Posts Tagged ‘Série Documentos Literários’

FBN | Série Documentos Literários – “Opusculo Humanitario” de Nísia Floresta

março 17, 2017

No mês de março, dedicado à luta das mulheres pela igualdade de direitos, a Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, traz uma obra de Nísia Floresta, precursora do feminismo no Brasil.

 
Dionísia Gonçalves Pinto nasceu em 1810 em Papari, RN (que hoje tem o nome de Nísia Floresta em sua homenagem). Filha de português e brasileira, viveu em Recife, onde publicou seus primeiros artigos no jornal “Espelho das brasileiras”, e em Porto Alegre, onde se tornou amiga de Anita e Giuseppe Garibaldi. Com a eclosão da Revolução Farroupilha, Dionísia, viúva do segundo casamento, se mudou para o Rio de Janeiro, onde fundou o Colégio Augusto, na Rua do Paço Imperial. O nome da escola homenageava o falecido marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, e também seria incorporado ao pseudônimo usado pela autora: Nísia Floresta Brasileira Augusta.
 
Fundado em 1838, o Colégio Augusto era dedicado à educação de meninas, oferecendo disciplinas até então reservadas apenas aos estudantes do sexo masculino, tais como as Ciências, o Latim, a História e a Educação Física. Nísia foi, por isso, duramente criticada, inclusive por meio de jornais de ampla circulação na Corte:
 
“Trabalhos de língua não faltaram, os de agulha ficaram no escuro. Os maridos precisam de mulher que trabalhe mais e fale menos”. (“O Mercantil”, 2 de janeiro de 1847)
 
Não obstante a campanha difamatória e as várias polêmicas em que se viu envolvida, Nísia Floresta não abandonou sua luta pela educação feminina, quer no colégio, que funcionou durante 17 anos, quer em seus escritos e discursos. Foi autora de vários artigos, ensaios, poemas, novelas e relatos de viagem. Seus trabalhos mais conhecidos são “Direitos das mulheres e injustiças dos homens” (1832) — tradução livre de “Vindications of the rights of woman”, da inglesa Mary Wollstonecraft, na qual Nísia Floresta reflete sobre a ideologia exposta pela feminista inglesa, adaptando-a à realidade da sociedade patriarcal brasileira –; “Conselhos à minha filha” (1842), escrito como presente de aniversário para sua filha Lívia Augusta; e “Opúsculo humanitário”, coletânea de 62 artigos sobre a educação e a condição feminina desde a Antiguidade, publicada em 1853.
 
A partir de 1849, Nísia Floresta viveu na Europa, principalmente em Paris, com breves períodos de retorno ao Brasil. No exterior, onde encontrou mais receptividade para suas ideias, continuou a escrever e a se manifestar a favor da emancipação feminina, além de outras causas como a abolição da escravatura e o direito dos índios à sua identidade. Manteve intensa correspondência com o fundador do Positivismo, Auguste Comte, que fez apreciações elogiosas a seu trabalho. Faleceu de pneumonia em Rouen, na França, em 1885, quando, segundo sua biógrafa Constância Duarte (“Nísia Floresta, vida e obra”, 1995), os norte-rio-grandenses ainda se diziam envergonhados de ser conterrâneos de uma mulher tida como indecorosa e transgressora.
 
A Divisão de Obras Gerais da Biblioteca Nacional possui um exemplar de “Opúsculo Humanitário”, que pode ser consultado no link da BN Digital:

FBN | Documentos Literários – A Inundação do Parahyba em 1841 : Poemeto Heroico

fevereiro 10, 2017

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta o poemeto “A Inundação do Parahyba em 1841”, de Francisco José Moreira Ribeirão.

Segundo o “Diccionario Bibliographico Brazileiro”, de Sacramento Blake, o autor nasceu em 1815 na cidade de Campos, RJ, e veio bem pequeno para a capital. Seu pai o destinava ao trabalho no comércio, mas, em vista de seu filho demonstrar pendores literários, decidiu que deveria se tornar padre. Francisco não concordou, pelo que teve a mesada suspensa. Com a morte do pai, pouco tempo depois, ele regressou a Campos, onde se casou e trabalhou como solicitador, vindo a falecer a 26 de junho de 1885.

 

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Além de “A Innundação do Parahyba”, que afirma ser um “poemeto heroico”, o autor publicou as “Notas biographicas de frei Rodrigo de S. José Pereira” e alguns poemas no jornal “O Monitor Campista”. Sobre o primeiro título, Sacramento Blake afirma ter sido publicado em 1833, quando o autor contava apenas 18 anos; o impresso, porém, traz a data 1842, sendo que a inundação teria ocorrido em 1841.

O livreto, impresso em Campos, se inicia com um soneto escrito por Francisco aos dezesseis anos de idade. Na última página, uma informação curiosa: até 1842, mesmo ano de publicação do impresso, o autor se assinava “Francisco José Dias Moreira” e não “Francisco José Moreira Ribeirão”, conforme anunciou n´ “O Monitor Campista”.

O poemeto heroico está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e pode ser consultado acessando o link: http://objdigital.bn.br/…/mss_I_07_…/mss_I_07_13_010_001.pdf

#FBN #BibliotecaNacional #DocumentosLiterários #Parahyba #Poemeto

FBN | Documentos Literários – Cartão de Erico Veríssimo a Nelson Werneck Sodré

fevereiro 3, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta um cartão enviado a Nelson Werneck Sodré pelo escritor gaúcho Erico Veríssimo.

Nelson Werneck Sodré (Rio de Janeiro, 27/4/1911 – Itu, 13/1/1999) foi militar, historiador, ensaísta e crítico literário. Durante toda a sua vida defendeu a causa da soberania nacional, com ativa participação em sindicatos, associações civis e militares e movimentos como a campanha “O Petróleo É Nosso”, além de professor na Escola de Comando e Estado Maior do Exército e no ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros.

Ao longo de mais de setenta anos, Nelson Werneck Sodré publicou cinquenta e dois livros e 2.682 artigos em jornais e revistas. Extremamente organizado, colecionou todas as publicações em periódicos numa série de fichários, desde a crônica “Um Dia”– que publicou em “A Aspiração”, revista do Colégio Militar, com apenas 13 anos de idade – até “A Marcha para a Ditadura”, artigo em que critica o neoliberalismo, publicado em novembro de 1996 no jornal “Inverta”.

Nelson Werneck Sodré se destacou também nos campos da educação, da comunicação e, ainda, da crítica literária. Resenhou e fez apreciações de centenas de romances e livros de contos. Dentre eles, o romance “Saga”, de Erico Veríssimo (1905-1975), cuja resenha apareceu na coluna “Livros Novos” do jornal “Correio Paulistano” a 8 de setembro de 1940. Sodré afirma que o autor prosseguiu com sua intenção de conclamar os leitores a visar os altos valores morais, o que já fizera em “Olhai os Lírios do Campo” (1938). Elogia as qualidades do narrador, Vasco, e aponta alguns problemas na construção do livro.

Alguns dias depois, a 26 de setembro de 1940, o autor gaúcho escreveu um cartão que remeteu a Nelson Werneck Sodré, dizendo ter ficado com a impressão de havê-lo encontrado e agradecendo pela resenha, que considera “uma das mais equilibradas” que já leu a respeito do livro. O cartão foi guardado pelo destinatário e integra a Coleção Nelson Werneck Sodré, doada pelo autor à Biblioteca Nacional nos anos 1990 e mais tarde complementada com documentos doados por sua filha, Olga Sodré.

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A coleção original, incluindo os fichários com recortes de periódicos, está sob a guarda da Divisão de Manuscritos. O cartão de Erico Veríssimo pode ser acessado pela BN Digital, no endereço: http://bit.ly/2k4IdJt

 

FBN | Série Documentos Literários – Páginas de Balzac

janeiro 27, 2017

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta uma carta e um impresso com correções manuscritas feitas pelo escritor francês Honoré de Balzac.

Balzac (Tours, 20 de maio de 1799 – Paris, 18 de agosto de 1850) foi um célebre escritor francês, reconhecido por sua vasta produção e pela profunda análise da natureza humana de seus contos e romances. A análise balzaquiana, refletida na sociedade francesa, partia de um espírito ao mesmo tempo científico e filosófico.

Além de escritor, de quem se conta ter atravessado inúmeras madrugadas escrevendo à luz de velas e tomando xícara após xícara de café, Balzac foi também editor, impressor e proprietário de uma fábrica de tipos para impressão, comprada de Joseph-Gaspard Gillé em 1827. A empresa não deu certo, e o artista voltou a seu ofício inicial, mas a experiência foi registrada no romance “Ilusões Perdidas”, em que um dos protagonistas é um pequeno impressor no interior da França.

Quase toda a obra de Balzac no campo da ficção está reunida no conjunto denominado por ele próprio “A Comédia Humana”, o que sugere um contraponto à conhecida obra de Dante. São 95 narrativas completas e 48 inconclusas, divididas em três partes: “Estudos de Costumes”, “Estudos Filosóficos” e “Estudos Analíticos”. O conjunto inclui romances universalmente conhecidos, como “A Mulher de Trinta Anos” (1832), “Eugênia Grandet” (1834) e “As Ilusões Perdidas” (publicado em três partes, de 1837 a 1843). Em suas páginas, Balzac dá vida a mais de 2.000 personagens, que podem se entrecruzar ao longo de diferentes romances.

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Em 1942, o escritor austríaco Stefan Zweig doou à Biblioteca Nacional uma carta original de Honoré de Balzac ao Sr. Casimir, na qual solicita as provas tipográficas de seu livro “Melmoth Apaziguado” (1835), e uma página de prova tipográfica de um texto de não-ficção, com correções e apontamentos feitos por Balzac.

Os documentos se encontram na Divisão de Manuscritos e podem ser acessados pelos links:

Prova tipográfica:
http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss24_1942/mss24_1942.pdf

Carta:
http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1255451/mss1255451.pdf

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FBN | Série Documentos Literários – Paraíba: um trecho manuscrito de Graciliano Ramos

janeiro 6, 2017

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Paraíba: um trecho manuscrito de Graciliano Ramos

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta algumas páginas de texto escrito para o livro “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos.

Um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos, nascido em Quebrangulo (AL) a 27 de outubro de 1892, Ramos foi o autor de romances como “Vidas Secas”, “Angústia”, “São Bernardo”, entre outros, além de livros de contos, crônicas e infanto-juvenis. Publicou também dois livros de cunho memorialístico: “Infância” (1945), em que conta sua história familiar e pessoal até os primeiros anos da juventude, e “Memórias do Cárcere”, publicado oito meses após a morte do autor, que ocorreu a 20 de março de 1953. Nesse livro ele faz o relato do período compreendido entre março de 1936 e janeiro de 1937, quando esteve preso por conta de seu envolvimento com o Partido Comunista.

Além de descrever uma série de acontecimentos impactantes, como a entrega de Olga Benário aos oficiais de extradição, “Memórias do Cárcere” apresenta uma variedade de tipos humanos impagáveis, quer entre os presos políticos, quer entre os prisioneiros comuns. Um deles era o vigarista conhecido como “Paraíba”, que explica detalhadamente o “golpe da velha doente” aplicado na rua a incautos.

Um manuscrito contendo uma versão inicial desse trecho do livro foi doado à Biblioteca Nacional por Clara Ramos, filha de Graciliano, em 1992. Traz correções feitas pelo autor – de quem se diz ter sido exageradamente crítico com seu próprio trabalho, fazendo alterações até alguns momentos antes que um livro entrasse no prelo – e é datado de 11 de junho de 1949. O original se encontra na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado através da BN Digital pelo link

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_13_007A/mss_I_07_13_007A.pdf

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Série Documentos Literários – O Rei que Deve Obrar Só: um poema de Muniz Barreto

dezembro 30, 2016

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta um poema satírico que teria sido recitado por Francisco Muniz Barreto, no teatro da Bahia, na presença de d. Pedro II.

Segundo as notas biográficas deixadas por seu filho Rozendo, Muniz Barreto nasceu em 1804, na vila de Jaguaripe (BA). Sua família o destinava aos estudos de Direito em Coimbra, mas os movimentos precursores da Independência o levaram a entrar para o exército, onde continuou até 1828. Datam dessa época seus primeiros poemas, classificados como “repentes”, que, ainda segundo seu filho e biógrafo, eram “tiros de sátira contra injustiças e grosserias do régulo”.  Viveu por algum tempo na Corte, trabalhando como redator do “Correio da Câmara dos Deputados”, e regressou à Bahia, onde foi nomeado 1º escriturário da Alfândega e onde viria a falecer em 1868.

Durante seus anos de vida, Muniz Barreto alcançou muita notoriedade, sendo considerado o maior poeta brasileiro do improviso. Sílvio Romero, que o mencionou em “História da Literatura Brasileira” (1888), relata como, ouvido o mote, ele se erguia e se punha quase imediatamente a recitar com segurança. O mesmo crítico afirma que seus poemas meditados, ou seja, não improvisados, reunidos em dois volumes intitulados “Clássicos e Românticos”, são os mais fracos de todos.

Em 1864, Muniz Barreto lançou uma coleção de teor inteiramente diferente, o “Álbum da Rapaziada”, composto por poemas fesceninos, isto é, de um teor erótico e satírico na mesma linha de Bocage e, principalmente, de Gregório de Mattos. A publicação não lhe trouxe o lucro que, no prefácio do livro, Barreto afirmou ser o seu objetivo, mas os poemas do “Álbum” costumam ser apreciados por seu humor satírico e pela crítica de costumes, que também se encontravam presentes nos poemas feitos de improviso.

O poema que apresentamos aqui estaria, à primeira vista, entre os encomiásticos –poemas escritos com a finalidade de homenagear pessoas ilustres – de que Muniz Barreto foi autor. Alguns deles foram publicados com a indicação de terem sido declamados em solenidades. Os versos, contudo, têm a clara intenção da crítica aos maus políticos, o que é feito de forma maliciosa, usando com duplo sentido o verbo “obrar” para se referir às atitudes do soberano:

 

Quero Rei que obre sozinho.

Obrar à vista da gente

Até parece indecente.

Não achas, rico Chiquinho?

Obre o Rei do povo em pró,

É justo, mas só por só.

Que os taes eleitos do povo

Tocando a sua matraca

Não valem meia pataca

Nem todos juntos um só.

Não óbrão do povo em pró

Como obraria o Rei só.

 

O manuscrito é proveniente da Coleção Mello Moraes e tem uma anotação em que se diz ter sido copiado pelo barão de Cayru. O original está na Divisão de Manuscritos, e o documento pode ser consultado no link: http://bit.ly/2hNs0Vc

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FBN | Série Documentos Literários – Cartões de Natal na Divisão de Manuscritos

dezembro 2, 2016
A Série Documentos Literários vem apresentar a exposição “Cartões de Natal na Divisão de Manuscritos”, organizada por Priscila Duarte, que ocupará a vitrine da Sala de Manuscritos a partir do dia 5 de dezembro e ficará até o final de 2016.

 

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O hábito de enviar felicitações no Natal e no Ano Novo é bem antigo nos países cristãos. No século XVII, na Alemanha, algumas famílias trocavam cartões com a imagem do Menino Jesus. Os cartões de Natal propriamente ditos, porém, surgiram no Reino Unido, em 1847, quando Sir Henry Cole, agente postal, e seu amigo, o artista John Horsley, criaram cartões ilustrados que eram vendidos a 1 shilling cada. O baixo preço e o fato de poderem ser enviados pela metade do valor de uma carta comum permitiram que o costume se popularizasse rapidamente.

 

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A venda dos cartões ganhou ainda mais impulso nas décadas de 1860 e 1870, com o aprimoramento da tecnologia de impressão. Nas décadas seguintes, o hábito se espalhou por vários países da Europa e das Américas, e a venda de cartões de Natal passou a ser usada por entidades filantrópicas como forma de angariar fundos. No que se refere ao Brasil, o uso dos cartões postais foi adotado em 1880, e é possível que, a exemplo do que ocorreu na Europa, eles logo tenham passado a ser impressos com motivos natalinos no período das festas.
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Esta mostra reúne alguns dos cartões postais existentes no acervo da Divisão de Manuscritos, com destaque para o de Maria Eugênia, enviado ao jornalista Mário Pedrosa e integrante da coleção do mesmo nome, e para os cartões de Poty – com a reprodução de uma gravura do artista –, Gilberto Freyre, Alceu Amoroso Lima e Luís Carlos Prestes, todos pertencentes à Coleção José Olympio.

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FBN | Série Documentos Literários – Joel Rufino dos Santos

novembro 25, 2016

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No âmbito das comemorações do Mês da Consciência Negra, a Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, homenageia o escritor e historiador Joel Rufino dos Santos.

Nascido em Cascadura (RJ), em 1941, Joel Rufino cresceu ouvindo as histórias contadas pela avó, encantando-se com as narrativas bíblicas – para ele, antes de tudo, um livro de contos maravilhosos – e lendo histórias em quadrinhos.  Formou-se em História e foi convidado por Nelson Werneck Sodré para ser seu assistente no ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros). Ali conviveu com grandes intelectuais da época e foi um dos autores da Coleção História Nova do Brasil, produção do MEC e do ISEB, que revolucionou a historiografia no Brasil e teve sua publicação interrompida pela ditadura militar.

O golpe de 1964 obrigou Joel Rufino a pedir asilo político na Bolívia e, depois, no Chile. Viveu na semiclandestinidade ao regressar ao Brasil e esteve por três vezes na prisão. Das cartas que escreveu nessa época para Nelson Werneck Sodré, originou-se o livro para jovens “Quando eu Voltei, Tive uma Surpresa” (2000). A maior parte de seus trabalhos de ficção é destinada ao público mais novo; as exceções são os romances “Crônica de Indomáveis Delírios” (1991) e “Claros Sussurros de Celestes Ventos” (2012).

 

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Durante toda a sua vida, Joel Rufino foi um militante na luta pela justiça social, pelo fim do preconceito racial e pela valorização da cultura popular brasileira, notadamente a de matriz africana. Publicou dezenas de livros de História, crítica literária, ensaios e biografias, como a de Zumbi (1985) e a de Carolina Maria de Jesus (2009); escreveu para o teatro e para a televisão e ganhou inúmeros prêmios, entre eles o Jabuti. Lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela qual obteve o título de Doutor em Comunicação e Cultura. Foi subtitular da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras do Estado do Rio de Janeiro (1991-1992) e presidiu a Fundação Cultural Palmares.

Joel Rufino dos Santos faleceu em setembro de 2015, em decorrência de complicações após uma cirurgia. Seus livros podem ser consultados no Setor de Obras Gerais da Biblioteca Nacional.

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FBN | Série Documentos Literários – O Romance Abolicionista de Maria Firmina dos Reis

novembro 18, 2016

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No âmbito das comemorações do Mês da Consciência Negra, a Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia Maria Firmina dos Reis, a primeira mulher negra a escrever um romance no Brasil.

Nascida em São Luís (MA), em 1825, Maria Firmina não pertencia a uma família abastada, mas foi viver na casa de uma tia cuja situação lhe permitiu ter acesso aos estudos. Em 1847, foi aprovada num concurso para professora de primeiras letras, profissão que exerceu até 1881.

Em 1859, publicou o romance “Úrsula”, de temática abolicionista, que narra uma história de amor entre dois jovens, Úrsula e Tancredo. Seu nome foi omitido na primeira edição; a autora apareceu apenas como “Uma Maranhense”, seguindo uma tradição de anonimato bastante comum entre as poucas mulheres que publicaram livros na época. A própria escritora afirma que “pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados”.

 

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Com características folhetinescas no que se refere ao enredo e à narrativa, a obra, contudo, retrata com sensibilidade o drama dos escravos e afrodescendentes. É, por isso, considerada o primeiro romance abolicionista do Brasil, antecedendo, em mais de dez anos, “Vítimas-algozes”, de Joaquim Manuel de Macedo (1869) e “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães (1875).

Além desse livro, Maria Firmina dos Reis escreveu o romance “Gupeva”, de temática indigenista, e o livro de poemas “Cantos à Beira-Mar” (ambos de 1861). Publicou também o conto “A Escrava” e poemas em diversos jornais, tais como “A Imprensa”, “A Pacotilha” e “Diário do Maranhão”. Foi, ainda, compositora e folclorista. Em 1822, perto de se aposentar, fundou uma escola gratuita, que desagradou à sociedade por misturar alunos de ambos os sexos e acabou por ser fechada em três anos. A escritora faleceu no Maranhão em 1917, aos 92 anos.

O trabalho de Maria Firmina dos Reis permaneceu desconhecido do grande público até a década de 1970, quando foi reeditado. A Biblioteca Nacional tem exemplares de seu romance “Úrsula” e de “Cantos à Beira-Mar” na Seção de Obras Gerais, bem como vários periódicos em que ela publicou seus poemas, alguns dos quais podem ser consultados na Hemeroteca Digital.

 

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Consulte o acervo em: http://acervo.bn.br

Acesse, também, a Hemeroteca Digital no link: http://acervo.bn.br

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FBN | Série Documentos Literários – João da Cruz e Souza

novembro 11, 2016

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No âmbito das comemorações do mês da Consciência Negra, a série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta o poeta João da Cruz e Sousa, que nasceu em 24 de novembro de 1861, em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis (SC).

Cruz e Souza era filho de escravos alforriados e teve sua educação garantida pela família dos antigos senhores. Desde pequeno, o menino mostrou pendor para as letras, especialmente a poesia. Dos 10 aos 15 anos, estudou no Ateneu Provincial Catarinense, e, aos 16, começou a publicar seus primeiros versos. Aos 20, além de ter sido um dos fundadores do jornal literário “Colombo”, entrou para uma companhia teatral, percorrendo vários estados do Brasil.

De volta a Santa Catarina, Cruz e Sousa ficou durante algum tempo à frente do jornal “Tribuna Popular”, por meio do qual combateu a escravidão e o preconceito racial – o mesmo preconceito que, em 1883, o impediria de tomar posse como promotor de Laguna. Dois anos depois, passou a dirigir o semanário “O Moleque” e publicou um livro de poemas em prosa, “Tropos e Fantasias”, em parceria com Virgílio Várzea. Em 1890, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde colaborou em vários periódicos, sempre assumindo uma postura crítica em relação à política e às relações sociais.

Os livros mais conhecidos de Cruz e Sousa, “Missal” e “Broquéis”, foram publicados em 1893. No mesmo ano, o poeta se casou com Gavita Rosa Gonçalves, também descendente de escravos, com quem teve quatro filhos. Todos morreram de tuberculose, causando grande sofrimento ao casal e problemas de saúde a Gavita. Por fim, o próprio Cruz e Sousa foi vitimado pela doença, vindo a morrer no dia 19 de março de 1898, em Curral Novo (MG), onde buscava tratamento. As despesas do funeral foram pagas por amigos, entre eles José do Patrocínio.

Cruz e Sousa deixou vários poemas que seriam publicados em livros póstumos, sem que, contudo, alcançassem a importância de “Missal” e “Broquéis”, obras precursoras do Simbolismo no Brasil. A crítica internacional o considera um dos maiores expoentes do movimento nas letras ocidentais. Seus poemas, que lhe valeram as alcunhas de “Dante Negro” e “Cisne Negro”, caracterizam-se pelo uso de imagens fortes e evocativas, denotando uma grande sensibilidade e inquietações espirituais e metafísicas.

O documento que ilustra esta mostra é um catálogo da Exposição do Centenário de Nascimento de Cruz e Sousa, realizada na Biblioteca Nacional em 1961. A maior parte dos documentos expostos pertencia ao acervo do crítico José Cândido de Andrade Muricy (1895-1984).

Acesse-o em:
http://objdigital.bn.br/ace…/div_iconografia/icon1285853.pdf

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