Posts Tagged ‘Divisão de Manuscritos’

FBN | 20 de janeiro – Ata do Marco Comemorativo da Fundação do Rio de Janeiro

janeiro 20, 2017

 

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A Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional apresenta a ata da inauguração do marco comemorativo da fundação da cidade do Rio de Janeiro, datada de 20 de janeiro de 2015.

No documento, explica-se a escolha de 20 de janeiro por ser o dia do padroeiro da cidade, São Sebastião, bem como o aniversário da data em que o domínio português na região foi consolidado (20 de janeiro de 1567, quando, juntamente com seus aliados, os temiminós, os portugueses derrotaram os tamoios e os franceses no ataque ao forte de Ibiraguaçu-Mirim). Durante décadas, essa foi a data em que se comemorou o aniversário da cidade, o que talvez tenha sido reforçado pela colocação do marco.

Em 1956, passou-se a considerar como data “oficial” de fundação do Rio de Janeiro o dia 1 de março de 1565, quando Estácio de Sá desembarcou entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar e começou a construir um forte militar. O dia 20 de janeiro continuou a ser feriado municipal, mas apenas por ser o dia do padroeiro da cidade.

O marco comemorativo, feito de granito com uma placa de bronze, foi afixado na encosta do Morro Cara de Cão. A ata do evento está assinada por membros do IHGB – Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Comissão Especial do Primeiro Congresso de História Nacional.

O documento original se encontra na Divisão de Manuscritos e foi digitalizado a partir de um microfilme. Pode ser consultado através da BN Digital, no endereço

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1426892/mss1426892.pdf

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FBN | 9 de janeiro 1822 – Dia do “Fico”

janeiro 9, 2017

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Cerca de um mês após o “Dia do Fico”, o príncipe d. Pedro escreveu a seu pai uma carta na qual falava da necessidade da criação de um Conselho de Estado, conforme lhe haviam pedido os representantes das províncias.

Segundo diz num trecho da carta, “determinei-me a criá-lo, atento às razões fortíssimas dadas pelas três Províncias, e eu entender que era para felicidade geral da Nação, em que eu estou pronto a trabalhar até a morte”. Ele solicita que d. João encaminhe sua resolução às Cortes portuguesas, fazendo-as saber que tem muito interesse pela monarquia luso-brasileira e está isento de quaisquer ambições.

A carta é datada de 16 de fevereiro de 1822, foi escrita pela mão de d. Pedro e traz sua assinatura. Pertence à Coleção Augusto de Lima Júnior e se encontra na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.
Conheça a carta original e outros documentos na Divisão de Manuscritos: https://www.bn.gov.br/explore/acervos/manuscritos

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FBN | Série Documentos Literários – Paraíba: um trecho manuscrito de Graciliano Ramos

janeiro 6, 2017

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Paraíba: um trecho manuscrito de Graciliano Ramos

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta algumas páginas de texto escrito para o livro “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos.

Um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos, nascido em Quebrângulo (AL) a 27 de outubro de 1892, Ramos foi o autor de romances como “Vidas Secas”, “Angústia”, “São Bernardo”, entre outros, além de livros de contos, crônicas e infanto-juvenis. Publicou também dois livros de cunho memorialístico: “Infância” (1945), em que conta sua história familiar e pessoal até os primeiros anos da juventude, e “Memórias do Cárcere”, publicado oito meses após a morte do autor, que ocorreu a 20 de março de 1953. Nesse livro ele faz o relato do período compreendido entre março de 1936 e janeiro de 1937, quando esteve preso por conta de seu envolvimento com o Partido Comunista.

Além de descrever uma série de acontecimentos impactantes, como a entrega de Olga Benário aos oficiais de extradição, “Memórias do Cárcere” apresenta uma variedade de tipos humanos impagáveis, quer entre os presos políticos, quer entre os prisioneiros comuns. Um deles era o vigarista conhecido como “Paraíba”, que explica detalhadamente o “golpe da velha doente” aplicado na rua a incautos.

Um manuscrito contendo uma versão inicial desse trecho do livro foi doado à Biblioteca Nacional por Clara Ramos, filha de Graciliano, em 1992. Traz correções feitas pelo autor – de quem se diz ter sido exageradamente crítico com seu próprio trabalho, fazendo alterações até alguns momentos antes que um livro entrasse no prelo – e é datado de 11 de junho de 1949. O original se encontra na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado através da BN Digital pelo link

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_13_007A/mss_I_07_13_007A.pdf

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FBN | Mostra Oswaldo Goeldi (1895-1961)

janeiro 5, 2017

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A partir de hoje, e até o final de fevereiro, a Sala de Manuscritos abrigará uma pequena mostra relativa a Oswaldo Goeldi.

Gravador, desenhista, ilustrador e professor, Oswaldo Goeldi nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1895. Até os seis anos de idade, viveu em Belém (PA) com seus pais, Adelina Meyer Goeldi e Emilio Augusto Goeldi. O pai, suíço, foi um renomado zoólogo e naturalista, e dirigiu uma das mais importantes instituições de Belém, que hoje leva seu nome: o atual Museu Paraense Emílio Goeldi.

 

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Oswaldo Goeldi viveu na Suíça até o falecimento de seu pai. Depois, abandonou o curso na Escola Politécnica para se matricular na École des Arts et Métiers. Decepcionado com a instituição, passou a ter aulas com Serge Pahnke e Henri Van Muyden. Em 1917, realizou sua primeira exposição individual em Berna (Suíça), ocasião em que conheceu a obra do austríaco Alfred Kubin, seu mentor artístico.

 

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De volta ao Brasil, em 1919, trabalhou como ilustrador de livros, revistas e jornais. Dois anos depois, ao expor no saguão do Liceu de Artes e Ofícios, aproximou-se de pessoas interessadas na renovação da arte, como os organizadores da Semana de 1922. A partir de 1923, dedicou-se intensamente à xilogravura, técnica que conheceu com Ricardo Bampi.

Em 1930, lançou o álbum “Dez Gravuras em Madeira”, prefaciado por Manuel Bandeira e cuja venda permitiu seu retorno à Europa, onde expôs novamente em Berna e em Berlim. Por volta de 1932, retornou ao Brasil e começou a experimentar com o uso da cor em xilogravuras. Consolidado como ilustrador, expôs na 25ª Bienal de Veneza em 1950. No ano seguinte, ganhou o Prêmio de Gravura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo.
Começa a lecionar em 1952 e, após três anos, passou a ensinar xilogravura na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Em 1956, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, foi realizada sua primeira retrospectiva. Faleceu em 1961. Sua obra já participou de mais de uma centena de exposições em vários países. Hoje, Goeldi é venerado no meio artístico e suas obras são matérias de referência mundial no campo da gravura.

 

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A Coleção Oswaldo Goeldi da Divisão de Manuscritos, doada em 2010 por colecionadores privados, contém anotações pessoais, correspondência, recortes de jornal, catálogos e impressos reunidos pelo próprio Goeldi. A gravura “Chuva”, uma das mais conhecidas de Goeldi, está reproduzida num desses livros, da autoria de Aníbal Machado, que trata da obra do artista plástico. Sobre ela afirmou o crítico de arte e poeta Ronaldo Brito:
“O homem do guarda-chuva vermelho é o exemplar típico do sujeito anônimo universal. Todos nós, cada um de nós, resumido à sua condição básica – o homem sozinho dentro do mundo, diante da vida, a enfrentar como pode os elementos.”

 

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As demais imagens deste post se referem a peças do artista que estão sob a guarda da Divisão de Iconografia: são gravuras e matrizes doadas em 1978 por Beatrix Reynal.

Acesse baixe algumas imagens:

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FBN | Documentos Literários – Um Livro de Viagens de Saint-Hilaire

dezembro 9, 2016

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, vem apresentar um dos livros de Auguste de Saint-Hilaire, em cuja homenagem a Biblioteca Nacional preparou a exposição “Saint-Hilaire e as Paisagens Brasileiras”.

A literatura de viagem tem raízes na Antiguidade e produziu obras como as Histórias de Heródoto (séc. V a. C.) e Viagem a Roma, de Flávio Josefo (séc. I de nossa era). Continuou ao longo da Idade Média, que nos legou, entre muitos outros, os relatos de Marco Polo (séc. XIII) e do explorador magrebino Ibn Battuta (séc. XIV).  No entanto, foi a partir da Era dos Descobrimentos que esse tipo de relato se consagrou como gênero literário, compreendendo desde a correspondência e os registros oficiais até os relatos de exploradores e as aventuras baseadas em fatos reais, como Robinson Crusoe, de Daniel Defoe (1719), inspirada no relato do náufrago escocês Alexander Selkirk.

Muitos exploradores e viajantes escreveram sobre o Brasil, deixando seu testemunho sobre a fauna, a flora, os habitantes e seus costumes. O primeiro foi Pero Vaz de Caminha, em sua já conhecida carta ao Rei Manuel I. Ainda no século XVI, tivemos o alemão Hans Staden e o francês Jean de Léry; no XVII, os holandeses vindos com Maurício de Nassau; a partir da segunda metade do XVIII e durante o século XIX, naturalistas como Alexandre Rodrigues Ferreira, Carl von Martius, Johan von Spix e Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) que chegou ao Brasil em 1816, comissionado pelo governo francês para coletar exemplares de plantas brasileiras.

Saint-Hilaire permaneceu no país até 1822. Percorreu todo o sul e o sudeste, além de Goiás, e visitou ainda o Uruguai e a Argentina. Nessa viagem, recolheu cerca de 30.000 amostras de mais de 6.000 espécies vegetais, que descreveu e catalogou em seus cadernos de campo; entretanto, sua contribuição para os estudos brasileiros vai muito além da botânica, visto ter escrito saborosas crônicas de viagem.

Uma delas, “Viagens pelo Distrito dos Diamantes e Litoral do Brasil”, foi originalmente publicada em Paris, em 1833. Em 1941 teve uma reedição pela Cia. Editora Nacional, integrando a “Coleção Brasiliana”. Essa edição pode ser consultada, na íntegra, através da BN Digital.

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_obrasraras/or311664/or311664.pdf

Convidamos a todos para visitar a exposição “Saint-Hilaire e as Paisagens Brasileiras” no Salão de Obras Raras da Biblioteca Nacional, de 9 de dezembro a 28 de fevereiro.

Saiba mais sobre a exposição: https://www.bn.gov.br/acontece/eventos/2016/12/saint-hilaire-paisagens-brasileiras

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FBN | Série Documentos Literários – Cartões de Natal na Divisão de Manuscritos

dezembro 2, 2016
A Série Documentos Literários vem apresentar a exposição “Cartões de Natal na Divisão de Manuscritos”, organizada por Priscila Duarte, que ocupará a vitrine da Sala de Manuscritos a partir do dia 5 de dezembro e ficará até o final de 2016.

 

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O hábito de enviar felicitações no Natal e no Ano Novo é bem antigo nos países cristãos. No século XVII, na Alemanha, algumas famílias trocavam cartões com a imagem do Menino Jesus. Os cartões de Natal propriamente ditos, porém, surgiram no Reino Unido, em 1847, quando Sir Henry Cole, agente postal, e seu amigo, o artista John Horsley, criaram cartões ilustrados que eram vendidos a 1 shilling cada. O baixo preço e o fato de poderem ser enviados pela metade do valor de uma carta comum permitiram que o costume se popularizasse rapidamente.

 

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A venda dos cartões ganhou ainda mais impulso nas décadas de 1860 e 1870, com o aprimoramento da tecnologia de impressão. Nas décadas seguintes, o hábito se espalhou por vários países da Europa e das Américas, e a venda de cartões de Natal passou a ser usada por entidades filantrópicas como forma de angariar fundos. No que se refere ao Brasil, o uso dos cartões postais foi adotado em 1880, e é possível que, a exemplo do que ocorreu na Europa, eles logo tenham passado a ser impressos com motivos natalinos no período das festas.
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Esta mostra reúne alguns dos cartões postais existentes no acervo da Divisão de Manuscritos, com destaque para o de Maria Eugênia, enviado ao jornalista Mário Pedrosa e integrante da coleção do mesmo nome, e para os cartões de Poty – com a reprodução de uma gravura do artista –, Gilberto Freyre, Alceu Amoroso Lima e Luís Carlos Prestes, todos pertencentes à Coleção José Olympio.

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FBN | Mostra Consciência Negra na Divisão de Manuscritos

novembro 4, 2016

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Nesta sexta-feira, dia 4 de novembro, entra em cartaz na Divisão de Manuscritos a mini-mostra Consciência Negra, organizada pela servidora Priscila Helena Duarte, que ocupará a vitrine da sala até o fim do mês.

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foi criado pelo Decreto-Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. Foi concebido para ser comemorado em 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. A data convida à reflexão sobre a presença negra na cultura e na sociedade brasileiras.

Celebrando o Novembro Negro, esta mostra de documentos foge às costumeiras representações do negro como elemento servil e expõe um pequeno conjunto de personalidades gigantescas em seus feitos e realizações. Os documentos fornecem uma amostra da importância do negro como sujeito do seu próprio discurso em variadas esferas de atuação, desde pioneiros na discussão da afirmação étnica e de identidade cultural até escritores que buscaram se distanciar dessa temática, traço reflexivo da realidade social em que transitavam.

Lima Barreto (1881-1922) escritor e jornalista; Carolina Maria de Jesus (1914-1977) escritora, poetisa e compositora; Abdias do Nascimento (1914-2011) ativista dos direitos negros, poeta, ator, escritor e dramaturgo; Luís Gama (1830-1882), escritor e jornalista e Machado de Assis (1839-1908) maior nome da Literatura Brasileira. Todos alcançaram com seus escritos o protagonismo necessário para quebrar estereótipos e servir de guias para futuras gerações.

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FBN | Série Documentos Literários – Desenhos de Raul Pompeia para “O Ateneu”

outubro 28, 2016
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Na Semana do Livro e da Biblioteca, a Série Documentos Literários apresenta os desenhos de Raul Pompeia — que esteve à frente da Biblioteca Nacional por um curto espaço de tempo – feitos para ilustrar “O Ateneu”, seu mais famoso romance.

Raul Pompeia nasceu em 12 de abril de 1863, em Jacuecanga, município de Angra dos Reis (RJ). Seu pai, magistrado, era tido como severo e carrancudo. Aos onze anos, o futuro escritor foi matriculado num internato, o Colégio Abílio, do qual saiu em 1879 para estudar no Colégio Pedro II. Ainda como estudante, publicou seu primeiro romance, “Uma Tragédia no Amazonas”.

Terminados os estudos, Raul Pompeia foi para São Paulo, onde se matriculou na Faculdade de Direito. Os professores logo passaram a vê-lo com reservas, devido ao seu envolvimento com Luís Gama, a causa abolicionista e o movimento republicano. Em companhia de outros estudantes, como Raimundo Correia e Luís Murat, fundou várias gazetas, embora todas tenham tido poucos números. Em 1883, publicou novo romance, “As Joias da Coroa”. Dois anos depois, transferiu-se para a Faculdade de Direito do Recife a fim de completar o curso, regressando em seguida para o Rio de Janeiro, onde começou a escrever para vários jornais.
Como muitos romances naquela época, “O Ateneu” foi publicado de forma seriada num desses periódicos, a “Gazeta de Notícias”, entre janeiro e março de 1888. Após algumas modificações, ganhou uma primeira edição em livro, publicada pela própria “Gazeta”. Raul Pompeia continuou a escrever, mas sua atenção se voltava principalmente para a política e a vida pública. Em 1894, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional, cargo do qual seria demitido no ano seguinte pela mesma razão que o fizera romper várias amizades: seu apoio ao governo de Floriano Peixoto. O acúmulo de pressões o levou ao suicídio, na casa onde vivia com sua mãe, no dia 25 de dezembro de 1895.
“O Ateneu” foi bem recebido pela crítica desde o lançamento, havendo quem comparasse seu autor a Machado de Assis e aos estrangeiros Balzac, Zola e Flaubert. O historiador Capistrano de Abreu chegou a afirmar que se tratava do “livro mais forte escrito no Brasil até então”. De fato, a obra, um romance de características realistas e naturalistas, inova tanto na escrita quanto no tratamento que dá a questões como a homossexualidade, a angústia da solidão e do isolamento, e as distorções do sistema educacional. É, também, um romance de formação, que acompanha o amadurecimento e as reflexões do personagem “Sérgio”, possivelmente um alter ego de Raul Pompeia, durante sua passagem pelo internato “Ateneu”.
Os direitos do romance foram comprados pela Editora Alves & Cia., que, entretanto, só o publicaria em 1905, acompanhado dos desenhos feitos pelo próprio autor. De acordo com a editora, tratava-se de uma edição definitiva, impressa em Paris. Os desenhos foram reproduzidos em edições posteriores, e os originais foram doados pela editora à Biblioteca Nacional em 1907.
Os desenhos estão na Divisão de Iconografia e podem ser vistos acessando o link da BN Digital:
Para saber mais sobre a passagem de Raul Pompeia pela Biblioteca Nacional, leia o texto do pesquisador e servidor da instituição, Iuri Lapa:

FBN | Série Documentos Literários – “Fantásio”, pseudônimo de Olavo Bilac

outubro 21, 2016

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A Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta um poema assinado por “Fantasio”, um dos muitos pseudônimos de Olavo Bilac.

Tal como muitos escritores do século XIX, o poeta parnasiano (1865-1918) colaborou ativamente com jornais e revistas, e neles se utilizou de pseudônimos tais como “Puck”, “Brás Patife” e “Arlequim”. Alguns tinham inspiração nas cortes infernais, como “Mephisto”, “Belial” ou, ainda, “Diabo Coxo” e “Diabo Vesgo”. Segundo ele, sua intenção, ao usar pseudônimos, não era a de ocultar sua identidade, mas sim a de encarnar um personagem, um narrador que se adequasse à situação descrita na crônica ou no poema. O “Diabo Coxo”, por exemplo, afirmava ter o poder de se tornar invisível, com o que pôde comparecer – e, mais tarde, criticar – a um almoço oferecido pelo Ministério das Relações Exteriores a diplomatas estrangeiros, em julho de 1896.

“Fantasio”, um dos pseudônimos preferidos de Olavo Bilac, assinava poemas e crônicas em versos, tendo figurado muitas vezes no periódico “A Bruxa” (1896-1897). Os temas eram variados: literatura, política brasileira e internacional, campanhas como a do combate à febre amarela. No poema “Em Custódia”, datado de julho de 1894, o que o autor relata é a experiência de passar pela prisão, consequência de sua ferrenha oposição ao Marechal Floriano Peixoto. São versos duros, que traduzem amargura e desesperança:

Quatro prisões, quatro interrogatórios…
Há três anos que as solas dos sapatos
Gasto, a correr de Herodes a Pilatos,
Como Cristo, por todos os pretórios!

O poema foi escrito pelo próprio Olavo Bilac, mas, além de sua assinatura como “Fantasio”, traz também a de um amigo, o escritor Coelho Neto (1964-1934), com quem Bilac chegou a compartilhar outro pseudônimo, “Victor Leal”. Segundo anotação no verso, o documento acompanhava o livro “Poesias”.

O original está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e integra a Coleção Literatura. Pode ser consultado acessando o link da Biblioteca Digital:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_11_029/mss_I_07_11_029.pdf
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FBN | Série Documentos Literários – Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa

outubro 14, 2016

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A série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta uma cópia do poema Vila Rica, de Glauceste Satúrnio, pseudônimo usado pelo inconfidente Cláudio Manuel da Costa.

Nascido a 5 de junho de 1729, na vila de Ribeirão do Carmo, hoje pertencente a Mariana (MG), o poeta era filho de uma brasileira e de um minerador português. Como a maioria dos jovens da elite colonial, estudou em Coimbra, onde escreveu seus primeiros poemas sob a influência do estilo barroco. De regresso ao Brasil, dedicou-se à advocacia, tendo exercido os cargos de procurador da Coroa, desembargador e secretário de Estado. Era um homem influente, bem relacionado, que desfrutava de uma vida confortável.

A participação de Cláudio Manuel da Costa no movimento de inconfidência suscita discussões por parte dos historiadores. Uns dizem que ele não teria passado de um espectador, enquanto outros sustentam que forneceu as bases teóricas para a conspiração, inspiradas no movimento iluminista, que conhecia muito bem. Sua morte, que ocorreu em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG), a 4 de julho de 1789, é o alvo das maiores polêmicas. Os documentos oficiais relatam que o poeta se enforcou na prisão, mas a posição em que foi encontrado e o fato de a sua morte ser conveniente para várias pessoas ligadas ao poder – em especial o visconde de Barbacena, governador de Minas Gerais – fazem com que alguns estudiosos afirmem que o suicídio foi uma farsa criada para encobrir um assassinato.

Vila Rica é o poema mais conhecido de Cláudio Manuel da Costa. A estrutura é a de um poema épico clássico, ou epopeia, e se assemelha à de outro poema brasileiro do mesmo período, O Uraguai, de Basílio da Gama, publicado em 1769. Ambos são representantes do movimento conhecido como arcadismo, que valoriza a vida no campo, se utiliza de personagens mitológicas e, no Brasil, trata de temas da história colonial, introduzindo o indígena como personagem.  É assim que, em Vila Rica, aparecem tanto o Curupira quanto as ninfas do Tejo, bem como o Gênio da Terra, uma criação do autor que representa a tentativa de conciliar os elementos nativos, “selvagens”, e as intenções civilizadoras de Albuquerque, o herói do poema, fundador de Vila Rica.

 

Cantemos, Musa, a fundação primeira
Da Capital das Minas, onde inteira
Se guarda ainda, e vive inda a memória
Que enche de aplauso de Albuquerque a história.


O códice apresentado, uma cópia manuscrita, possivelmente do século XVIII, foi comprado de F. Roiz de Paiva em 1901, pela quantia de 40$000 (quarenta mil réis). Está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e disponível para consulta na BN Digital pelo link abaixo:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1255459/mss1255459.pdf

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