Posts Tagged ‘Documentos Literários’

FBN | Documentos Literários – Cartões de Sigmund Freud para Artur Ramos

setembro 23, 2017

No aniversário da morte de Sigmund Freud, a Série Documentos Literários apresenta alguns cartões enviados pelo médico e psicanalista a Artur Ramos.

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Carta a Arthur Ramos dizendo que os resultados, aos quais ele chegou, estão em conformidade com os trabalhos psicanalíticos até agora conhecidos. Data: 11/03/1928. [Acervo Manuscritos]

Médico, etnólogo e professor, Artur Ramos (Alagoas, 07/07/1903 – Paris, 31/10/1949) foi colega de Nise da Silveira na Faculdade de Medicina da Bahia, e, como ela, dedicou-se à psiquiatria e à psicanálise. Entre seus muitos correspondentes está Sigmund Freud (Freiburg im Mähren, 06/05/1856 – Londres, 23/09/1938), a quem enviou alguns trabalhos, tais como sua tese de formatura “Primitivo e Loucura”, em que estuda o fenômeno da loucura através de um diálogo entre a psicanálise e a antropologia. Freud agradece em um cartão datado de 20/05/1927, no qual, escrevendo em inglês, lamenta não ter podido usufruir do trabalho por não conhecer o idioma de Ramos.  “Mas estou certo de que você adquiriu o domínio do assunto”, conclui, delicadamente.

Freud endereçou dois outros cartões a Ramos, em alemão, sempre agradecendo o envio de material. Num deles, volta a lamentar sua falta do conhecimento do português, o que o impede de entender melhor o trabalho. Além disso, enviou ao brasileiro uma carta datada de 11/03/1928 na qual afirma estar seu trabalho de acordo com as expectativas, que, por sua vez, se baseiam nos estudos psicanalíticos recentes.

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Cartão a Arthur Ramos agradecendo a remessa de sua tese “Primitivo e Loucura” e desculpando-se por não dominar a língua portuguesa. Ano: 20/05/1927. [Acervo Manuscritos]

Os três cartões e a carta de Freud fazem parte do Arquivo Artur Ramos, composto por aproximadamente 4.600 documentos e que, por sua importância para as Ciências Sociais e áreas correlatas, recebeu o título de Memória do Mundo, conferido pela UNESCO em 2017. Podem ser consultados pelos links da BN Digital:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I35_29_1304.jpg

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297721/mss1297721.jpg

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297722/mss1297722.pdf

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1297723/mss1297723.pdf

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FBN | Documentos Literários – Aniversário de Bocage

setembro 15, 2017

bocage

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, lembra o aniversário do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Natural de Setúbal (Portugal), onde nasceu a 15 de setembro de 1765, Bocage é muito conhecido por seus versos satíricos, que lhe valeram a alcunha de “Poeta Maldito”. Sua obra, no entanto, compreende várias outras vertentes, indo desde os poemas bucólicos, influenciados pelo Arcadismo, até a lírica pré-romântica, em que o poeta se destacou, principalmente, pelos sonetos. Neles se liberta da rigidez e do formalismo arcádico e dá voz ao eu poético, de forma, por vezes arrebatadora, tanto que é considerado um dos três maiores autores portugueses de sonetos, ao lado de Camões e Antero de Quental.

Bocage faleceu em Lisboa, a 21 de dezembro de 1805, vítima de aneurisma. Sua morte e, posteriormente, os centenários de morte e nascimento deram ensejo a muitas homenagens em Portugal e no Brasil. Em 1886, o periódico carioca “A Semana” publicou um número dedicado ao poeta, com vários artigos que tratam de sua biografia e comentam sua obra. A primeira página é ilustrada com uma xilogravura de Alfredo Pinheiro sobre desenho de Bento Barbosa, ambos colaboradores frequentes do periódico.

A edição especial pode ser consultada na Hemeroteca Digital através do link: http://memoria.bn.br/pdf/383422/per383422_1886_00104.pdf

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FBN | Documentos Literários – Álbum da Cidade do Rio de Janeiro

setembro 8, 2017

avenida rio branco

No âmbito das comemorações do aniversário da Independência do Brasil, apresentamos o Álbum da Cidade do Rio de Janeiro, publicado em 1922.

antiga estalagem

No início do século XX, o Rio de Janeiro, então capital federal, passou por um grande plano de urbanização, anunciado no discurso de posse de Rodrigues Alves como presidente da República, em 1902. As reformas se iniciaram durante o governo de Pereira Passos, prefeito do Rio entre 1902 e 1906. Foram mudanças estruturais, que abriram e alargaram avenidas e demoliram casarios inteiros – não foi à toa que a reforma ficou conhecida como “Bota Abaixo”.

biblioteca nacional

Nesse período, e nos anos subsequentes, a fotografia foi muito utilizada como forma de registro e como apoio na divulgação dos trabalhos que levavam a capital a assumir uma nova “cara”. Fotógrafos como Marc Ferrez e Augusto Malta foram contratados para documentar os novos prédios e avenidas e a forma como se integravam à paisagem natural, fortalecendo a imagem do Rio de Janeiro como Cidade Maravilhosa. Assim foram publicados importantes álbuns fotográficos, como “Avenida Central” (1906) e “Vues de Rio de Janeiro – Brèsil” (1910).

largo da carioca

O presente documento se intitula “Álbum da cidade do Rio de Janeiro em Comemoração do 1º Centenário da Independência do Brasil – 1822 – 1922”. É uma edição da Prefeitura do Distrito Federal, do qual era prefeito Carlos Sampaio (1920-1922). Segundo a pesquisadora Maria Pace Chiavari, esse álbum “se apresenta como o fechamento do amplo projeto urbano”, quando a cidade já havia passado por uma profunda transformação. Foi em 1922 que se pôs abaixo o Morro do Castelo, bem como se iniciou a Exposição Internacional do Centenário da Independência, que durou de setembro de 1922 até julho de 1923 e contou com vários pavilhões destinados a países estrangeiros.

panorama

A Biblioteca Nacional possui uma cópia do Álbum em sua Divisão de Iconografia, nele você encontra diversas outras fotografias da cidade do Rio de Janeiro, não deixe de conferir. A obra pode ser consultada pela BN Digital, acessando o link: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon325335/icon325335.pdf

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FBN | Documentos Literários – Tarzan: como desenhar

setembro 1, 2017

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Instructions to artists for Tarzan (1). [Acervo FBN]

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, presta uma homenagem ao escritor Edgar Rice Burroughs, criador de Tarzan e de John Carter.

Nascido em Chicago a 1 de setembro de 1875, Burroughs frequentou a Academia Militar em Michigan, mas não conseguiu ingressar na famosa Academia de West Point. Alistou-se na cavalaria, mas, algum tempo depois, descobriu um problema no coração e deixou a carreira militar, passando a trabalhar em pequenos empregos, inclusive numa fazenda.

Em 1911, casado, com dois filhos e ganhando um salário modesto, Burroughs começou a escrever ficção, e logo venderia seus primeiros contos para revistas pulp, como a All-Store Magazine. Foi nessa revista que, já em 1912, surgiu Tarzan, o personagem mais famoso do escritor.

SAMSUNG CSC

Instructions to artists for Tarzan (1). [Acervo FBN]

Edgar Rice Burroughs foi correspondente de guerra – estava em Honolulu durante o ataque dos japoneses a Pearl Harbor – e depois regressou aos Estados Unidos, onde morreria a 19 de março de 1950, de um ataque cardíaco. Durante sua vida escreveu por volta de setenta romances e muitos contos avulsos. Alguns desses trabalhos foram importantes, como a série John Carter, que teve grande influência sobre escritores de ficção científica; mas nenhum teve o alcance de Tarzan, popularizado em diversas mídias como cinema, televisão e quadrinhos, além dos próprios livros.

Os quadrinhos de Tarzan surgiram pela primeira vez em 1928 na revista inglesa Tit-Bits, desenhados por Hal Foster (de Príncipe Valente). Ao longo de décadas, foram publicados por vários editores, bem como em tiras de jornal. No Brasil, a primeira publicação aconteceu no Suplemento Juvenil, lançado em 1934 pelo pioneiro dos quadrinhos no país, Adolfo Aizen. Este, em 1945, fundaria a Editora Brasil-América Limitada, conhecida como EBAL. Ali também seriam publicados os quadrinhos de Tarzan, em vários formatos, até 1989. Foi o título mais duradouro da história da editora.

A Biblioteca Nacional recebeu uma importante parte da coleção da EBAL por meio de doação, nos anos 2000 e 2001.  Entre os documentos estão folhas impressas com imagens de Tarzan, para servir de modelo a futuros artistas. Estes são instruídos a desenhar o queixo do herói sempre quadrado, as mãos excepcionalmente grandes e fortes, com juntas bem pronunciadas (uma vez que Tarzan aprendeu a andar com os gorilas!) e o dedão do pé longo, entre vários outros detalhes. O material está acompanhado de carta da Distribuidora Record a Naumim, filho de Adolfo Aizen, com data de 1978.

SAMSUNG CSC

Instructions to artists for Tarzan (1). [Acervo FBN]

O original está na Divisão de Manuscritos, onde, a partir da próxima semana, haverá uma pequena mostra dos documentos da Coleção EBAL.

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FBN | Série Documentos Literários: A Encrenca Européa

junho 29, 2017

Próximo à data em que se completa mais um ano desde o Atentado de Sarajevo (28 de junho de 1914), que vitimou o herdeiro do Império Austro-Húngaro, Francisco Fernando, e contribuiu para o início da Primeira Guerra Mundial, a Série Documentos Literários apresenta o mapa satírico “A Encrenca Européa”, da autoria de Raul Pederneiras.

O professor, escritor e artista carioca Pederneiras (1874 – 1953) iniciou suas atividades em 1898, no jornal “O Mercúrio”, e colaborou com vários periódicos de alta circulação, tais como “O Malho”, “Fon-Fon”, “Revista da Semana” e “Jornal do Brasil”. Foi um dos caricaturistas mais aclamados das primeiras décadas do século XX, juntamente com J. Carlos (José Carlos de Brito e Cunha) e K. Lixto (Calixto Cordeiro). Segundo o pesquisador Rogério de Souza Silva, era um mestre da sátira e do trocadilho, sempre certeiro em suas críticas ao estado de coisas no país. Era também muito hábil em se adequar a exigências editoriais, produzindo imagens e textos sob encomenda sem, contudo, perder sua identidade como artista.

“A Encrenca Europea” é um mapa satírico publicado a 22 de agosto de 1914, pouco após a deflagração da Primeira Guerra Mundial. Foi patrocinado por uma instituição financeira de nome Globo, que oferecia empréstimos e seguros e que veicula informações nas bordas do documento.

O mapa reflete o talento de Pederneiras tanto na arte quanto nas palavras, denominando algumas regiões europeias de maneira brincalhona (“Lugar onde Judas perdeu as botas”, “Mancha — que limpa”) e apresentando os países como pessoas belicosas, usando roupas que identificam sua nacionalidade. A França é uma mulher com barrete frígio, a Espanha traz uma rosa entre os dentes, o Império Russo se apresenta como um bando de velhos agasalhados que lembram São Nicolau. Portugal é representado por um personagem de caricatura, o “Zé Povinho”, criado pelo artista Raphael Bordallo Pinheiro (1846 – 1905) que se tornou a personificação do homem do povo português. Curiosamente, “Zé Povo” — que mudava de aparência de acordo com o artista e com o momento político — foi um personagem produzido por vários caricaturistas, entre os quais Raul Pederneiras, em periódicos brasileiros do final do século XIX e início do XX.

O mapa “A Encrenca Européa” está na Divisão de Cartografia da Biblioteca Nacional e pode ser consultado através do link da BN Digital

FBN | Série Documentos Literários – Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa

outubro 14, 2016

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A série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta uma cópia do poema Vila Rica, de Glauceste Satúrnio, pseudônimo usado pelo inconfidente Cláudio Manuel da Costa.

Nascido a 5 de junho de 1729, na vila de Ribeirão do Carmo, hoje pertencente a Mariana (MG), o poeta era filho de uma brasileira e de um minerador português. Como a maioria dos jovens da elite colonial, estudou em Coimbra, onde escreveu seus primeiros poemas sob a influência do estilo barroco. De regresso ao Brasil, dedicou-se à advocacia, tendo exercido os cargos de procurador da Coroa, desembargador e secretário de Estado. Era um homem influente, bem relacionado, que desfrutava de uma vida confortável.

A participação de Cláudio Manuel da Costa no movimento de inconfidência suscita discussões por parte dos historiadores. Uns dizem que ele não teria passado de um espectador, enquanto outros sustentam que forneceu as bases teóricas para a conspiração, inspiradas no movimento iluminista, que conhecia muito bem. Sua morte, que ocorreu em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG), a 4 de julho de 1789, é o alvo das maiores polêmicas. Os documentos oficiais relatam que o poeta se enforcou na prisão, mas a posição em que foi encontrado e o fato de a sua morte ser conveniente para várias pessoas ligadas ao poder – em especial o visconde de Barbacena, governador de Minas Gerais – fazem com que alguns estudiosos afirmem que o suicídio foi uma farsa criada para encobrir um assassinato.

Vila Rica é o poema mais conhecido de Cláudio Manuel da Costa. A estrutura é a de um poema épico clássico, ou epopeia, e se assemelha à de outro poema brasileiro do mesmo período, O Uraguai, de Basílio da Gama, publicado em 1769. Ambos são representantes do movimento conhecido como arcadismo, que valoriza a vida no campo, se utiliza de personagens mitológicas e, no Brasil, trata de temas da história colonial, introduzindo o indígena como personagem.  É assim que, em Vila Rica, aparecem tanto o Curupira quanto as ninfas do Tejo, bem como o Gênio da Terra, uma criação do autor que representa a tentativa de conciliar os elementos nativos, “selvagens”, e as intenções civilizadoras de Albuquerque, o herói do poema, fundador de Vila Rica.

 

Cantemos, Musa, a fundação primeira
Da Capital das Minas, onde inteira
Se guarda ainda, e vive inda a memória
Que enche de aplauso de Albuquerque a história.


O códice apresentado, uma cópia manuscrita, possivelmente do século XVIII, foi comprado de F. Roiz de Paiva em 1901, pela quantia de 40$000 (quarenta mil réis). Está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e disponível para consulta na BN Digital pelo link abaixo:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1255459/mss1255459.pdf

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FBN | Série Documentos Literários – Carta de Euclides da Cunha a seu filho Euclides, o “Quidinho”.

setembro 23, 2016

euclides

A série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, vem divulgar uma carta do escritor Euclides da Cunha (Cantagalo, 1866 – Rio de Janeiro, 1909) a seu segundo filho, Euclides, o “Quidinho”, então um adolescente que estudava em regime de internato.

Euclides da Cunha é, para muitos, uma figura controversa. Filho de pequenos fazendeiros no Vale do Paraíba, passou por vários colégios antes de se decidir pela Engenharia como carreira. Após frequentar brevemente a Escola Politécnica, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, onde os mestres transmitiam aos alunos um saber imbuído dos princípios do Positivismo de Auguste Comte. Mesclados às ideias de Darwin e Spencer e aos ideais libertários que trazia desde a adolescência, esses valores acompanhariam o escritor durante toda a vida, refletindo-se em seus textos: artigos de jornal, ensaios, poemas, cadernetas repletas de cálculos e, principalmente, os diários de sua expedição a Canudos, que se constituiriam na matriz de sua grande obra, “Os Sertões”.

Embora, a rigor, possa ser considerado autor desse único livro – o que, ele próprio, antecipou em uma carta ao editor Agustin de Vedia –, Euclides da Cunha exerceu grande influência no pensamento nacional, quer pela nova dimensão conferida por seus escritos a questões brasileiras, quer pelo entusiasmo com que defendia seus ideais. Sua vida pessoal foi marcada pela paixão e pela tragédia: traído pela esposa, morreu na troca de tiros com o amante dela, o cadete Dilermando de Assis, fato que se repetiu com “Quidinho”, em 1916, quando tentou vingar a morte do pai.

A carta que ilustra este artigo, escrita em 12 de junho de 1908, não prenuncia nada disso. É o testemunho de um pai amoroso – embora expresso com a sobriedade da época –, que diz confiar na nobreza de caráter do filho e o incentiva a aplicar-se nos estudos para poder se divertir nas férias. Indaga, também, se o jovem recebeu dois livros de Júlio Verne, salientando que só deviam ser lidos na hora do recreio.

O documento integra a Coleção Euclides da Cunha, que se encontra sob a guarda da Divisão de Manuscritos, e está disponível para consulta no site da BN Digital, no endereço http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I04_18_006.pdf .

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FBN | Série Documentos Literários – Coelho Neto

setembro 9, 2016
Os pombos. Coelho Neto.

Os pombos.
Coelho Neto.

A Fundação Biblioteca Nacional inaugura uma nova série chamada “Documentos Literários”. Produzida pela Divisão de Manuscritos, a série tem como objetivo a divulgação de documentos ligados à literatura brasileira e mundial. A primeira postagem é sobre o manuscrito do conto “Os Pombos”, de Coelho Neto.

Filho do português Antônio Coelho e da descendente de índios Ana Silvestre, Henrique Maximiano Coelho Neto nasceu a 21 de fevereiro de 1864, em Caxias (MA). Tinha seis anos quando a família veio para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Pedro II e iniciou o curso de Medicina. Pouco depois, abandonou-o e entrou para a Faculdade de Direito, cursada parte no Recife – onde foi discípulo de Tobias Barreto – e parte em São Paulo, quando o futuro escritor já aderira com paixão aos ideais abolicionistas e republicanos.

De volta ao Rio, associado a um grupo do qual faziam parte Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney, Coelho Neto trabalhou com José do Patrocínio na campanha em favor da abolição. Pouco depois, tornou-se jornalista, e logo passaria a publicar seus primeiros trabalhos. Em 1890, casou-se com Maria Gabriela Brandão e foi nomeado para o cargo de secretário do governo do estado do Rio de Janeiro.  Foi também deputado federal pelo Maranhão, secretário geral da Liga de Defesa Nacional e membro do Conselho Consultivo do Teatro Municipal.

A par de todas essas atividades, Coelho Neto publicava seus trabalhos literários em diferentes periódicos, às vezes sob pseudônimos como Anselmo Ribas, Caliban, Ariel, Charles Rouget, Democ, N. Puck, Tartarin, Fur-Fur, Manés, entre outros. Durante anos foi o escritor mais lido do Brasil, com artigos que versavam sobre praticamente tudo: política, sociedade, moda, esporte.

Apesar de sua popularidade, Coelho Neto sofreu fortes críticas por parte de outros escritores, que o acusavam de escrever para a elite. Durante a Semana de Arte Moderna, em 1922, sua obra foi considerada datada, representante de um estilo literário antiquado e ideias ultrapassadas. Isso, porém, não o impediu de continuar produzindo e ganhando notoriedade. Tanto que, em 1928, um concurso realizado pela revista O Malho agraciou-o com o título de “Príncipe dos Prosadores Brasileiros”.

Coelho Neto faleceu no Rio de Janeiro, a 28 de novembro de 1934, tendo deixado uma obra composta por mais de 120 volumes publicados. Foi, além disso, autor de inúmeros contos, palestras, discursos e artigos que publicava quase diariamente.

O conto “Os Pombos” tem como protagonistas um casal de lavradores, Joana e Tibúrcio. Ambos estão imbuídos da crença local de que a migração dos pombos é um sinal de morte e desgraça, o que acaba se refletindo num trágico episódio de suas vidas.  É uma história dramática, com traços psicológicos e sabor regionalista, considerada pelos críticos uma das melhores já escritas por Coelho Neto.

A primeira edição do conto é de 1911. O original, sem data, com assinatura e emendas feitas pelo autor, pertence à Coleção Literatura da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, que foi inteiramente digitalizada. As imagens estão disponíveis na BN Digital, e podem ser acessadas pelo link

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/literatura/mss_I_07_17_032.pdf

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