Posts Tagged ‘Mês da consciência Negra’

FBN | Série Documentos Literários – Joel Rufino dos Santos

novembro 25, 2016

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No âmbito das comemorações do Mês da Consciência Negra, a Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, homenageia o escritor e historiador Joel Rufino dos Santos.

Nascido em Cascadura (RJ), em 1941, Joel Rufino cresceu ouvindo as histórias contadas pela avó, encantando-se com as narrativas bíblicas – para ele, antes de tudo, um livro de contos maravilhosos – e lendo histórias em quadrinhos.  Formou-se em História e foi convidado por Nelson Werneck Sodré para ser seu assistente no ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros). Ali conviveu com grandes intelectuais da época e foi um dos autores da Coleção História Nova do Brasil, produção do MEC e do ISEB, que revolucionou a historiografia no Brasil e teve sua publicação interrompida pela ditadura militar.

O golpe de 1964 obrigou Joel Rufino a pedir asilo político na Bolívia e, depois, no Chile. Viveu na semiclandestinidade ao regressar ao Brasil e esteve por três vezes na prisão. Das cartas que escreveu nessa época para Nelson Werneck Sodré, originou-se o livro para jovens “Quando eu Voltei, Tive uma Surpresa” (2000). A maior parte de seus trabalhos de ficção é destinada ao público mais novo; as exceções são os romances “Crônica de Indomáveis Delírios” (1991) e “Claros Sussurros de Celestes Ventos” (2012).

 

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Durante toda a sua vida, Joel Rufino foi um militante na luta pela justiça social, pelo fim do preconceito racial e pela valorização da cultura popular brasileira, notadamente a de matriz africana. Publicou dezenas de livros de História, crítica literária, ensaios e biografias, como a de Zumbi (1985) e a de Carolina Maria de Jesus (2009); escreveu para o teatro e para a televisão e ganhou inúmeros prêmios, entre eles o Jabuti. Lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela qual obteve o título de Doutor em Comunicação e Cultura. Foi subtitular da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras do Estado do Rio de Janeiro (1991-1992) e presidiu a Fundação Cultural Palmares.

Joel Rufino dos Santos faleceu em setembro de 2015, em decorrência de complicações após uma cirurgia. Seus livros podem ser consultados no Setor de Obras Gerais da Biblioteca Nacional.

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FBN | Série Documentos Literários – João da Cruz e Souza

novembro 11, 2016

cruz

No âmbito das comemorações do mês da Consciência Negra, a série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta o poeta João da Cruz e Sousa, que nasceu em 24 de novembro de 1861, em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis (SC).

Cruz e Souza era filho de escravos alforriados e teve sua educação garantida pela família dos antigos senhores. Desde pequeno, o menino mostrou pendor para as letras, especialmente a poesia. Dos 10 aos 15 anos, estudou no Ateneu Provincial Catarinense, e, aos 16, começou a publicar seus primeiros versos. Aos 20, além de ter sido um dos fundadores do jornal literário “Colombo”, entrou para uma companhia teatral, percorrendo vários estados do Brasil.

De volta a Santa Catarina, Cruz e Sousa ficou durante algum tempo à frente do jornal “Tribuna Popular”, por meio do qual combateu a escravidão e o preconceito racial – o mesmo preconceito que, em 1883, o impediria de tomar posse como promotor de Laguna. Dois anos depois, passou a dirigir o semanário “O Moleque” e publicou um livro de poemas em prosa, “Tropos e Fantasias”, em parceria com Virgílio Várzea. Em 1890, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde colaborou em vários periódicos, sempre assumindo uma postura crítica em relação à política e às relações sociais.

Os livros mais conhecidos de Cruz e Sousa, “Missal” e “Broquéis”, foram publicados em 1893. No mesmo ano, o poeta se casou com Gavita Rosa Gonçalves, também descendente de escravos, com quem teve quatro filhos. Todos morreram de tuberculose, causando grande sofrimento ao casal e problemas de saúde a Gavita. Por fim, o próprio Cruz e Sousa foi vitimado pela doença, vindo a morrer no dia 19 de março de 1898, em Curral Novo (MG), onde buscava tratamento. As despesas do funeral foram pagas por amigos, entre eles José do Patrocínio.

Cruz e Sousa deixou vários poemas que seriam publicados em livros póstumos, sem que, contudo, alcançassem a importância de “Missal” e “Broquéis”, obras precursoras do Simbolismo no Brasil. A crítica internacional o considera um dos maiores expoentes do movimento nas letras ocidentais. Seus poemas, que lhe valeram as alcunhas de “Dante Negro” e “Cisne Negro”, caracterizam-se pelo uso de imagens fortes e evocativas, denotando uma grande sensibilidade e inquietações espirituais e metafísicas.

O documento que ilustra esta mostra é um catálogo da Exposição do Centenário de Nascimento de Cruz e Sousa, realizada na Biblioteca Nacional em 1961. A maior parte dos documentos expostos pertencia ao acervo do crítico José Cândido de Andrade Muricy (1895-1984).

Acesse-o em:
http://objdigital.bn.br/ace…/div_iconografia/icon1285853.pdf

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FBN | Mostra Consciência Negra na Divisão de Manuscritos

novembro 4, 2016

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Nesta sexta-feira, dia 4 de novembro, entra em cartaz na Divisão de Manuscritos a mini-mostra Consciência Negra, organizada pela servidora Priscila Helena Duarte, que ocupará a vitrine da sala até o fim do mês.

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foi criado pelo Decreto-Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. Foi concebido para ser comemorado em 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. A data convida à reflexão sobre a presença negra na cultura e na sociedade brasileiras.

Celebrando o Novembro Negro, esta mostra de documentos foge às costumeiras representações do negro como elemento servil e expõe um pequeno conjunto de personalidades gigantescas em seus feitos e realizações. Os documentos fornecem uma amostra da importância do negro como sujeito do seu próprio discurso em variadas esferas de atuação, desde pioneiros na discussão da afirmação étnica e de identidade cultural até escritores que buscaram se distanciar dessa temática, traço reflexivo da realidade social em que transitavam.

Lima Barreto (1881-1922) escritor e jornalista; Carolina Maria de Jesus (1914-1977) escritora, poetisa e compositora; Abdias do Nascimento (1914-2011) ativista dos direitos negros, poeta, ator, escritor e dramaturgo; Luís Gama (1830-1882), escritor e jornalista e Machado de Assis (1839-1908) maior nome da Literatura Brasileira. Todos alcançaram com seus escritos o protagonismo necessário para quebrar estereótipos e servir de guias para futuras gerações.

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