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FBN | Acontece na BN – 18º Curso Informativo de Preservação de Coleções Bibliográficas e Documentais

setembro 1, 2016

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Com o tema “Princípios científicos e tomadas de decisão na Conservação de coleções documentais”, a Coordenadoria de Preservação – COP do Centro de Processamento e Preservação – CPP promove o 18º Curso Informativo de Preservação de Coleções Bibliográficas e Documentais, a ser realizado de 17 a 19 de outubro de 2016.

PROGRAMAÇÃO

Dia 17

  • Período: 9h às 18h
  • Local: Auditório Machado de Assis – AMA (Entrada e saída pelo Jardim de Rua México s/nº)

Programação

  • 9h15 às 10h45
    Palestra:  O prédio histórico da Biblioteca Nacional do Brasil.
    Com Luiz Antônio Lopes de Souza, Mestre em Arquitetura pelo Pro Arq.- UFRJ – Chefe do Núcleo de Arquitetura da Fundação Biblioteca Nacional.
  • 10h50 às 12h
    Palestra: Mitos e tabus na preservação de coleções bibliográficas e documentais.
    Com José Luiz Pedersoli Junior, Químico pela UFMG, Mestre em Química pela Universidade de Helsinque/Finlândia. Trabalhou como Cientista da Conservação no Instituto Holandês do Patrimônio Cultural em Amsterdã e no Centro Internacional para o Estudo da Preservação e da Restauração do Patrimônio Cultural/ICCROM em Roma, onde presta assessoria até os dias de hoje. É coautor do Plano de Gerenciamento de Riscos – Salvaguarda e Emergência, uma publicação da Biblioteca Nacional.
  • 12h às 13h
    Palestra: A ambientação das áreas de guarda de coleções da Biblioteca Nacional.
    Com Antônio Carlos dos Santos Oliveira, Msc. Arquitetura, Climatologista, Bsc. Museologia e Técnico em Meteorologia. É o Climatologista que presta assessoria técnica a Biblioteca Nacional.
  • 13h às 14h30
    Almoço
  • 14h30 às 15h30
    Palestra: Qualidade do ar e microclima em áreas de guarda de coleções da Biblioteca Nacional.
    Com Jandira Flaeschen. Conservadora-restauradora da Coordenadoria de Preservação/BN e Mestranda em Preservação de Acervos de Ciência e Tecnologia. Museu de Astronomia e Ciências Afins/MAST/MCT.
  • 15:30 às 16:30 h
    Palestra: As contribuições da ciência da conservação na preservação de acervos.
    Com Antônio Gonçalves da Silva, Engenheiro Químico – CRQ 3ª região nº 03312207 do Arquivo Nacional-COPAC-COPRA.
  • 16h30 às 17h30
    Palestra: O Plano Nacional de Microfilmagem de Periódicos Brasileiros.
    Com Vera Lúcia Garcia Menezes, Bibliotecária – Coordenadora de Microrreprodução da Biblioteca Nacional e do Plano Nacional de Periódicos Brasileiros.

Dias 18 e 19

  • Período: 9h às 18h
  • Almoço: 13h às 14h30
  • Local: Entrada no Prédio da BN pela Rua México s/n

Estudos de casos no Centro de Conservação e Encadernação e no Laboratório de Restauração – Coordenadoria de Preservação.

Dia 20

  • Período: 11h às 17h
  • Local: Entrada pelo Jardim da Rua México s/nº para Exposição Alair Gomes e pela Av. Rio Branco para Exposição Gabinete de Preciosidades

Visita a Exposições da BN.

Informações complementares:
Baixe a ficha de inscrição e siga instruções para realizar inscrição.

Local

AUDITÓRIO MACHADO DE ASSIS

Rua México s/nRio de Janeiro, RJ20031-144

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#bibliotecanacional
#fundacaobibliotecanacional

ARTIGO: Políticas da Memória

março 21, 2012

Em artigo publicado na edição de hoje, 21/03, na editoria Opinião, do jornal O Globo, o acadêmico Marco Lucchesi fala sobre a importância da preservação de obras e cita o Plano Nacional de Recuperação de Obras Raras, da Fundação Biblioteca Nacional.

Políticas da memória

Marco Lucchesi

Anotícia do fim da Enciclopédia Britânica, em formato real, foi recebida pela imprensa com um misto de triunfalismo e saudade. Se, para muitos, o oráculo de Delfos da Wikipédia levou Apolo e Atenas para a fila dos deuses desempregados, para outros teve início a cerimônia de adeus. Ao representante de vendas, de pasta volumosa, rosto redondo e discreto par de bigodes, a peregrinar de porta em porta, sapatos pretos, solas irregulares. Mais que um mascate, o vendedor de enciclopédias era o profeta de uma luminosa Bibliópolis. Adeus, Britânica. Ou, como diria o último Machado de Assis: papel, meu querido papel, adeus.

Mas não há surpresa na mutação do bibliantropo real para o virtual, processo que se desenvolve, a olhos vistos, a partir dos anos noventa, de cujo processo nos beneficiamos, com a performance de novas formas de leitura e acesso ao texto. Não é bom insistir na contradição dos suportes, como se, duplicados, fossem inimigos ferozes, com claro prejuízo do acervo físico, acusado de sofrer uma fome pantagruélica de espaço. E com o agravante de que os antigos formatos atraem uma danosa plêiade de insetos, em condições de alta umidade e calor. As traças e cupins brasileiros são imensamente eruditos, poliglotas, doutores em filosofia e teologia, do Renascimento ao Pós-moderno. Intérpretes de gosto ecumênico, dotados de formidável poder de penetração. Aprendem tudo com uma única leitura, não podendo haver outra, depois de lauto banquete bibliofágico.

Apesar do avanço das ciências da informação, não foram debelados os riscos de amnésia ou perda da memória digital, desde a obsolescência das tecnologias à incessante migração das linguagens. Os cuidados contra a antiga epidemia do papel resolvem-se hoje com a profilaxia contra os vírus da rede e dos hackers, de acordo com o grau de investimento em segurança digital.

Além das ações legítimas de cidadania, a gestão das bibliotecas públicas – médias, grandes ou pequenas – inscreve-se nas formas de inclusão real e digital, na preservação e guarda dos suportes, no cuidado de criar janelas ou interfaces, circuitos e corredores, por onde passa a expressão do pensamento. Do contrário, pode-se ampliar a orfandade do acervo real, como a que ocorreu no Brasil colônia, com a velha biblioteca do colégio, no Morro do Castelo, logo após a expulsão dos jesuítas. Boa parte da qual foi saqueada, vendida, e o que sobrou foi “espedaçado do bicho”.

A umidade e o descaso resultam no sono perigoso dos livros e no progresso das larvas. Gonçalves Dias, em viagem ao norte do Império, consultou diversas bibliotecas, folheando livros, que “pareciam estranhar e queixar-se da mão que os importunava no descanso morto em que jaziam”. Quando os livros dormem, o bibliotecário se debate em pesadelos.

Como se sabe, o aporte de recursos públicos sempre foi escasso frente às necessidades urgentes da preservação. Uma guerra quase perdida, apesar de vitórias incontestes, como as iniciativas do Plano Nacional de Recuperação de Obras Raras, o Planor, ligado ao Ministério da Cultura, juntamente com ações de resgate na Biblioteca Nacional, de cujas entranhas renascem livros fundamentais. Se não surgem exatamente das cinzas, como a fênix, os livros são restituídos, com paciência e tenacidade beneditinas, de uma quase atomização.

Tais atitudes exigem atenção redobrada. Creio que, assim como existem diversas modalidades de planos de aceleração do crescimento, como o das cidades históricas, não seria mau um PAC da recuperação das obras raras no Brasil, com ênfase na formação maciça de profissionais e na decorrente multiplicação de laboratórios.

Falta ao estado o adensamento do debate sobre as políticas da memória. Não se pode legar ao futuro uma biblioteca de Alexandria, feita das ruínas dos títulos e da lógica dos catálogos, sem o rosto de uma leitura soberana e infinita.

MARCO LUCCHESI é escritor