do Ventre Livre

setembro 28, 2017

Por ocasião do aniversário da promulgação da Lei do Ventre Livre, a Série Documentos Literários apresenta uma carta de Machado de Assis ao visconde do Rio Branco, na qual se refere à data como “gloriosa”.

A Lei do Ventre Livre foi uma das medidas consideradas “transitórias” entre o regime escravagista e o regime de trabalho livre. O projeto foi apresentado na Câmara de Deputados em maio de 1871 por José Maria da Silva Paranhos, o visconde do Rio Branco (1819 – 1880), que, segundo o historiador José Murilo de Carvalho, teve de usar de muita energia e habilidade para vencer a oposição tanto de liberais quanto de conservadores. Por fim, a lei foi aprovada em 27 de setembro e assinada no dia seguinte pela Princesa Isabel, ficando conhecida como “Lei Rio Branco”. Na maioria dos casos, foi ineficaz, pois as crianças nascidas de escravas continuaram sob a tutela dos senhores, mas serviu para promover debates e contribuir para o processo que culminou com a assinatura da Lei Áurea em 1888 – uma lei também imperfeita, mas que representou pelo menos um passo na longa caminhada rumo a uma sociedade mais igualitária.

Negro, descendente de escravos, Machado de Assis (1839 – 1908) recebeu críticas por se manter alheio à questão da abolição. No entanto, crônicas escritas desde 1870 e publicadas nos jornais da época, bem como trechos de ficção — em especial os contos “O Caso da Vara” e “Pai Contra Mãe” –, mostram claramente suas críticas ao regime e à sociedade que o instituiu.

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José Maria da Silva Paranhos: Visconde do Rio Branco, Deputado, Senador, Ministro, Diplomata, Conselheiro de Estado, Parlamentar distincto. [Acervo Iconográfico]

Nesta carta, datada de 1876, o escritor parabeniza o visconde de Rio Branco pela lei que iniciou e defendeu um serviço que, segundo ele, já se tornara patrimônio comum. A carta está na Divisão de Manuscritos e pode ser consultada através do link: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I32_36_025.pdf

Uma gravura representando Rio Branco está no acervo da Divisão de Iconografia: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon95726_1396400/icon1387669.html

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FBN | Documentos Literários – Cartões de Sigmund Freud para Artur Ramos

setembro 23, 2017

No aniversário da morte de Sigmund Freud, a Série Documentos Literários apresenta alguns cartões enviados pelo médico e psicanalista a Artur Ramos.

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Carta a Arthur Ramos dizendo que os resultados, aos quais ele chegou, estão em conformidade com os trabalhos psicanalíticos até agora conhecidos. Data: 11/03/1928. [Acervo Manuscritos]

Médico, etnólogo e professor, Artur Ramos (Alagoas, 07/07/1903 – Paris, 31/10/1949) foi colega de Nise da Silveira na Faculdade de Medicina da Bahia, e, como ela, dedicou-se à psiquiatria e à psicanálise. Entre seus muitos correspondentes está Sigmund Freud (Freiburg im Mähren, 06/05/1856 – Londres, 23/09/1938), a quem enviou alguns trabalhos, tais como sua tese de formatura “Primitivo e Loucura”, em que estuda o fenômeno da loucura através de um diálogo entre a psicanálise e a antropologia. Freud agradece em um cartão datado de 20/05/1927, no qual, escrevendo em inglês, lamenta não ter podido usufruir do trabalho por não conhecer o idioma de Ramos.  “Mas estou certo de que você adquiriu o domínio do assunto”, conclui, delicadamente.

Freud endereçou dois outros cartões a Ramos, em alemão, sempre agradecendo o envio de material. Num deles, volta a lamentar sua falta do conhecimento do português, o que o impede de entender melhor o trabalho. Além disso, enviou ao brasileiro uma carta datada de 11/03/1928 na qual afirma estar seu trabalho de acordo com as expectativas, que, por sua vez, se baseiam nos estudos psicanalíticos recentes.

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Cartão a Arthur Ramos agradecendo a remessa de sua tese “Primitivo e Loucura” e desculpando-se por não dominar a língua portuguesa. Ano: 20/05/1927. [Acervo Manuscritos]

Os três cartões e a carta de Freud fazem parte do Arquivo Artur Ramos, composto por aproximadamente 4.600 documentos e que, por sua importância para as Ciências Sociais e áreas correlatas, recebeu o título de Memória do Mundo, conferido pela UNESCO em 2017. Podem ser consultados pelos links da BN Digital:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I35_29_1304.jpg

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297721/mss1297721.jpg

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297722/mss1297722.pdf

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297723/mss1297723.pdf

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FBN | Documentos Literários – Aniversário de Bocage

setembro 15, 2017

bocage

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, lembra o aniversário do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Natural de Setúbal (Portugal), onde nasceu a 15 de setembro de 1765, Bocage é muito conhecido por seus versos satíricos, que lhe valeram a alcunha de “Poeta Maldito”. Sua obra, no entanto, compreende várias outras vertentes, indo desde os poemas bucólicos, influenciados pelo Arcadismo, até a lírica pré-romântica, em que o poeta se destacou, principalmente, pelos sonetos. Neles se liberta da rigidez e do formalismo arcádico e dá voz ao eu poético, de forma, por vezes arrebatadora, tanto que é considerado um dos três maiores autores portugueses de sonetos, ao lado de Camões e Antero de Quental.

Bocage faleceu em Lisboa, a 21 de dezembro de 1805, vítima de aneurisma. Sua morte e, posteriormente, os centenários de morte e nascimento deram ensejo a muitas homenagens em Portugal e no Brasil. Em 1886, o periódico carioca “A Semana” publicou um número dedicado ao poeta, com vários artigos que tratam de sua biografia e comentam sua obra. A primeira página é ilustrada com uma xilogravura de Alfredo Pinheiro sobre desenho de Bento Barbosa, ambos colaboradores frequentes do periódico.

A edição especial pode ser consultada na Hemeroteca Digital através do link: http://memoria.bn.br/pdf/383422/per383422_1886_00104.pdf

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FBN | Documentos Literários – Álbum da Cidade do Rio de Janeiro

setembro 8, 2017

avenida rio branco

No âmbito das comemorações do aniversário da Independência do Brasil, apresentamos o Álbum da Cidade do Rio de Janeiro, publicado em 1922.

antiga estalagem

No início do século XX, o Rio de Janeiro, então capital federal, passou por um grande plano de urbanização, anunciado no discurso de posse de Rodrigues Alves como presidente da República, em 1902. As reformas se iniciaram durante o governo de Pereira Passos, prefeito do Rio entre 1902 e 1906. Foram mudanças estruturais, que abriram e alargaram avenidas e demoliram casarios inteiros – não foi à toa que a reforma ficou conhecida como “Bota Abaixo”.

biblioteca nacional

Nesse período, e nos anos subsequentes, a fotografia foi muito utilizada como forma de registro e como apoio na divulgação dos trabalhos que levavam a capital a assumir uma nova “cara”. Fotógrafos como Marc Ferrez e Augusto Malta foram contratados para documentar os novos prédios e avenidas e a forma como se integravam à paisagem natural, fortalecendo a imagem do Rio de Janeiro como Cidade Maravilhosa. Assim foram publicados importantes álbuns fotográficos, como “Avenida Central” (1906) e “Vues de Rio de Janeiro – Brèsil” (1910).

largo da carioca

O presente documento se intitula “Álbum da cidade do Rio de Janeiro em Comemoração do 1º Centenário da Independência do Brasil – 1822 – 1922”. É uma edição da Prefeitura do Distrito Federal, do qual era prefeito Carlos Sampaio (1920-1922). Segundo a pesquisadora Maria Pace Chiavari, esse álbum “se apresenta como o fechamento do amplo projeto urbano”, quando a cidade já havia passado por uma profunda transformação. Foi em 1922 que se pôs abaixo o Morro do Castelo, bem como se iniciou a Exposição Internacional do Centenário da Independência, que durou de setembro de 1922 até julho de 1923 e contou com vários pavilhões destinados a países estrangeiros.

panorama

A Biblioteca Nacional possui uma cópia do Álbum em sua Divisão de Iconografia, nele você encontra diversas outras fotografias da cidade do Rio de Janeiro, não deixe de conferir. A obra pode ser consultada pela BN Digital, acessando o link: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon325335/icon325335.pdf

#FBNnamidia #bibliotecanacional #fundacaobibliotecanacional

FBN | Documentos Literários – Tarzan: como desenhar

setembro 1, 2017

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Instructions to artists for Tarzan (1). [Acervo FBN]

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, presta uma homenagem ao escritor Edgar Rice Burroughs, criador de Tarzan e de John Carter.

Nascido em Chicago a 1 de setembro de 1875, Burroughs frequentou a Academia Militar em Michigan, mas não conseguiu ingressar na famosa Academia de West Point. Alistou-se na cavalaria, mas, algum tempo depois, descobriu um problema no coração e deixou a carreira militar, passando a trabalhar em pequenos empregos, inclusive numa fazenda.

Em 1911, casado, com dois filhos e ganhando um salário modesto, Burroughs começou a escrever ficção, e logo venderia seus primeiros contos para revistas pulp, como a All-Store Magazine. Foi nessa revista que, já em 1912, surgiu Tarzan, o personagem mais famoso do escritor.

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Instructions to artists for Tarzan (1). [Acervo FBN]

Edgar Rice Burroughs foi correspondente de guerra – estava em Honolulu durante o ataque dos japoneses a Pearl Harbor – e depois regressou aos Estados Unidos, onde morreria a 19 de março de 1950, de um ataque cardíaco. Durante sua vida escreveu por volta de setenta romances e muitos contos avulsos. Alguns desses trabalhos foram importantes, como a série John Carter, que teve grande influência sobre escritores de ficção científica; mas nenhum teve o alcance de Tarzan, popularizado em diversas mídias como cinema, televisão e quadrinhos, além dos próprios livros.

Os quadrinhos de Tarzan surgiram pela primeira vez em 1928 na revista inglesa Tit-Bits, desenhados por Hal Foster (de Príncipe Valente). Ao longo de décadas, foram publicados por vários editores, bem como em tiras de jornal. No Brasil, a primeira publicação aconteceu no Suplemento Juvenil, lançado em 1934 pelo pioneiro dos quadrinhos no país, Adolfo Aizen. Este, em 1945, fundaria a Editora Brasil-América Limitada, conhecida como EBAL. Ali também seriam publicados os quadrinhos de Tarzan, em vários formatos, até 1989. Foi o título mais duradouro da história da editora.

A Biblioteca Nacional recebeu uma importante parte da coleção da EBAL por meio de doação, nos anos 2000 e 2001.  Entre os documentos estão folhas impressas com imagens de Tarzan, para servir de modelo a futuros artistas. Estes são instruídos a desenhar o queixo do herói sempre quadrado, as mãos excepcionalmente grandes e fortes, com juntas bem pronunciadas (uma vez que Tarzan aprendeu a andar com os gorilas!) e o dedão do pé longo, entre vários outros detalhes. O material está acompanhado de carta da Distribuidora Record a Naumim, filho de Adolfo Aizen, com data de 1978.

SAMSUNG CSC

Instructions to artists for Tarzan (1). [Acervo FBN]

O original está na Divisão de Manuscritos, onde, a partir da próxima semana, haverá uma pequena mostra dos documentos da Coleção EBAL.

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FBN | Documentos Literários: Originais de Marques Rebelo encaminhados por Drummond

agosto 26, 2017

A Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, homenageia o conhecido autor Marques Rebelo no aniversário de sua morte.

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A casa das três rolinhas de Marques Rebêlo (1936). Página 1. [Acervo Divisão de Manuscritos]

Marques Rebelo é o pseudônimo de Eddy Dias da Cruz, que nasceu no Rio de Janeiro a 6 de janeiro de 1907 e passou sua infância em Minas Gerais. Sua família sofreu com a gripe espanhola, que grassou no Brasil em 1918 e 1919; mais tarde, isso se refletiu num dos seus contos mais conhecidos, “Vejo a Lua no Céu”, que seria transformado em telenovela em 1976. Leitor voraz, foi discípulo, na adolescência, do filólogo Mário Barreto, de quem adquiriu o gosto pelo estudo dos clássicos portugueses. Cursou três anos de Medicina, que abandonou para se dedicar à escrita e ao comércio. Mais tarde, voltou-se para o jornalismo e se bacharelou em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil.

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A casa das três rolinhas de Marques Rebêlo (1936). Página 2. [Acervo Divisão de Manuscritos]

Marques Rebelo é autor de vários romances, sendo os mais famosos “Marafa” (1935), com o qual, no mesmo ano, ganhou o Grande Prêmio de Romance Machado de Assis, e “A Estrela Sobe” (1939), levado ao cinema por Bruno Barreto, em 1974. A trilogia “O Espelho Partido”, publicada entre 1959 e 1968, é, contudo, considerada sua obra-prima, um exemplo de ficção autobiográfica com toques machadianos. O autor também escreveu contos, crônicas, biografias, livros didáticos e obras para crianças e jovens. O primeiro, publicado em 1937, foi “A Casa das Três Rolinhas”, em parceria com Arnaldo Tabayá, pseudônimo do médico Miguel Pereira da Motta, filho. Morto este no mesmo ano, o manuscrito original foi doado por Marques Rebelo à Biblioteca Nacional, onde o chefe de gabinete – Carlos Drummond de Andrade – o encaminhou ao diretor Rodolfo Garcia.

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A casa das três rolinhas de Marques Rebêlo (1936). Página 3. [Acervo Divisão de Manuscritos]

Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1964, agraciado em 1960 e 1963 com o Prêmio Jabuti (por dois volumes de sua trilogia “O Espelho Partido”), promotor de artistas plásticos e fundador de vários museus de artes no Brasil, Marques Rebelo faleceu a 26 de agosto de 1973. Os originais de “A Casa das Três Rolinhas” estão sob a guarda da Divisão de Manuscritos e podem ser consultados na íntegra pelo link da BN Digital: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_19_008A/mss_I_07_19_008A.pdf

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A casa das três rolinhas de Marques Rebêlo (1936). Página 131. [Acervo Divisão de Manuscritos]

FBN | Documentos Literários: Poema de Fabulista

agosto 18, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta “A Um Poeta”, de Anastácio Luiz do Bonsucesso, pertencente à Coleção Literatura.
Bonsucesso (Rio de Janeiro, 1833 – 1899) foi médico, professor, teatrólogo e poeta. É considerado um dos pioneiros do gênero fabulístico no Brasil, tendo lançado em 1858 a primeira edição de seu livro “Fábulas”, com duas centenas de narrativas de fundo moral. Várias eram dedicadas a figuras públicas (D. Pedro II, a Princesa Isabel, José do Patrocínio), a escritores que ele considerava seus precursores no gênero fábula e até a instituições como o Gabinete Português de Leitura. Segundo o pesquisador Ismael dos Santos (UFSC), suas narrativas tinham grande eloquência verbal, faziam muito uso de metáforas e reforçavam a religiosidade e a moral vigentes.

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Página 1 de “A um poeta” (1857), Anastácio Luís do Bonsucesso. [Acervo Divisão de Manuscritos]

O manuscrito da Coleção Literatura é um poema datado de maio de 1857 – antes, portanto, da publicação de “Fábulas” — e dedicado a José Alexandre Teixeira de Mello, médico, jornalista e escritor brasileiro que esteve à frente da Biblioteca Nacional entre 1895 e 1900. Curiosamente, uma anotação recomenda que o nome de Teixeira de Mello seja substituído pelo de Álvares de Azevedo. É provável que o original se destinasse a ser encaminhado a um editor para publicação, e que o autor desejasse fazer uma homenagem póstuma a Azevedo, falecido prematuramente em 1852.

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Página 3 de “A um poeta” (1857), Anastácio Luís do Bonsucesso. [Acervo Divisão de Manuscritos]

O original está na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado pelo link da BN Digital: http://objdigital.bn.br/…/mss_I_07_10_0…/mss_I_07_10_058.pdf

FBN | Documentos Literários: Licença Pastoril, espetáculo dedicado ao Príncipe D. José

agosto 11, 2017

A Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, vem apresentar um original proveniente da Real Biblioteca. Trata-se de um documento de vinte páginas, encaminhado ao então príncipe herdeiro de Portugal, D. José, pelo empresário e atores da Companhia Cômica Portugueza, ligada ao Teatro do Salitre.

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Página 2. Licença Pastoril. [Manuscrito]

O Teatro do Salitre foi um dos mais famosos teatros portugueses, construído por João Gomes Varela e inaugurado em 1782, com capacidade para 900 espectadores. Sediou uma grande diversidade de espetáculos — que incluíam peças de dramaturgia, bailado, ópera, mágica, teatro de fantoches, entre muitos outros gêneros –, e, justamente por isso, ficou conhecido também como “Teatro das Variedades Dramáticas” ou, simplesmente, “Teatro das Variedades”. Foi demolido em agosto de 1879, após quase cem anos em que se destacou, segundo o pesquisador José Leite, como “um dos mais carismáticos espaços teatrais de fins do século XVIII e durante quase todo o XIX”.

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Página 4. Licença Pastoril. [Manuscrito]

Este documento, datado de 1787 – apenas cinco anos após a inauguração do teatro — traz o texto de uma Licença Pastoril, nome atribuído a uma peça a ser recitada para o príncipe no dia do seu aniversário, 21 de agosto. Composta em versos, a peça tem um cenário bucólico, e seus personagens são pastores que, em meio a uma história de amor entre os jovens Albano e Isbela, cantam louvores ao príncipe e a Portugal, destacando seu domínio sobre terras de além-mar:

Prostre a seus pés/Do Tejo ao Ganges/Cruéis alfanjes/Do ímpio ao léu.

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Página 5. Licença Pastoril. [Manuscrito]

O Príncipe D. José morreu de varíola em 1788. Seu irmão, D. João, o sucedeu como herdeiro do trono português, veio para o Brasil em 1808 e trouxe a Licença Pastoril em meio a outros manuscritos da Real Biblioteca. Ele se encontra na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado através do link da BN Digital

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_20_010/mss_I_07_20_010.pdf

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