Posts Tagged ‘Divisão de Manuscritos’

FBN | Homenagem – 26 de junho de 1826, nasceu Francisco Otaviano

junho 26, 2017
Foto: ABL

Foto: ABL

Francisco Otaviano de Almeida Rosa, nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1826, onde faleceu 28 de junho de 1889. Advogado, jornalista, político, diplomata e poeta é o patrono da cadeira nº 13 da Academia Brasileira de Letras por escolha do fundador Visconde de Taunay.

Começou os estudos no colégio do professor Manuel Maria Cabral e a partir daí passou a dedicar-se ao estudo das línguas, história, geografia e filosofia. Formou-se em Direitos no ano de 1845 em São Paulo e ingressou na vida profissional atuando como advogado e jornalista. Na carreira política foi  deputado geral (1852) e senador (1867). Como jornalista, atuou nas campanhas do Partido Liberal e participou da elaboração da Lei do Ventre Livre.

Uma de suas frustrações era a constatação de que apesar de gostar de poesia, desviou-se dela voltando esforços para o mundo da política. “Sua obra poética representa uma espécie de inspiração do homem médio, mas não banal, o que lhe dá, do ponto de vista psicológico, uma comunicabilidade aumentada pela transparência do verso, leve e corredio. Em torno do eixo central de sua personalidade literária se organizam as tendências comuns do tempo, num verso quase sempre harmonioso e bem cuidado… Ficou para sempre inscrito entre os nossos poetas da fase romântica, como autor de duas ou três peças antológicas, mesmo que não tenha exercido a literatura com paixão, e o patriota que foi dá-lhe lugar entre os grandes vultos brasileiros do século XIX.” (fonte: ABL)

A divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional guarda dois tesouros escritos por Francisco Otaviano:

Flor da campa [18–]:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_13_022/mss_I_07_13_022.pdf

A filha da albergueira [1867]

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_13_021/mss_I_07_13_021.pdf

 

 

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FBN | Série de Documentos Literários – Dois bilhetes de Giuseppe Garibaldi

junho 2, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta dois documentos assinados por Giuseppe Garibaldi (4 de julho de 1807 – 2 de junho de 1882), na ocasião do aniversário de sua morte.

Conhecido por seu papel na unificação da Itália, Garibaldi, curiosamente, nasceu em território pertencente à França: a região de Nice, que, na época, fazia parte do departamento francês dos Alpes Marítimos (pertenceu ao reino da Sardenha entre 1815 e 1860). Foi o segundo dos seis filhos de Domenico Garibaldi e Rosa Raimondi, que desejavam vê-lo seguir carreira acadêmica. Giuseppe, porém, preferia a vida ao ar livre e se tornou marinheiro, chegando a capitão da Marinha Mercante. Em 1833, entrou em contato com a sociedade secreta Jovem Itália, cujo objetivo era lutar pela unificação italiana; essa foi a maior das causas às quais Garibaldi passaria a dedicar sua vida.

Após uma fracassada insurreição da Sociedade Carbonária, Garibaldi se exilou no Rio de Janeiro. Lá travou contato com Luigi Rossetti, também ligado à Jovem Itália, com o qual viajou para o sul do país e se envolveu com a Revolução dos Farrapos, tornando-se comandante das operações por mar até a destruição da marinha farroupilha em Laguna (1839). Ali, Giuseppe conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, que se tornou sua companheira e passou à História com o nome de Anita Garibaldi (1821 – 1849). Ainda lutou no Uruguai antes de regressar à Itália, onde voltou a se envolver com as guerras da unificação e acabou por ser novamente exilado.

Garibaldi viajou pelo Pacífico e residiu nos Estados Unidos
antes de voltar à Europa. Foi marinheiro por algum tempo, depois se dedicou à agricultura; por fim, voltou ao cenário da guerra, da qual participou de forma intermitente durante as décadas seguintes. Lutou ainda pela França na guerra contra a Prússia e, já idoso, fundou a Liga da Democracia (1879). Morreu pacificamente em sua casa na ilha de Caprera, onde residia com a segunda esposa, Francesca Armosino. Por sua dedicação a tantas causas, não apenas na Itália mas em outros países, recebeu a alcunha de “Herói de Dois Mundos”.

A Biblioteca Nacional possui alguns documentos assinados por Garibaldi. Apresentamos dois deles, ambos datados do ano 1860. O primeiro é um salvo-conduto fornecido a Jean-Baptiste Henri Durand-Brager (1814-1879), pintor oficial da Marinha francesa. No prefácio de seu livro “Quatro meses da expedição de Garibaldi na Sicília e na Itália” (1861), Durand-Brager afirma ter conhecido o revolucionário no (rio da) Prata, uma das muitas partes do mundo que visitou e retratou em seus quadros. A obra narra uma parte da campanha de Garibaldi como comandante da chamada “Expedição dos Mil”, um episódio do movimento de unificação da Itália, que Durand-Brager diz ter presenciado e durante o qual, possivelmente, foi assinado o salvo-conduto.

O segundo documento também diz respeito a um pintor: o britânico Frank Vizetelly (1830-1883). Correspondente de guerra para “The Illustrated London News”, o primeiro jornal ilustrado do mundo, ele foi um dos maiores promotores da figura de Garibaldi, que retratou em diversos momentos e a quem se referia como um grande herói, “que faz e desfaz reis, um ousado revolucionário” (citação do livro “Garibaldi: invention of a hero” de Lucy Riall). Os dois se encontraram com certa frequência, como afirma o documento a que aludimos: um bilhete, em francês, no qual Garibaldi agradece a Vizetelly por sua presença amigável e pelo interesse na causa de seu país.

Ambos os documentos integram a Coleção José Carlos Rodrigues, que está sob a guarda da Divisão de Manuscritos.

FBN | Série Documentos Literários – A Divina Comédia ilustrada por Amos Nattini

maio 21, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta uma das mais belas edições de “A Divina Comédia” existentes no acervo da Biblioteca Nacional.

Universalmente conhecido, Dante Alighieri (Florença, 1265 – Ravena, 1321) é tido como o primeiro poeta a escrever em italiano, quando o latim ainda era a língua mais utilizada na ciência e na literatura europeias. Dedicou-se desde jovem ao estudo da poesia, da filosofia e da teologia, participando das discussões entre místicos e escolásticos. Também teve uma breve carreira militar e participou da vida política, integrando o governo de Florença entre 1295 e 1300. No ano seguinte, em meio à disputa partidária entre os guelfos (que defendiam o papado) e os gibelinos (defensores do Sacro Império Romano-Germânico), deixou Florença, num exílio que acabaria se tornando perpétuo.

Durante o exílio, Dante escreveu seu genial poema épico-teológico, “A Divina Comédia”, repleto de alegorias e dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. O idioma original é o toscano, que acabou por se constituir na base da língua italiana “oficial” graças sobretudo ao alcance das obras de Dante e de outros escritores como Petrarca, Boccaccio e Maquiavel.

A primeira edição impressa de “A Divina Comédia” apareceu em Foligno, Itália, em 1472. No mesmo ano surgiriam outras duas, em Veneza e em Mântua. Desde então multiplicaram-se as edições em vários idiomas e países, muitas das quais ricamente ilustradas, com destaque para a de Gustave Doré (1868), pela editora francesa Hachette.

Em 1915, faltando poucos anos para o sexto centenário da morte de Dante, o pintor italiano Amos Nattini (Gênova, 1892 – Parma, 1985) trouxe à luz as primeiras pranchas com que ilustraria cada um dos cem cantos de “A Divina Comédia”. Os originais foram exibidos em várias cidades italianas e, mais tarde, reunidos numa luxuosa obra em três volumes, que saiu pelo Istituto Nazionale Dantesco, em edição numerada, entre os anos 1931 e 1948. Segundo críticos de arte, o trabalho de Nattini reinterpreta o poema de Dante à luz do momento histórico vivido pela Itália, que se debatia sob o fascismo e passava pelos rigores da guerra – e reafirma o poder da arte e da literatura perante a tirania e a opressão.

A Biblioteca Nacional possui um exemplar da obra em três volumes, que está sob a guarda da Divisão de Iconografia e disponível na Biblioteca Digital através dos links:

Inferno:

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1466282/icon1466282.pd

Purgatório:

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon40538/icon40538.pdf

Paraíso

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon40539/icon40539.pdf

Veja, também, o retrato de Dante a bico de pena por Henrique Goldschmidt, 1867-1952

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1466285/icon1466285.jpg

#FBN #BN #ADivinaComédia #Dante #BibliotecaNacional

FBN | Antonio Candido – Homenagem

maio 12, 2017
A Fundação Biblioteca Nacional expressa seu pesar pela morte de Antonio Candido, aos 98 anos de idade, na manhã de hoje. O sociólogo, ensaísta e professor universitário foi um vulto importantíssimo no panorama cultural brasileiro, autor de extensa obra nos campos da Literatura e das Ciências Sociais. Muito ativo no campo da política, militou no Partido Socialista Brasileiro e ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Foi também colaborador dos jornais “Folha da Manhã” e “Diário de São Paulo”.
Antonio Candido recebeu vários prêmios por seus trabalhos de crítica e análise literária, entre eles o Jabuti, o Camões e o Machado de Assis. Em 1996 foi agraciado com o Prêmio Anísio Teixeira, concedido a trabalhos na área de Educação. Dentre suas obras destacam-se o conjunto de artigos “Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária” (1965) e “Formação da literatura brasileira” (1975), entre muitas outras.
A Biblioteca Nacional possui em seu acervo de Obras Gerais os livros de Antonio Candido, recebidos através do Depósito Legal. A Divisão de Manuscritos possui uma carta escrita por Antonio Candido ao jornalista Alberto Dines, na qual discorre sobre a importância da obra do escritor austríaco Stefen Zweig. A carta pertence à Coleção Alberto Dines, doada pelo titular.

FBN | 11 de abril de 1882: morre Joaquim Manuel de Macedo

abril 11, 2017
fonte: ABL

Foto: ABL

Joaquim Manuel de Macedo  nasceu em 24 de junho de 1820, e faleceu em 11 de abril de 1882. Foi jornalista, professor, romancista, poeta, teatrólogo e memorialista. É o patrono da cadeira nº 20 na Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Salvador de Mendonça.

Em 1844 formou-se em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro,  mesmo ano em que publicou  A Moreninha. Em 1849, junto com Araújo Porto-Alegre e Gonçalves Dias fundou a revista Guanabara. Abandonou a Medicina e foi professor de História e Geografia do Brasil no Colégio Pedro II e lecionou  para filhos da princesa Isabel. Foi deputado provincial (1850, 1853, 1854-59) e deputado geral (1864-68 e 1873-81) além de membro do Instituto Histórico (1845) e do Conselho Diretor da Instrução Pública da Corte (1866). (fonte: ABL)

A Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional possui alguns documentos assinados por Joaquim Manuel de Macedo. Dentre eles se encontram duas cartas endereçadas a frei Camilo de Monserrate, o qual, assim como ele, era professor do Colégio Pedro II, e a quem envia anotações sobre alguns pontos de Geografia e História Antiga, ministrados no ano anterior. As cartas pertencem à Coleção Camilo de Monserrate, que, em 1853, se tornou diretor da Biblioteca Nacional.

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Suas obras:

Considerações sobre a nostalgia, 1844.
Discurso que na augusta presença de S. M. Imperial, na ocasião de tomar o grau de em medicina recitou Joaquim Manuel de Macedo, 1844.
A Moreninha, 1844.
O moço louro, 1845.
Os dois amores, 1848.
O cego, 1849.
Rosa, 1849.
Cobé, 1854.
Vicentina, 1854.
O forasteiro, 1855.
A carteira de meu tio, 1855.
Memórias do sobrinho do meu tio, 2 vols, 1867-1868.
O fantasma branco, ópera, 1856.
A nebulosa, 1857.
O primo da Califórnia, 1858.
Amor e pátria, 1859
O sacrifício de Isaac, 1859
Luxo e vaidade, 1860
Lições de História do Brasil, 1851
Os romances da semana, 1861
Cântico, 1862.
Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro, 2 vols, 1862-1863.
Lusbela, 1863.
O novo Otelo, 1863.
Teatro, 1863.
A torre em concurso, 1863.
Questão Janrard, 1864.
O culto do dever, 1865.
Mazelas da atualidade, 1867.
A luneta mágica, 1869.
Nina, 1869.
O Rio do quarto, 1869.
As vítimas-algozes, 1869.
As mulheres de mantilha, 1870.
A namoradeira, 1870.
Remissão de pecados, 1870.
Um noivo, duas noivas, 1871.
Os quatro pontos cardeais, 1872.
Misteriosa, 1872.
Cincinato quebra-louça, 1873.
Noções de Corografia do Brasil, 1873.
A baronesa do amor, 1876.
Ano biográfico brasileiro, 3 vols. 1876-1880.
Vingança por vingança, 1877.
Memórias da Rua do Ouvidor, 1878.
Mulheres célebres, 1878.
Antonica da Silva, 1880.

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FBN | Madame Durocher (1809-1893)

março 18, 2017

No mês de março, dedicado à luta das mulheres por igualdade de condições, a Divisão de Manuscritos abriga a mostra “Mulheres e sociedade: opressão e resistência”. Entre os documentos destaca-se um diagnóstico de Madame Durocher, precursora da presença feminina na Medicina brasileira.

Nascida Marie Josephine Mathilde Durocher, em Paris, Madame Durocher, como se tornou conhecida à época, chegou ao país em agosto de 1816, com apenas sete anos de idade. Veio acompanhada da mãe, Anne Durocher, responsável por abrir uma loja de fazendas francesas na Rua dos Ourives, a qual, ao contrário das outras, conservava-se aberta durante a noite. Madame Durocher trabalhou como caixeira na loja até o falecimento da mãe, em 1829, e se manteve à frente do negócio até a sua falência, em  1832.

Viúva e mãe de dois filhos, Madame Durocher decidiu, então, tornar-se parteira. Em texto denominado “Deve ou não haver parteiras?”, escrito para os Annaes Brasilienses de Medicina (disponível na Hemeroteca Digital Brasileira), afirmou que o medo de tamanha responsabilidade profissional “foi sobrepujado pela garantia de um futuro para meus filhos, e pela esperança de poder sempre sustentar-me na altura da posição que ia tomar” (1871, p. 299).

O contexto da formação médica no Brasil também passava por mudanças significativas no período. A Fisicatura-mor, órgão de controle dos agentes de cura — como parteiras, sangradores, boticários, entre outros –, havia sido extinta em 1828. A elite médica e acadêmica, portanto, passou a requisitar alguma nova forma de supervisão ao exercício da Medicina. Por isso, em 1832 foi criada uma lei que instituiu o ensino superior para a formação médica. Ele era dividido em três áreas: Medicina, Farmácia e Partos.

No ano seguinte à sanção da lei, a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro abriu seu primeiro curso de Parteiras. Na inscrição era necessário comprovar o conhecimento da leitura e da escrita, o que dificultava o acesso a muitas mulheres que partejavam, uma vez que escolas públicas para meninas foram criadas apenas a partir de 1827.

Até o final do século XIX, partejar era uma atividade quase exclusivamente praticada por mulheres. Madame Durocher, no entanto, instruída pela mãe e por colégios ingleses e holandeses particulares, naturalizada brasileira, foi a primeira e única mulher a matricular-se no curso de Parteiras da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1834.

Para exercer a profissão, ela adotou um estilo de vestimenta considerado masculinizado na época: saia longa, gravata borboleta, sobrecasaca e meia-cartola de seda preta. O objetivo era ser mais bem vista na sociedade, pois a educação acadêmica em Medicina era um campo dominado por homens. Durocher julgava, portanto, que as vestes mais masculinas transmitiam maior confiança às suas próprias pacientes, além de lhe permitir sair à noite sozinha para atender a trabalhos de parto sem ser vista como prostituta.

Durocher atendia em vários bairros do Rio de Janeiro, a mulheres livres ou escravas. Em 1866, seu nome e prestígio eram tão conceituados que foi nomeada oficial de partos da Casa Imperial. Atendeu ao nascimento de Princesa Leopoldina (1847-1871), filha de D. Pedro II (1825-1891), e, além de realizar partos, também examinava amas-de-leite, dava pareceres em exames legais e de virgindade, cuidava de eclâmpsias e hemorragias e praticava reanimação de recém-nascidos.

Em 1871, foi a primeira mulher a ser admitida como membro da Academia Imperial de Medicina, e a única parteira. Lá, Madame Durocher participou de decisões de políticas públicas de saúde, avaliação de medicamentos e comissões. Também foi a primeira mulher a assinar textos científicos na área de medicina no Brasil, publicados na revista da Academia Imperial de Medicina. Seu ensaio de 1887, “Considerações sobre a clínica obstétrica”, é considerado por pesquisadores o estudo mais completo sobre obstetrícia no Brasil no século XIX. A Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional possui uma versão encadernada do texto, com dedicatória ao Imperador, pertencente à coleção de sua esposa, Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias (1822-1889).

Ao longo de sessenta anos, Madame Durocher realizou mais de cinco mil partos até falecer, em dezembro de 1893, no Rio de Janeiro. Em 1909, a Academia Nacional de Medicina instituiu o Prêmio Madame Durocher, oferecido a trabalhos de excelência em obstetrícia e ginecologia.

O documento de Durocher que integra a mostra da Divisão de Manuscritos é um diagnóstico em que a parteira avalia a possibilidade de aborto natural de uma paciente. Nele afirma que “o orifício inteiramente feichado (sic) não indica disposição a aborto”. A fim de não correr riscos, porém, receita malva e cabeças de dormideira, bem como fumentação – ou seja, massagem com unguento — para o caso de dores. Ao final, assina como “Mm. Durocher”. A Divisão de Manuscritos possui um segundo documento autógrafo de Madame Durocher, sobre tratamento de parturiente com febre.

FBN | Série Documentos Literários – “Opusculo Humanitario” de Nísia Floresta

março 17, 2017

No mês de março, dedicado à luta das mulheres pela igualdade de direitos, a Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, traz uma obra de Nísia Floresta, precursora do feminismo no Brasil.

 
Dionísia Gonçalves Pinto nasceu em 1810 em Papari, RN (que hoje tem o nome de Nísia Floresta em sua homenagem). Filha de português e brasileira, viveu em Recife, onde publicou seus primeiros artigos no jornal “Espelho das brasileiras”, e em Porto Alegre, onde se tornou amiga de Anita e Giuseppe Garibaldi. Com a eclosão da Revolução Farroupilha, Dionísia, viúva do segundo casamento, se mudou para o Rio de Janeiro, onde fundou o Colégio Augusto, na Rua do Paço Imperial. O nome da escola homenageava o falecido marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, e também seria incorporado ao pseudônimo usado pela autora: Nísia Floresta Brasileira Augusta.
 
Fundado em 1838, o Colégio Augusto era dedicado à educação de meninas, oferecendo disciplinas até então reservadas apenas aos estudantes do sexo masculino, tais como as Ciências, o Latim, a História e a Educação Física. Nísia foi, por isso, duramente criticada, inclusive por meio de jornais de ampla circulação na Corte:
 
“Trabalhos de língua não faltaram, os de agulha ficaram no escuro. Os maridos precisam de mulher que trabalhe mais e fale menos”. (“O Mercantil”, 2 de janeiro de 1847)
 
Não obstante a campanha difamatória e as várias polêmicas em que se viu envolvida, Nísia Floresta não abandonou sua luta pela educação feminina, quer no colégio, que funcionou durante 17 anos, quer em seus escritos e discursos. Foi autora de vários artigos, ensaios, poemas, novelas e relatos de viagem. Seus trabalhos mais conhecidos são “Direitos das mulheres e injustiças dos homens” (1832) — tradução livre de “Vindications of the rights of woman”, da inglesa Mary Wollstonecraft, na qual Nísia Floresta reflete sobre a ideologia exposta pela feminista inglesa, adaptando-a à realidade da sociedade patriarcal brasileira –; “Conselhos à minha filha” (1842), escrito como presente de aniversário para sua filha Lívia Augusta; e “Opúsculo humanitário”, coletânea de 62 artigos sobre a educação e a condição feminina desde a Antiguidade, publicada em 1853.
 
A partir de 1849, Nísia Floresta viveu na Europa, principalmente em Paris, com breves períodos de retorno ao Brasil. No exterior, onde encontrou mais receptividade para suas ideias, continuou a escrever e a se manifestar a favor da emancipação feminina, além de outras causas como a abolição da escravatura e o direito dos índios à sua identidade. Manteve intensa correspondência com o fundador do Positivismo, Auguste Comte, que fez apreciações elogiosas a seu trabalho. Faleceu de pneumonia em Rouen, na França, em 1885, quando, segundo sua biógrafa Constância Duarte (“Nísia Floresta, vida e obra”, 1995), os norte-rio-grandenses ainda se diziam envergonhados de ser conterrâneos de uma mulher tida como indecorosa e transgressora.
 
A Divisão de Obras Gerais da Biblioteca Nacional possui um exemplar de “Opúsculo Humanitário”, que pode ser consultado no link da BN Digital:

FBN | 20 de fevereiro 1567: morre Estácio de Sá

fevereiro 20, 2017

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Nascido em Portugal, Estácio de Sá foi um explorador português conhecido por fundar a cidade do Rio de Janeiro e por ter expulsado os franceses da Baía de Guanabara.

 
No dia 22 de novembro de 1559, Estácio de Sá foi nomeado capitão da galé “Conceição”, com o soldo mensal de 2 mil réis, mais 500 réis de mantimentos. A nomeação foi assinada por seu tio Mem de Sá, Governador Geral das Capitanias do Brasil, que a justificou com o fato de confiar “na bondade e na habilidade de Estácio de Sá, que em tudo o que o encarregar do serviço de Sua Alteza, o servirá bem, e fielmente”.

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O documento, assim como muitos outros relativos aos primeiros tempos de colonização do Brasil, foi transcrito nos volumes da Coleção Documentos Históricos da Biblioteca Nacional.
 
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FBN | Documentos Literários – A Inundação do Parahyba em 1841 : Poemeto Heroico

fevereiro 10, 2017

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta o poemeto “A Inundação do Parahyba em 1841”, de Francisco José Moreira Ribeirão.

Segundo o “Diccionario Bibliographico Brazileiro”, de Sacramento Blake, o autor nasceu em 1815 na cidade de Campos, RJ, e veio bem pequeno para a capital. Seu pai o destinava ao trabalho no comércio, mas, em vista de seu filho demonstrar pendores literários, decidiu que deveria se tornar padre. Francisco não concordou, pelo que teve a mesada suspensa. Com a morte do pai, pouco tempo depois, ele regressou a Campos, onde se casou e trabalhou como solicitador, vindo a falecer a 26 de junho de 1885.

 

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Além de “A Innundação do Parahyba”, que afirma ser um “poemeto heroico”, o autor publicou as “Notas biographicas de frei Rodrigo de S. José Pereira” e alguns poemas no jornal “O Monitor Campista”. Sobre o primeiro título, Sacramento Blake afirma ter sido publicado em 1833, quando o autor contava apenas 18 anos; o impresso, porém, traz a data 1842, sendo que a inundação teria ocorrido em 1841.

O livreto, impresso em Campos, se inicia com um soneto escrito por Francisco aos dezesseis anos de idade. Na última página, uma informação curiosa: até 1842, mesmo ano de publicação do impresso, o autor se assinava “Francisco José Dias Moreira” e não “Francisco José Moreira Ribeirão”, conforme anunciou n´ “O Monitor Campista”.

O poemeto heroico está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e pode ser consultado acessando o link: http://objdigital.bn.br/…/mss_I_07_…/mss_I_07_13_010_001.pdf

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