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FBN | Documentos Literários – Carta de Machado de Assis ao autor da Lei do Ventre Livre

setembro 28, 2017

Por ocasião do aniversário da promulgação da Lei do Ventre Livre, a Série Documentos Literários apresenta uma carta de Machado de Assis ao visconde do Rio Branco, na qual se refere à data como “gloriosa”.

A Lei do Ventre Livre foi uma das medidas consideradas “transitórias” entre o regime escravagista e o regime de trabalho livre. O projeto foi apresentado na Câmara de Deputados em maio de 1871 por José Maria da Silva Paranhos, o visconde do Rio Branco (1819 – 1880), que, segundo o historiador José Murilo de Carvalho, teve de usar de muita energia e habilidade para vencer a oposição tanto de liberais quanto de conservadores. Por fim, a lei foi aprovada em 27 de setembro e assinada no dia seguinte pela Princesa Isabel, ficando conhecida como “Lei Rio Branco”. Na maioria dos casos, foi ineficaz, pois as crianças nascidas de escravas continuaram sob a tutela dos senhores, mas serviu para promover debates e contribuir para o processo que culminou com a assinatura da Lei Áurea em 1888 – uma lei também imperfeita, mas que representou pelo menos um passo na longa caminhada rumo a uma sociedade mais igualitária.

Negro, descendente de escravos, Machado de Assis (1839 – 1908) recebeu críticas por se manter alheio à questão da abolição. No entanto, crônicas escritas desde 1870 e publicadas nos jornais da época, bem como trechos de ficção — em especial os contos “O Caso da Vara” e “Pai Contra Mãe” –, mostram claramente suas críticas ao regime e à sociedade que o instituiu.

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José Maria da Silva Paranhos: Visconde do Rio Branco, Deputado, Senador, Ministro, Diplomata, Conselheiro de Estado, Parlamentar distincto. [Acervo Iconográfico]

Nesta carta, datada de 1876, o escritor parabeniza o visconde de Rio Branco pela lei que iniciou e defendeu um serviço que, segundo ele, já se tornara patrimônio comum. A carta está na Divisão de Manuscritos e pode ser consultada através do link: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I32_36_025.pdf

Uma gravura representando Rio Branco está no acervo da Divisão de Iconografia: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon95726_1396400/icon1387669.html

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FBN | Documentos Literários – Cartões de Sigmund Freud para Artur Ramos

setembro 23, 2017

No aniversário da morte de Sigmund Freud, a Série Documentos Literários apresenta alguns cartões enviados pelo médico e psicanalista a Artur Ramos.

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Carta a Arthur Ramos dizendo que os resultados, aos quais ele chegou, estão em conformidade com os trabalhos psicanalíticos até agora conhecidos. Data: 11/03/1928. [Acervo Manuscritos]

Médico, etnólogo e professor, Artur Ramos (Alagoas, 07/07/1903 – Paris, 31/10/1949) foi colega de Nise da Silveira na Faculdade de Medicina da Bahia, e, como ela, dedicou-se à psiquiatria e à psicanálise. Entre seus muitos correspondentes está Sigmund Freud (Freiburg im Mähren, 06/05/1856 – Londres, 23/09/1938), a quem enviou alguns trabalhos, tais como sua tese de formatura “Primitivo e Loucura”, em que estuda o fenômeno da loucura através de um diálogo entre a psicanálise e a antropologia. Freud agradece em um cartão datado de 20/05/1927, no qual, escrevendo em inglês, lamenta não ter podido usufruir do trabalho por não conhecer o idioma de Ramos.  “Mas estou certo de que você adquiriu o domínio do assunto”, conclui, delicadamente.

Freud endereçou dois outros cartões a Ramos, em alemão, sempre agradecendo o envio de material. Num deles, volta a lamentar sua falta do conhecimento do português, o que o impede de entender melhor o trabalho. Além disso, enviou ao brasileiro uma carta datada de 11/03/1928 na qual afirma estar seu trabalho de acordo com as expectativas, que, por sua vez, se baseiam nos estudos psicanalíticos recentes.

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Cartão a Arthur Ramos agradecendo a remessa de sua tese “Primitivo e Loucura” e desculpando-se por não dominar a língua portuguesa. Ano: 20/05/1927. [Acervo Manuscritos]

Os três cartões e a carta de Freud fazem parte do Arquivo Artur Ramos, composto por aproximadamente 4.600 documentos e que, por sua importância para as Ciências Sociais e áreas correlatas, recebeu o título de Memória do Mundo, conferido pela UNESCO em 2017. Podem ser consultados pelos links da BN Digital:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I35_29_1304.jpg

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297721/mss1297721.jpg

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297722/mss1297722.pdf

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297723/mss1297723.pdf

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FBN | 13 de setembro – Dia Nacional da Cachaça

setembro 13, 2017

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Rótulo. Cachaça Fina: especialidade da Casa Camarinha. 19? [Acervo Iconográfico]

Hoje, dia 13 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Cachaça.

Além de ser uma das bebidas mais populares do Brasil, ela também movimenta o turismo em algumas regiões do País. Obtida com a destilação do caldo de cana-de-açúcar fermentado, o produto é considerado patrimônio histórico e cultural. O Nordeste e alguns Estados do Sudeste são fortes na produção da bebida.

As expressões “cachaça”, “Brasil” e “cachaça do Brasil” são protegidas por lei. O uso desses termos é restrito aos produtores estabelecidos no País, ou seja, qualquer outra aguardente de cana-de-açúcar produzida fora do território brasileiro não pode levar o nome de “cachaça”. (Fontes: Portal Brasil e Planalto)

Em homenagem à comemoração, a Biblioteca Nacional divulga a disponibilidade, para consulta e download, do manuscrito mais antigo presente na BNDigital relacionado à cachaça. O documento é de 1º de agosto de 1808 e se refere à arrematação do subsídio das cachaças. Você pode acessá-lo através do endereço: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1436001_1448077/mss1444064.pdf

Além disso, também é divulgada a disponibilidade, para consulta e download, de um rótulo intitulado: Cachaça fina: especialidade da Casa Camarinha. Você pode acessá-lo através do link: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1501157/icon1501157.html

Pesquise mais sobre a cachaça em nosso Acervo Digital:  http://bndigital.bn.gov.br/acervodigital

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Mostra: EBAL (Editora Brasil-América Limitada)

setembro 11, 2017

A exposição sobre a EBAL, realizada pela Divisão de Manuscritos, ficará disponível até o fim do mês de outubro, no próprio setor (3º andar da Biblioteca Nacional). Esta pequena mostra reúne alguns documentos significativos e presta uma homenagem a Adolfo Aizen, que, em artigos e entrevistas, sempre defendeu a importância dos quadrinhos para a aquisição do prazer da leitura. Conheça um pouco mais nos visitando de segunda a sexta das 10 às 18h!

A EBAL – sigla pela qual ficou conhecida a Editora Brasil-América Limitada – foi uma das mais importantes editoras de quadrinhos do Brasil. Seu fundador foi Adolfo Aizen (Ekarerinoslav, Rússia, 1907 – Rio de Janeiro, 1945), que já tinha experiência à frente de editoras desde os anos 1930.

Em 1945, tendo como parceira a argentina Editorial Abril, Aizen fundou a EBAL, cujo primeiro título, Seleções Coloridas, teve apenas 17 edições. As revistas, impressas na Argentina, traziam histórias de personagens da Disney — incluindo as primeiras desenhadas por Carl Barks – e, a partir do n. 11, de personagens de outras empresas licenciadas pela Abril.

O primeiro título publicado pela EBAL sem a editora argentina foi a revista O Heroi, focado em histórias de aventura. Em novembro de 1947 foi lançado Superman, o título mais duradouro da editora com um único herói, publicado até 1983. Através da EBAL chegaram ao Brasil as publicações da Marvel e, mais tarde, da DC Comics. Além de traduzir os trabalhos de artistas estrangeiros, entre os quais Alex Raymond (Flash Gordon), Lee Falk (Fantasma) e Hal Foster (Príncipe Valente), a editora publicou nacionais, incluindo super-heróis como O Judoka (criado por Pedro Anísio e Eduardo Baron; durou 52 edições), versões quadrinizadas de clássicos da literatura e de episódios da história do Brasil.

Durante as décadas 1950-60, a EBAL liderou a publicação de quadrinhos no Brasil. Chegou a ter 50 títulos diferentes nas bancas e tiragens de 150 mil exemplares. Nos anos 1970, porém, acompanhando a queda na venda de quadrinhos em todo o mundo, iniciou-se um declínio que culminaria com a morte de Adolfo Aizen. A última publicação foi uma edição do Príncipe Valente, em 1995.

Nos anos 2000-2001, a Coleção EBAL foi doada à Biblioteca Nacional pelo filho de Adolfo Aizen, Naumim. O acervo foi distribuído entre as Divisões de Periódicos, Iconografia e Manuscritos.

 

FBN | 6 de setembro de 1918: morre Inglês de Sousa

setembro 6, 2017

Herculano Marcos Inglês de Sousa, advogado, professor, jornalista, contista e romancista, nasceu em Óbidos, PA, em 28 de dezembro de 1853, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de setembro de 1918. Compareceu às sessões preparatórias da criação da Academia Brasileira de Letras, onde fundou a cadeira nº 28, que tem como patrono Manuel Antônio de Almeida. Na sessão de 28 de janeiro de 1897 foi nomeado tesoureiro da recém-criada Academia de Letras.

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Potyguár. Inglês de Sousa. [Manuscrito]

Diplomou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, em 1876. Nesse ano publicou dois romances, O cacaulista e História de um pescador, aos quais seguiram-se mais dois, todos publicados sob o pseudônimo Luís Dolzani. Com Antônio Carlos Ribeiro de Andrade e Silva publicou, em 1877, a Revista Nacional, de ciências, artes e letras. Foi presidente das províncias de Sergipe e Espírito Santo. Fixou-se no Rio de Janeiro, como advogado, banqueiro, jornalista e professor de Direito Comercial e Marítimo na Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais. Foi presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros.

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Potyguár. Inglês de Sousa. [Manuscrito]

Foi o introdutor do Naturalismo no Brasil, mas seus primeiros romances não tiveram repercussão. Escreveu diversas obras jurídicas e colaborou na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro. (Fonte: ABL)

Em sua homenagem, a Biblioteca Nacional divulga a disponibilidade do manuscrito intitulado “Potyguár”. O documento encontra-se no assunto “Crônicas brasileiras” e você pode acessá-lo através do endereço: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_19_018/mss_I_07_19_018.pdf

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FBN | Documentos Literários: Originais de Marques Rebelo encaminhados por Drummond

agosto 26, 2017

A Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, homenageia o conhecido autor Marques Rebelo no aniversário de sua morte.

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A casa das três rolinhas de Marques Rebêlo (1936). Página 1. [Acervo Divisão de Manuscritos]

Marques Rebelo é o pseudônimo de Eddy Dias da Cruz, que nasceu no Rio de Janeiro a 6 de janeiro de 1907 e passou sua infância em Minas Gerais. Sua família sofreu com a gripe espanhola, que grassou no Brasil em 1918 e 1919; mais tarde, isso se refletiu num dos seus contos mais conhecidos, “Vejo a Lua no Céu”, que seria transformado em telenovela em 1976. Leitor voraz, foi discípulo, na adolescência, do filólogo Mário Barreto, de quem adquiriu o gosto pelo estudo dos clássicos portugueses. Cursou três anos de Medicina, que abandonou para se dedicar à escrita e ao comércio. Mais tarde, voltou-se para o jornalismo e se bacharelou em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil.

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A casa das três rolinhas de Marques Rebêlo (1936). Página 2. [Acervo Divisão de Manuscritos]

Marques Rebelo é autor de vários romances, sendo os mais famosos “Marafa” (1935), com o qual, no mesmo ano, ganhou o Grande Prêmio de Romance Machado de Assis, e “A Estrela Sobe” (1939), levado ao cinema por Bruno Barreto, em 1974. A trilogia “O Espelho Partido”, publicada entre 1959 e 1968, é, contudo, considerada sua obra-prima, um exemplo de ficção autobiográfica com toques machadianos. O autor também escreveu contos, crônicas, biografias, livros didáticos e obras para crianças e jovens. O primeiro, publicado em 1937, foi “A Casa das Três Rolinhas”, em parceria com Arnaldo Tabayá, pseudônimo do médico Miguel Pereira da Motta, filho. Morto este no mesmo ano, o manuscrito original foi doado por Marques Rebelo à Biblioteca Nacional, onde o chefe de gabinete – Carlos Drummond de Andrade – o encaminhou ao diretor Rodolfo Garcia.

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A casa das três rolinhas de Marques Rebêlo (1936). Página 3. [Acervo Divisão de Manuscritos]

Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1964, agraciado em 1960 e 1963 com o Prêmio Jabuti (por dois volumes de sua trilogia “O Espelho Partido”), promotor de artistas plásticos e fundador de vários museus de artes no Brasil, Marques Rebelo faleceu a 26 de agosto de 1973. Os originais de “A Casa das Três Rolinhas” estão sob a guarda da Divisão de Manuscritos e podem ser consultados na íntegra pelo link da BN Digital: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_19_008A/mss_I_07_19_008A.pdf

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A casa das três rolinhas de Marques Rebêlo (1936). Página 131. [Acervo Divisão de Manuscritos]

FBN | 18 de agosto de 1850, morre Honoré de Balzac

agosto 18, 2017

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Nascido na cidade de Tours, França, em 20 de maio de 1799, Honoré de Balzac é considerado como um dos escritores mais expressivos do século XIX. Entre suas obras mais famosas, está A Comédia Humana, uma antologia composta de 89 romances, novelas e histórias curtas. Balzac morreu em Paris, aos 51 anos.

A Biblioteca Nacional presta homenagem a Honoré de Balzac divulgando, para consulta e download, o manuscrito de  “Les Célibataires”, disponível em: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/literatura/mss_I_07_17_013_n06.pdf

Para acessar outros documentos manuscritos referente ao autor francês em nossa BNDigital, acesse: http://bndigital.bn.br/

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FBN | Documentos Literários: Poema de Fabulista

agosto 18, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta “A Um Poeta”, de Anastácio Luiz do Bonsucesso, pertencente à Coleção Literatura.
Bonsucesso (Rio de Janeiro, 1833 – 1899) foi médico, professor, teatrólogo e poeta. É considerado um dos pioneiros do gênero fabulístico no Brasil, tendo lançado em 1858 a primeira edição de seu livro “Fábulas”, com duas centenas de narrativas de fundo moral. Várias eram dedicadas a figuras públicas (D. Pedro II, a Princesa Isabel, José do Patrocínio), a escritores que ele considerava seus precursores no gênero fábula e até a instituições como o Gabinete Português de Leitura. Segundo o pesquisador Ismael dos Santos (UFSC), suas narrativas tinham grande eloquência verbal, faziam muito uso de metáforas e reforçavam a religiosidade e a moral vigentes.

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Página 1 de “A um poeta” (1857), Anastácio Luís do Bonsucesso. [Acervo Divisão de Manuscritos]

O manuscrito da Coleção Literatura é um poema datado de maio de 1857 – antes, portanto, da publicação de “Fábulas” — e dedicado a José Alexandre Teixeira de Mello, médico, jornalista e escritor brasileiro que esteve à frente da Biblioteca Nacional entre 1895 e 1900. Curiosamente, uma anotação recomenda que o nome de Teixeira de Mello seja substituído pelo de Álvares de Azevedo. É provável que o original se destinasse a ser encaminhado a um editor para publicação, e que o autor desejasse fazer uma homenagem póstuma a Azevedo, falecido prematuramente em 1852.

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Página 3 de “A um poeta” (1857), Anastácio Luís do Bonsucesso. [Acervo Divisão de Manuscritos]

O original está na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado pelo link da BN Digital: http://objdigital.bn.br/…/mss_I_07_10_0…/mss_I_07_10_058.pdf

FBN | Homenagem – 26 de junho de 1826, nasceu Francisco Otaviano

junho 26, 2017
Foto: ABL

Foto: ABL

Francisco Otaviano de Almeida Rosa, nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1826, onde faleceu 28 de junho de 1889. Advogado, jornalista, político, diplomata e poeta é o patrono da cadeira nº 13 da Academia Brasileira de Letras por escolha do fundador Visconde de Taunay.

Começou os estudos no colégio do professor Manuel Maria Cabral e a partir daí passou a dedicar-se ao estudo das línguas, história, geografia e filosofia. Formou-se em Direito no ano de 1845 em São Paulo e ingressou na vida profissional atuando como advogado e jornalista. Na carreira política foi  deputado geral (1852) e senador (1867). Como jornalista, atuou nas campanhas do Partido Liberal e participou da elaboração da Lei do Ventre Livre.

Uma de suas frustrações era a constatação de que apesar de gostar de poesia, desviou-se dela voltando esforços para o mundo da política. “Sua obra poética representa uma espécie de inspiração do homem médio, mas não banal, o que lhe dá, do ponto de vista psicológico, uma comunicabilidade aumentada pela transparência do verso, leve e corredio. Em torno do eixo central de sua personalidade literária se organizam as tendências comuns do tempo, num verso quase sempre harmonioso e bem cuidado… Ficou para sempre inscrito entre os nossos poetas da fase romântica, como autor de duas ou três peças antológicas, mesmo que não tenha exercido a literatura com paixão, e o patriota que foi dá-lhe lugar entre os grandes vultos brasileiros do século XIX.” (fonte: ABL)

A divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional guarda dois tesouros escritos por Francisco Otaviano:

Flor da campa [18–]:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_13_022/mss_I_07_13_022.pdf

A filha da albergueira [1867]

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_13_021/mss_I_07_13_021.pdf

 

 

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FBN | Série de Documentos Literários – Dois bilhetes de Giuseppe Garibaldi

junho 2, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta dois documentos assinados por Giuseppe Garibaldi (4 de julho de 1807 – 2 de junho de 1882), na ocasião do aniversário de sua morte.

Conhecido por seu papel na unificação da Itália, Garibaldi, curiosamente, nasceu em território pertencente à França: a região de Nice, que, na época, fazia parte do departamento francês dos Alpes Marítimos (pertenceu ao reino da Sardenha entre 1815 e 1860). Foi o segundo dos seis filhos de Domenico Garibaldi e Rosa Raimondi, que desejavam vê-lo seguir carreira acadêmica. Giuseppe, porém, preferia a vida ao ar livre e se tornou marinheiro, chegando a capitão da Marinha Mercante. Em 1833, entrou em contato com a sociedade secreta Jovem Itália, cujo objetivo era lutar pela unificação italiana; essa foi a maior das causas às quais Garibaldi passaria a dedicar sua vida.

Após uma fracassada insurreição da Sociedade Carbonária, Garibaldi se exilou no Rio de Janeiro. Lá travou contato com Luigi Rossetti, também ligado à Jovem Itália, com o qual viajou para o sul do país e se envolveu com a Revolução dos Farrapos, tornando-se comandante das operações por mar até a destruição da marinha farroupilha em Laguna (1839). Ali, Giuseppe conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, que se tornou sua companheira e passou à História com o nome de Anita Garibaldi (1821 – 1849). Ainda lutou no Uruguai antes de regressar à Itália, onde voltou a se envolver com as guerras da unificação e acabou por ser novamente exilado.

Garibaldi viajou pelo Pacífico e residiu nos Estados Unidos
antes de voltar à Europa. Foi marinheiro por algum tempo, depois se dedicou à agricultura; por fim, voltou ao cenário da guerra, da qual participou de forma intermitente durante as décadas seguintes. Lutou ainda pela França na guerra contra a Prússia e, já idoso, fundou a Liga da Democracia (1879). Morreu pacificamente em sua casa na ilha de Caprera, onde residia com a segunda esposa, Francesca Armosino. Por sua dedicação a tantas causas, não apenas na Itália mas em outros países, recebeu a alcunha de “Herói de Dois Mundos”.

A Biblioteca Nacional possui alguns documentos assinados por Garibaldi. Apresentamos dois deles, ambos datados do ano 1860. O primeiro é um salvo-conduto fornecido a Jean-Baptiste Henri Durand-Brager (1814-1879), pintor oficial da Marinha francesa. No prefácio de seu livro “Quatro meses da expedição de Garibaldi na Sicília e na Itália” (1861), Durand-Brager afirma ter conhecido o revolucionário no (rio da) Prata, uma das muitas partes do mundo que visitou e retratou em seus quadros. A obra narra uma parte da campanha de Garibaldi como comandante da chamada “Expedição dos Mil”, um episódio do movimento de unificação da Itália, que Durand-Brager diz ter presenciado e durante o qual, possivelmente, foi assinado o salvo-conduto.

O segundo documento também diz respeito a um pintor: o britânico Frank Vizetelly (1830-1883). Correspondente de guerra para “The Illustrated London News”, o primeiro jornal ilustrado do mundo, ele foi um dos maiores promotores da figura de Garibaldi, que retratou em diversos momentos e a quem se referia como um grande herói, “que faz e desfaz reis, um ousado revolucionário” (citação do livro “Garibaldi: invention of a hero” de Lucy Riall). Os dois se encontraram com certa frequência, como afirma o documento a que aludimos: um bilhete, em francês, no qual Garibaldi agradece a Vizetelly por sua presença amigável e pelo interesse na causa de seu país.

Ambos os documentos integram a Coleção José Carlos Rodrigues, que está sob a guarda da Divisão de Manuscritos.