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FBN | 10 de setembro de 1930: nasce Ferreira Gullar

setembro 10, 2017

Ferreira Gullar, cujo nome verdadeiro é José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís do Maranhão, em 10 de setembro de 1930.

ferreira gullar

Tribuna da Imprensa (RJ). Ano 1980\Edição 09389. [Acervo Hemeroteca Digital]

Aos dezoito anos, passou a frequentar os bares da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero-Recreativo, onde, aos domingos, havia leitura de poemas. Descobriu a poesia moderna ao ler os poemas de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, que o fez aderir a esse tipo de fazer poesia e adotar uma atitude totalmente oposta à que tinha anteriormente, tornando-se um poeta experimental radical, que tinha como lema uma frase de Gauguin: “Quando eu aprender a pintar com a mão direita, passarei a pintar com a esquerda, e quando aprender a pintar com a esquerda, passarei a pintar com os pés”, ou seja, nada de fórmulas: o poema teria que ser inventado a cada momento.

“Eu queria que a própria linguagem fosse inventada a cada poema”, diria ele mais tarde. E assim nasceu o livro que o lançaria no cenário literário do país em 1954: A Luta Corporal. Os últimos poemas deste livro resultam de uma implosão da linguagem poética, e provocariam o surgimento na literatura brasileira da “poesia concreta”, de que Gullar foi um dos participantes e, em seguida dissidente, passando a integrar um grupo de artistas plásticos e poetas do Rio de Janeiro: o grupo neoconcreto.

Entrou para o partido comunista e passou a escrever poemas sobre política e participar da luta contra a ditadura militar que havia se implantado no país, em 1964. Foi processado e preso na Vila Militar. Mais tarde, teve que abandonar a vida legal, passar à clandestinidade e, depois, ao exílio. Deixou clandestinamente o país e foi para Moscou, depois para Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires. Voltou para o Brasil em 1977, quando foi preso e torturado. Libertado por pressão internacional, voltou a trabalhar na imprensa do Rio de Janeiro e, depois, como roteirista de televisão.

Em 1980, publicou Na vertigem do dia e Toda Poesia, livro que reuniu toda sua produção poética até então. Voltou a escrever sobre arte na imprensa do Rio e São Paulo, publicando, nesse campo, dois livros: Etapas da arte contemporânea (1985) e Argumentação contra a morte da arte (1993), onde discute a crise da arte contemporânea.

Outro campo de atuação de Ferreira Gullar é o teatro. Após o golpe militar, ele e um grupo de jovens dramaturgos e atores fundou o Teatro Opinião, que teve importante papel na resistência democrática ao regime autoritário. Nesse período, escreveu, com Oduvaldo Vianna Filho, as peças Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e A saída? Onde fica a saída? De volta do exílio, escreveu a peça Um rubi no umbigo, montada pelo Teatro Casa Grande em 1978.

Em 2002, Ferreira Gullar foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura. Alguns anos mais tarde, no dia 4 de dezembro de 2016, o poeta faleceu no Rio de Janeiro. (Fonte: ABL)

Acesse o link para ler a matéria em entrevista a Ferreira Gullar do jornal Tribuna da Impressa de 11 de junho de 1980: http://memoria.bn.br/DocReader/154083_04/1727

Pesquise mais sobre Ferreira Gullar nos periódicos disponíveis em nossa Hemeroteca Digital: http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/

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FBN I Homenagem – Ferreira Gullar (São Luís, 10 de setembro de 1930 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2016)

dezembro 4, 2016

ferreira_gullar

A FBN comunica que o velório do acadêmico Ferreira Gullar será realizado no saguão da Biblioteca Nacional hoje (04/12), a partir da 17h.

“José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís do Maranhão, em 10 de setembro de 1930, numa família de classe média pobre. Dividiu os anos da infância entre a escola e a vida de rua, jogando bola e pescando no Rio Bacanga. Considera que viveu numa espécie de paraíso tropical e, quando chegou à adolescência, ficou chocado em ter que tornar-se adulto, e tornou-se poeta.

No começo acreditava que todos os poetas já haviam morrido e somente depois descobriu que havia muitos deles em sua própria cidade, a algumas quadras de sua casa. Passou então, já com seus dezoito anos, a frequentar os bares da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero-Recreativo, onde, aos domingos, havia leitura de poemas.

Descobriu a poesia moderna apenas aos dezenove anos, ao ler os poemas de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Ficou escandalizado com esse tipo de poesia e tratou de informar-se, lendo ensaios sobre a nova poesia. Pouco depois, aderiu a ela e adotou uma atitude totalmente oposta à que tinha anteriormente, tornando-se um poeta experimental radical, que tinha como lema uma frase de Gauguin: “Quando eu aprender a pintar com a mão direita, passarei a pintar com a esquerda, e quando aprender a pintar com a esquerda, passarei a pintar com os pés”.

Ou seja, nada de fórmulas: o poema teria que ser inventado a cada momento. “Eu queria que a própria linguagem fosse inventada a cada poema”, diria ele mais tarde. E assim nasceu o livro que o lançaria no cenário literário do país em 1954: A Luta Corporal. Os últimos poemas deste livro resultam de uma implosão da linguagem poética, e provocariam o surgimento na literatura brasileira da “poesia concreta”, de que Gullar foi um dos participantes e, em seguida dissidente, passando a integrar um grupo de artistas plásticos e poetas do Rio de Janeiro: o grupo neoconcreto.

O movimento neoconcreto surgiu em 1959, com um manifesto escrito por Gullar, seguido da Teoria do não-objeto, estes dois textos fazem hoje parte da história da arte brasileira, pelo que trouxeram de original e revolucionário. São expressões da arte neoconcreta as obras de Lygia Clark e Hélio Oiticica, hoje nomes mundialmente conhecidos.

Gullar, por sua vez, levou suas experiências poéticas ao limite da expressão, criando o livro-poema e, depois, o poema espacial, e, finalmente, o poema enterrado. Este consiste em uma sala no subsolo a que se tem acesso por uma escada; após penetrar no poema, deparamo-nos com um cubo vermelho; ao levantarmos este cubo, encontramos outro, verde, e sob este ainda outro, branco, que tem escrito numa das faces a palavra “rejuvenesça”.

O poema enterrado foi a última obra neoconcreta de Gullar, que afastou-se então do grupo e integrou-se na luta política revolucionária. Entrou para o partido comunista e passou a escrever poemas sobre política e participar da luta contra a ditadura militar que havia se implantado no país, em 1964. Foi processado e preso na Vila Militar. Mais tarde, teve que abandonar a vida legal, passar à clandestinidade e, depois, ao exílio. Deixou clandestinamente o país e foi para Moscou, depois para Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires.

Voltou para o Brasil em 1977, quando foi preso e torturado. Libertado por pressão internacional, voltou a trabalhar na imprensa do Rio de Janeiro e, depois, como roteirista de televisão.

Durante o exílio em Buenos Aires, Gullar escreveu Poema Sujo – um longo poema de quase cem páginas – que é considerado a sua obra-prima. Este poema causou enorme impacto ao ser editado no Brasil e foi um dos fatores que determinaram a volta do poeta a seu país. Poema Sujo foi traduzido e publicado em várias línguas e países.

De volta ao Brasil, Gullar publicou, em 1980, Na vertigem do dia e Toda Poesia, livro que reuniu toda sua produção poética até então. Voltou a escrever sobre arte na imprensa do Rio e São Paulo, publicando, nesse campo, dois livros Etapas da arte contemporânea (1985) e Argumentação contra a morte da arte (1993), onde discute a crise da arte contemporânea.

Outro campo de atuação de Ferreira Gullar é o teatro. Após o golpe militar, ele e um grupo de jovens dramaturgos e atores fundou o Teatro Opinião, que teve importante papel na resistência democrática ao regime autoritário. Nesse período, escreveu, com Oduvaldo Vianna Filho, as peças Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e A saída? Onde fica a saída? De volta do exílio, escreveu a peça Um rubi no umbigo, montada pelo Teatro Casa Grande em 1978.

Mas Gullar afirma que a poesia é sua atividade fundamental. Em 1987, publicou Barulhos e, em 1999, Muitas Vozes, que recebeu os principais prêmios de literatura daquele ano. Em 2002, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura”. (Fonte : ABL)

Ferreira Gullar recebe Prêmio Moacyr Scliar na Biblioteca Nacional

março 28, 2012

Poeta foi o vencedor da primeira edição do Prêmio

O poeta Ferreira Gullar, com sua obra Em alguma parte alguma, foi o vencedor da primeira edição do Prêmio Moacyr Scliar, criado pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria da Cultura e realizado pelo Instituto Estadual do Livro (IEL). A cerimônia de premiação será nesta quarta-feira, 29 de março, às 18h30 no Auditório Machado de Assis, no Espaço Cultural Eliseu Visconti da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Além de Gullar, o evento contará com a presença do governador gaúcho, Tarso Genro, do secretário da cultura do Rio Grande do Sul, Luiz Antonio de Assis Brasil, e do presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim.

A entrega do prêmio será transmitida ao vivo, no site do Instituto Embratel

O prêmio é uma parceria entre a Secretaria Estadual da Cultura, por meio do Instituto Estadual do Livro (IEL),  a Companhia Riograndense de Artes Gráficas (CORAG) e Associação Lígia Averbuck, com patrocínio da Petrobrás e do Banrisul, e apoio publicitário da Agência Matriz. O escritor escolhido recebe premiação de R$ 150 mil e a editora de R$ 30 mil.

“Mesmo em sua primeira edição, o prêmio Moacyr Scliar já pode ser considerado um sucesso, já que tivemos inscrições de autores e editoras de todo país. Esta primeira edição foi dedicada à poesia, e cumpre o papel de valorizar a produção contemporânea, privilegiando esse gênero que é a origem de todos os outros”, afirma Ricardo Silvestrin, diretor do IEL.

O livro vencedor receberá ainda uma edição especial de cinco mil exemplares, que será distribuída entre as bibliotecas públicas e pontos de cultura do RS.


Prêmio Moacyr Scliar de literatura

O objetivo é indicar os melhores livros das categorias poesia e conto, publicados no Brasil, em língua portuguesa, de 01 de janeiro a 31 de dezembro dos dois anos anteriores à edição de cada premiação.

A cada edição, uma categoria será privilegiada: em 2011, Prêmio Moacyr Scliar de Literatura – Categoria Poesia; em 2012, Prêmio Moacyr Scliar de Literatura – Categoria Contos. Nos anos seguintes, sempre será alternado: em um ano, poesia; no outro, conto.

As categorias poesia e conto foram privilegiadas tendo em vista a grande quantidade de prêmios já instituídos para a categoria romance. Assim, reconhecer a qualidade literária dos autores de poesia e conto com um prêmio relevante, incentivar a diversificação das edições e aproximar os leitores com a aquisição das obras premiadas para as bibliotecas públicas da rede estadual e para os Pontos de Cultura, confere ao prêmio Moacyr Scliar uma abrangência e um significado cultural que nenhum outro no país tem alcançado.

Ferreira Gullar

Nasceu em 1930 em São Luiz do Maranhão. Seu contato com a poesia surgiu por causa de uma grande paixão, aos 13 anos, quando decidiu ficar recluso em casa lendo poemas. Publicou seu primeiro livro em 1949, Um pouco acima do chão, obra que mais tarde ele excluiu de sua bibliografia.

Depois disso, Ferreira Gullar se tornou poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor e um dos fundadores do neoconcretismo. Fez parte de um movimento literário difundido através da revista que lançou o pós-modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos fundadores.

Várias vezes premiado, a conquista mais recente foi o Jabuti de Poesia em outubro de 2011 e agora o Moacyr Scliar de Poesia.

SERVIÇO
Entrega do Prêmio Moacyr Scliar de literatura
Data: 29/03/2012
Hora: 18h30
Local: Fundação Biblioteca Nacional
Espaço Cultural Eliseu Visconti
Rua Méxino, s/nº ( acesso pelo jardim)
Centro – Rio de Janeiro