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Baixe o catálogo da mostra Virtude da Caridade, em cartaz na Biblioteca Nacional

março 21, 2012

Já saiu o catálogo da mostra sobre a Virtude da Caridade, que a Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional exibe até o dia 13 de abril. Ao pio leitor… A Virtude: Caridade é Amor abre a série de mostras que vão expor acervos sobre as Sete Virtudes, ao longo dos próximos meses, na Biblioteca Nacional.

Esta primeira Mostra revela parte da preciosa Coleção de Emblematas da Biblioteca Nacional, obras de caráter moral e pedagógico, estruturadas como manuais de conduta, fundamentadas na literatura clássica ou com abordagem religiosa. Ricamente ilustradas, as emblematas foram inspiradas nas mitologias, alcançando grande popularidade na Europa dos séculos XVI, XVII e XVIII.

Baixe aqui o catálogo da mostra

Leia também: Caridade é Amor: as Sete Virtudes ganham mostras na Biblioteca Nacional

Abaixo, detalhe de uma das obras em exibição, SYMBOLA et emblemata jussu atque auspiciis sacerrimae suae majestatis augustissimi ac serenissimi Imperatoris Moschoviae Magni Domini Czaris, et Magni Ducis Petri Alexeidis…, de 1705.

Os emblemas preconizam máximas sobre o amor:

– O Amor é eterno
– O Amor não dissimula
– O Amor reúne corações
– As brigas dos amantes renovam o Amor (verso de Terêncio, em Andria, 555)
– O Amor é o bom combate
– O Amor se constroi, pouco a pouco

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Caridade é Amor: as Sete Virtudes ganham mostras na Biblioteca Nacional

fevereiro 28, 2012

“Ao Pio Leitor… A Virtude: Caridade é Amor”: mostra de livros raros na Biblioteca Nacional – 27 de fevereiro a 13 de abril de 2012

A Virtude da Caridade, considerada o fundamento de todas as virtudes e também denominada Amor, é tema de mostra na Biblioteca Nacional.

Complementando a série de sete exposições sobre os Pecados Capitais (“Ao Pio Leitor… o Pecado!”) desenvolvida entre dezembro de 2006 e junho de 2008, a Divisão de Obras Raras da Fundação Biblioteca Nacional inaugura a primeira de uma série de mostras de livros raros sobre as Sete Virtudes.

Se o pecado sempre foi objeto do interesse e do cometimento humano e se, segundo Santo Agostinho, “o pecado torna os homens cúmplices uns dos outros”; a virtude, de acordo com Santo Tomás de Aquino, “é um hábito do bem”.

Se cada um dos Pecados está muito bem representado no acervo da Divisão de Obras Raras, em obras de múltiplos conteúdos, tanto literários quanto científicos, impressas desde o século XV; a busca pelas Virtudes é bem mais complexa, posto que o tema é recorrente e quase restrito ao universo da literatura religiosa e moralizante.

Assim como no caso dos Pecados, várias listas sobre as Virtudes surgiram desde a Antiguidade, com diversas ordenações atribuídas por filósofos e teólogos, assumindo terminologias como “dignidades” e “divinas perfeições”. Dessas listas, predominaram as classificações das quatro Virtudes Cardeais (Prudência, Fortaleza, Temperança e Justiça) – consideradas fundamentais, porque orientam a conduta a partir da disciplina dos desejos; e das três Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade)  – dons próprios da relação com Deus.

No entanto, uma lista de sete virtudes foi organizada em oposição aos sete pecados capitais por Prudêncio, em seu poema épico Psychomachia, onde estabeleceu uma batalha entre as virtudes e os vícios, obtendo grande popularidade na Idade Média – e esta é a lista eleita para orientar cada segmento de exposição de livros raros:

1 Humildade (x Orgulho),
2 Caridade/Amor (x Inveja),
3 Mansidão (x Ira),
4 Diligência (x Preguiça),
5 Generosidade (x Avareza),
6 Temperança (x Gula), e
7 Castidade (x Luxúria)

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Em seqüência livre, a Divisão de Obras Raras abrirá a série com a Virtude da Caridade – considerada o fundamento de todas as virtudes e também denominada Amor – o “amor a Deus, por amor dele e ao próximo por amor de Deus”, o amor que se doa sem esperar nada em troca e que, mesmo assim, permanece como “um nunca contentar-se de contente” e “um cuidar que se ganha em se perder”. Essa abordagem, bastante popularizada pelo grupo Legião Urbana na letra de Monte Castelo e eternizada no Soneto 81 das Rimas de Camões, foi consagrada por São Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade [amor…], não sou nada” (I Cor, 13, 1-2).

O emblema da Virtude, na obra Theatro moral de la vida humana, de Otto Van Veen (1701)

A imagem de abertura da série é o emblema da Virtude, com a Fortuna (sorte, destino) a seus pés, menosprezando as honras, as dignidades e as riquezas humanas, como indignas de sua majestosa generosidade. A Virtude está cercada por suas mais nobres espécies, que são a Piedade, a Justiça, a Prudência, a Fortaleza, a Magnanimidade e a Temperança – todas sob o ícone do Amor. A imagem, gravada em metal, compõe a obra Theatro moral de la vida humana, de Otto Van Veen, publicada em Anvers, 1701, um dos mais famosos livros de emblemas de todos os tempos.

Esta primeira Mostra revelará parte da preciosa Coleção de Emblematas da Biblioteca Nacional. As Emblematas são obras de caráter moral e pedagógico, estruturadas como manuais de conduta, fundamentadas na literatura clássica ou com abordagem religiosa – os autores de emblematas são, em geral, católicos, luteranos ou puritanos. Ricamente ilustradas, as emblematas foram inspiradas nas mitologias, alcançando grande popularidade na Europa dos séculos XVI, XVII e XVIII.

“Ao Pio Leitor… A Virtude: Caridade é Amor”: mostra de livros raros
27/02 a 13/04, na Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional
Avenida Rio Branco, 219, 3º andar – Centro, Rio de Janeiro – RJ
De segunda a sexta, das 10h às 16h
Entrada Franca

Texto de Ana Virginia Pinheiro, bibliotecária chefe da Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional