Posts Tagged ‘Série Documentos Literários’

FBN | Documentos Literários – Aniversário de Bocage

setembro 15, 2017

bocage

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, lembra o aniversário do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Natural de Setúbal (Portugal), onde nasceu a 15 de setembro de 1765, Bocage é muito conhecido por seus versos satíricos, que lhe valeram a alcunha de “Poeta Maldito”. Sua obra, no entanto, compreende várias outras vertentes, indo desde os poemas bucólicos, influenciados pelo Arcadismo, até a lírica pré-romântica, em que o poeta se destacou, principalmente, pelos sonetos. Neles se liberta da rigidez e do formalismo arcádico e dá voz ao eu poético, de forma, por vezes arrebatadora, tanto que é considerado um dos três maiores autores portugueses de sonetos, ao lado de Camões e Antero de Quental.

Bocage faleceu em Lisboa, a 21 de dezembro de 1805, vítima de aneurisma. Sua morte e, posteriormente, os centenários de morte e nascimento deram ensejo a muitas homenagens em Portugal e no Brasil. Em 1886, o periódico carioca “A Semana” publicou um número dedicado ao poeta, com vários artigos que tratam de sua biografia e comentam sua obra. A primeira página é ilustrada com uma xilogravura de Alfredo Pinheiro sobre desenho de Bento Barbosa, ambos colaboradores frequentes do periódico.

A edição especial pode ser consultada na Hemeroteca Digital através do link: http://memoria.bn.br/pdf/383422/per383422_1886_00104.pdf

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FBN | Série Documentos Literários: 23 de junho – aclamação de D. Miguel como rei de Portugal

junho 23, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, recorda a aclamação de D. Miguel, irmão mais novo de D. Pedro I, que foi rei de Portugal entre 1828 e 1834.

Apelidado, no período em que ocupou o trono, de “Tradicionalista” e “Absolutista”, ou ainda “Absoluto”, D. Miguel (Queluz, Portugal, 1802 – Karlsruhe, Alemanha, 1866) é uma figura controversa na História de Portugal. De mentalidade conservadora e fortemente católico, esteve ao lado do pai, D. João VI, na revolução de 1823, conhecida como “Vilafrancada”, mas se revoltou a seguir e foi exilado em Viena. Para regressar a Portugal, aceitou um arranjo em que se casaria com sua sobrinha, Maria da Glória, em nome de quem D. Pedro havia abdicado do trono português; pouco depois, no entanto, convocou as Cortes Gerais do reino e se fez proclamar rei com o título de D. Miguel I. Para muitos isso foi visto como uma usurpação, mas Miguel tinha também seus apoiadores, segundo os quais a ascensão de D. Pedro ao trono do Brasil – agora reconhecido como um país independente – significava a perda de seus direitos de sucessão à coroa portuguesa.

O reinado de Miguel I foi marcado por motins em várias partes do país. As primeiras vitórias foram das tropas miguelistas; ele chegou a dominar todo o território português à exceção da Ilha Terceira, nos Açores, onde se refugiaram muitos de seus oponentes. Foi dos Açores também que, alguns anos mais tarde, D. Pedro I iniciaria sua ofensiva para retomar a coroa, apoiado por exércitos estrangeiros. A guerra se encerrou em 1834, com a abdicação de D. Miguel em favor de Maria da Glória – agora D. Maria II – e seu banimento de Portugal, onde nunca mais voltaria a pisar.

Durante a disputa pelo trono, quando buscava fortalecer sua posição por meio de reconhecimento internacional, Miguel fez publicar um longo manifesto em que argumentava a favor de seus direitos e alegava a ilegitimidade das pretensões do irmão e da sobrinha. A Divisão de Obras Gerais possui um exemplar, que pode ser consultado na íntegra através do link

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_obrasgerais/drg1334804/drg1334804.pdf

Também na BN Digital, duas cópias de uma mesma gravura de D. Miguel, pertencentes ao acervo da Divisão de Iconografia. Uma o identifica como “Regente dos Reinos de Portugal e Algarves e Lugar-Tenente de Sua Majestade Fidelíssima”, título que deteve brevemente, antes de tomar posse da coroa. A outra, evidentemente de tiragem posterior, está legendada em alemão e o chama de “Tirano de Portugal”.

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon552893.jpg

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#FBN #BN #DomMiguel#SérieDocumentosLiterários #BibliotecaNacional

FBN | Série Documentos Literários – O Decameron ilustrado por Tito Lessi

junho 17, 2017

A Série Documentos Literários continua a homenagear o escritor italiano Giovanni Boccaccio (1313 – 1375), considerado o fundador da novelística ocidental.

Em 1909, a editora florentina Fratelli Alinari publicou uma edição em fascículos do “Decameron”, ilustrada pelo prestigiado pintor italiano Tito Lessi (Florença, 1858 – 1917). Esgotada a tiragem, anunciou, em 1927, uma edição da obra completa, com  1.000 exemplares, sendo os primeiros 150 de luxo e numerados. Para isso, lançou uma subscrição, prática comum naquela época, na qual os assinantes se comprometiam a pagar previamente pela aquisição da obra.

A Fundação Biblioteca Nacional possui um anúncio publicitário da edição, surgida em 1928, e a respectiva folha de subscrição. Ambas se encontram sob a guarda da Divisão de Iconografia e podem ser consultadas na BN Digital pelo link

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1495474/icon1495474.pdf

FBN | Série Documentos Literários – O “Decameron” de Boccaccio

junho 16, 2017
 
A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia o escritor Giovanni Boccaccio, no seu aniversário de nascimento.
 
Filho de um mercador toscano, Boccaccio nasceu em Paris (16 de junho de 1313), mas logo se mudou com a família para Florença, onde passou a infância. Deveria seguir a carreira dos negócios, mas, apaixonado pelas letras desde cedo, acabou por estudar Direito Canônico em Nápoles. Ali teve acesso a manuscritos de poesia trovadoresca por intermédio do bibliotecário real, Paolo da Perugia, e conheceu discípulos daquele que seria seu grande mestre, Francesco Petrarca (1304 – 1374).
 
Boccaccio regressou à Toscana em 1341, trazendo uma série de poemas em que tratava de temas comuns nas novelas de cavalaria, mas com uma dose maior de realismo. Em 1348, em meio a uma epidemia de peste que grassava em Florença, refugiou-se em Nápoles, onde escreveu a maior e mais conhecida de suas obras: o “Decameron” (do grego “Dez Dias”), conjunto de cem narrativas que tratam de temas como o amor, a fortuna, a virtude, a traição, a religiosidade. Com influências de Dante e Petrarca, e dando nova roupagem a tramas que provinham de fábulas e contos populares, esse livro viria a ser considerado a base da novelística ocidental e inspiraria obras que por sua vez se tornariam marcos da literatura, tais como “The Canterbury Tales”, a coleção de novelas inglesas de Geoffrey Chaucer (1343 – 1400).
 
Giovanni Boccaccio escreveu até pouco antes de sua morte (Certaldo, 21 de dezembro de 1375), dedicando-se, além das novelas, a estudos clássicos e enciclopédicos. Entretanto, nenhum de seus trabalhos se tornou tão conhecido quanto o “Decameron”. Escrita em florentino e completada por volta de 1353, a obra, inicialmente, circulou em manuscritos diversos dentro dos círculos de mercadores e burgueses, sofrendo várias modificações. Petrarca, que Boccaccio conhecera pessoalmente em 1350, traduziu uma das novelas para o latim, usado pelos intelectuais, e logo surgiram outras traduções na Itália e fora dela.
 
O surgimento da imprensa auxiliou ainda mais na difusão do livro, que alcançou grande sucesso nos séculos XV e XVI. Isso continuou mesmo depois de ser incluído no “Índice dos livros proibidos” (1559) e ter passado por vários expurgos. Contemporaneamente, adaptações cinematográficas, destacando-se a de Pier Paolo Pasolini (1971), ajudaram a popularizar a obra, que foi traduzida em dezenas de línguas e é continuamente reeditada.
 
A Fundação Biblioteca Nacional possui uma edição de 1573 do “Decameron”, publicada na Stamperia dei Giunti, em Florença. Pertenceu à Real Biblioteca e está sob a guarda da Divisão de Obras Raras, podendo ser consultada pelo link
 

FBN | Série Documentos Literários – A Gramática de José de Anchieta

junho 9, 2017
A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia o Padre José de Anchieta no aniversário de sua morte.
 
Nascido a 19 de março de 1534, Anchieta era natural de San Cristóbal de la Laguna, na Ilha de Tenerife, arquipélago das Canárias. Sua mãe descendia de cristãos-novos, e seu pai, natural do país basco, era parente de Ignacio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, na qual José ingressou como noviço em 1551. Dois de seus doze irmãos também seguiram a vida religiosa.
 
Em julho de 1553, atendendo a um pedido de Manuel da Nóbrega, Provincial dos Jesuítas no Brasil, Anchieta desembarcou em Salvador, de onde partiria pouco depois rumo à Capitania de São Vicente. Ali permaneceu por doze anos, trabalhando com Manuel da Nóbrega junto aos índios, que a Companhia de Jesus se propunha catequizar. Em 1554 participou da fundação do Colégio de São Paulo, que serviria como núcleo para a cidade do mesmo nome. Também se envolveu na Confederação dos Tamoios, em que franceses e portugueses lutaram pela posse de terras, tendo como aliados índios de diferentes nações (1554 – 1567).
 
Em 1566, Anchieta foi finalmente ordenado padre. Dirigiu o Colégio dos Jesuítas no Rio de Janeiro entre 1570 e 1573 e foi Provincial da Companhia de Jesus no Brasil durante dez anos. Retirou-se em 1587, tendo ainda ficado à frente do Colégio de Vitória até 1595. Faleceu a 9 de junho de 1597 em Reritiba, atual Anchieta (RS). Foi beatificado pela Igreja Católica em 1980 e canonizado em 2014.
 
Conhecido como “apóstolo do Brasil”, Anchieta, a par de seu trabalho de catequese, compôs diversas peças teatrais, hinos, poemas e trabalhos de historiografia, escrevendo em quatro línguas: português, espanhol, latim e tupi. Dentre seus trabalhos, grandemente influenciados pela religiosidade cristã, merecem destaque o poema “De Beata Virgine dei Matre Maria”, ou “Poema à Virgem Maria” – que, segundo contam, teria sido escrito na areia da praia de Iperoig –, a epopeia renascentista “De Gestis Mendi de Saa”, ou seja, “A Saga de Mem de Sá”, publicada em Coimbra em 1563, e “A Arte de Grammatica da Lingoa Mais Usada na Costa do Brasil”, a primeira gramática da língua tupi, impressa também em Coimbra, por Antônio Mariz, em 1595.
 
“A Arte de Grammatica” é um dos primeiros documentos sobre as línguas dos povos americanos, e tanto recebeu elogios quanto críticas. Alguns estudiosos afirmam que a sistematização do idioma por Anchieta foi um trabalho magnífico, enquanto outros argumentam que o tupi contido na “Grammatica” não era uma língua original, e sim já influenciada pelo contato com os europeus, tendo além disso perdido força ao ser estudada dentro de um modelo latino. No entanto, estudos linguísticos mais modernos vão de encontro a essas afirmações, enfatizando o caráter pioneiro da obra de Anchieta e sua importância para o conhecimento do tupi falado no século XVI, além de fonte comparativa para o estudo de outras línguas da família tupi-guarani.
 
A Fundação Biblioteca Nacional possui um exemplar da primeira edição da “Arte de Grammatica”, pertencente à Coleção Thereza Christina Maria. O original está sob a guarda da Divisão de Obras Raras e pode ser consultado através do link da BN Digital
 

FBN | Série de Documentos Literários – Dois bilhetes de Giuseppe Garibaldi

junho 2, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta dois documentos assinados por Giuseppe Garibaldi (4 de julho de 1807 – 2 de junho de 1882), na ocasião do aniversário de sua morte.

Conhecido por seu papel na unificação da Itália, Garibaldi, curiosamente, nasceu em território pertencente à França: a região de Nice, que, na época, fazia parte do departamento francês dos Alpes Marítimos (pertenceu ao reino da Sardenha entre 1815 e 1860). Foi o segundo dos seis filhos de Domenico Garibaldi e Rosa Raimondi, que desejavam vê-lo seguir carreira acadêmica. Giuseppe, porém, preferia a vida ao ar livre e se tornou marinheiro, chegando a capitão da Marinha Mercante. Em 1833, entrou em contato com a sociedade secreta Jovem Itália, cujo objetivo era lutar pela unificação italiana; essa foi a maior das causas às quais Garibaldi passaria a dedicar sua vida.

Após uma fracassada insurreição da Sociedade Carbonária, Garibaldi se exilou no Rio de Janeiro. Lá travou contato com Luigi Rossetti, também ligado à Jovem Itália, com o qual viajou para o sul do país e se envolveu com a Revolução dos Farrapos, tornando-se comandante das operações por mar até a destruição da marinha farroupilha em Laguna (1839). Ali, Giuseppe conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, que se tornou sua companheira e passou à História com o nome de Anita Garibaldi (1821 – 1849). Ainda lutou no Uruguai antes de regressar à Itália, onde voltou a se envolver com as guerras da unificação e acabou por ser novamente exilado.

Garibaldi viajou pelo Pacífico e residiu nos Estados Unidos
antes de voltar à Europa. Foi marinheiro por algum tempo, depois se dedicou à agricultura; por fim, voltou ao cenário da guerra, da qual participou de forma intermitente durante as décadas seguintes. Lutou ainda pela França na guerra contra a Prússia e, já idoso, fundou a Liga da Democracia (1879). Morreu pacificamente em sua casa na ilha de Caprera, onde residia com a segunda esposa, Francesca Armosino. Por sua dedicação a tantas causas, não apenas na Itália mas em outros países, recebeu a alcunha de “Herói de Dois Mundos”.

A Biblioteca Nacional possui alguns documentos assinados por Garibaldi. Apresentamos dois deles, ambos datados do ano 1860. O primeiro é um salvo-conduto fornecido a Jean-Baptiste Henri Durand-Brager (1814-1879), pintor oficial da Marinha francesa. No prefácio de seu livro “Quatro meses da expedição de Garibaldi na Sicília e na Itália” (1861), Durand-Brager afirma ter conhecido o revolucionário no (rio da) Prata, uma das muitas partes do mundo que visitou e retratou em seus quadros. A obra narra uma parte da campanha de Garibaldi como comandante da chamada “Expedição dos Mil”, um episódio do movimento de unificação da Itália, que Durand-Brager diz ter presenciado e durante o qual, possivelmente, foi assinado o salvo-conduto.

O segundo documento também diz respeito a um pintor: o britânico Frank Vizetelly (1830-1883). Correspondente de guerra para “The Illustrated London News”, o primeiro jornal ilustrado do mundo, ele foi um dos maiores promotores da figura de Garibaldi, que retratou em diversos momentos e a quem se referia como um grande herói, “que faz e desfaz reis, um ousado revolucionário” (citação do livro “Garibaldi: invention of a hero” de Lucy Riall). Os dois se encontraram com certa frequência, como afirma o documento a que aludimos: um bilhete, em francês, no qual Garibaldi agradece a Vizetelly por sua presença amigável e pelo interesse na causa de seu país.

Ambos os documentos integram a Coleção José Carlos Rodrigues, que está sob a guarda da Divisão de Manuscritos.

FBN | Série Documentos Literários – Prosa e versos contra o Marquês de Pombal

maio 26, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta uma compilação de poemas e libelos contrários ao Marquês de Pombal, primeiro-ministro português durante o reinado de D. José I, cujas medidas políticas e econômicas afetaram também o Brasil.

Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa, 13/5/1699 – Pombal, 8/5/1782) era filho de um fidalgo sem grandeza, com propriedades em Leiria. Estudou Direito na Universidade de Coimbra e entrou para a carreira diplomática, tornando-se o representante da Coroa Portuguesa em Londres. Nessa época teriam germinado suas primeiras ideias políticas e planos para a economia, que viria a implementar em Portugal e em suas colônias. Mais tarde foi para Viena, onde mediou uma contenda entre a Áustria e a Santa Sé. Regressando a Lisboa, foi, após a morte de D. João V (1750), nomeado Secretário de Estado dos Negócios Interiores do Reino, um cargo equivalente ao de Primeiro-Ministro.

Daí em diante, ao longo de quase três décadas, Carvalho e Melo – que em 1759 recebeu o título de Conde de Oeiras e só em 1770 receberia o de Marquês de Pombal – governou com mão de ferro, inspirado pelo sistema inglês, cujos métodos tentou adotar a fim de incrementar a economia portuguesa. Entre suas medidas contam-se a reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1755, a abolição da escravatura nas Índias Portuguesas em 1761, a instituição da Real Mesa Censória, a reestruturação do exército, da marinha e da Universidade de Coimbra. No Brasil, promoveu uma reforma política, criou companhias de comércio, transferiu a capital de Salvador para o Rio de Janeiro (1763) e expulsou os jesuítas da colônia, tomando posse de suas terras, ao mesmo tempo que fundava escolas públicas laicas, as chamadas Aulas Régias.

O Marquês de Pombal permaneceu no poder até a morte de D. José I, em 1777. Foi destituído por D. Maria I e morreu tranquilamente em sua propriedade. É uma das figuras mais marcantes e controversas da História de Portugal, considerado pela maioria dos estudiosos um “déspota esclarecido”, que procurava combinar a monarquia absolutista com o racionalismo dos iluministas. Em sua época teve muitos admiradores e apoiadores, mas também inúmeros inimigos e críticos, sendo alvo de poemas satíricos, libelos difamatórios e cartas de acusação que frequentemente circulavam de forma anônima.

Este manuscrito é uma cópia não datada de alguns desses textos, possivelmente produzida nas últimas décadas do século XVIII ou nas primeiras do século XIX. Oferecida à Biblioteca Nacional pelo barão de Cotegipe, reúne, em 17 páginas, admoestações dirigidas a Carvalho e Melo, identificadas sob o título “Artigos em prosa e verso contra o marquês de Pombal e seu governo”. O original está sob a guarda da Divisão de Manuscritos. O documento pode ser consultado na íntegra através do link da BN Digital:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_16_026/mss_I_07_16_026.pdf

FBN | Série Documentos Literários – A Divina Comédia ilustrada por Amos Nattini

maio 21, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta uma das mais belas edições de “A Divina Comédia” existentes no acervo da Biblioteca Nacional.

Universalmente conhecido, Dante Alighieri (Florença, 1265 – Ravena, 1321) é tido como o primeiro poeta a escrever em italiano, quando o latim ainda era a língua mais utilizada na ciência e na literatura europeias. Dedicou-se desde jovem ao estudo da poesia, da filosofia e da teologia, participando das discussões entre místicos e escolásticos. Também teve uma breve carreira militar e participou da vida política, integrando o governo de Florença entre 1295 e 1300. No ano seguinte, em meio à disputa partidária entre os guelfos (que defendiam o papado) e os gibelinos (defensores do Sacro Império Romano-Germânico), deixou Florença, num exílio que acabaria se tornando perpétuo.

Durante o exílio, Dante escreveu seu genial poema épico-teológico, “A Divina Comédia”, repleto de alegorias e dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. O idioma original é o toscano, que acabou por se constituir na base da língua italiana “oficial” graças sobretudo ao alcance das obras de Dante e de outros escritores como Petrarca, Boccaccio e Maquiavel.

A primeira edição impressa de “A Divina Comédia” apareceu em Foligno, Itália, em 1472. No mesmo ano surgiriam outras duas, em Veneza e em Mântua. Desde então multiplicaram-se as edições em vários idiomas e países, muitas das quais ricamente ilustradas, com destaque para a de Gustave Doré (1868), pela editora francesa Hachette.

Em 1915, faltando poucos anos para o sexto centenário da morte de Dante, o pintor italiano Amos Nattini (Gênova, 1892 – Parma, 1985) trouxe à luz as primeiras pranchas com que ilustraria cada um dos cem cantos de “A Divina Comédia”. Os originais foram exibidos em várias cidades italianas e, mais tarde, reunidos numa luxuosa obra em três volumes, que saiu pelo Istituto Nazionale Dantesco, em edição numerada, entre os anos 1931 e 1948. Segundo críticos de arte, o trabalho de Nattini reinterpreta o poema de Dante à luz do momento histórico vivido pela Itália, que se debatia sob o fascismo e passava pelos rigores da guerra – e reafirma o poder da arte e da literatura perante a tirania e a opressão.

A Biblioteca Nacional possui um exemplar da obra em três volumes, que está sob a guarda da Divisão de Iconografia e disponível na Biblioteca Digital através dos links:

Inferno:

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1466282/icon1466282.pd

Purgatório:

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon40538/icon40538.pdf

Paraíso

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon40539/icon40539.pdf

Veja, também, o retrato de Dante a bico de pena por Henrique Goldschmidt, 1867-1952

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon1466285/icon1466285.jpg

#FBN #BN #ADivinaComédia #Dante #BibliotecaNacional

FBN | Série Documentos Literários – Brava Gente Brasileira: um Hino de Evaristo da Veiga

maio 12, 2017

 

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia Evaristo da Veiga, autor da letra do Hino da Independência, no aniversário de sua morte.

Evaristo Ferreira da Veiga e Barros (Rio de Janeiro, 8 de outubro de 1799 – 12 de maio de 1837) era filho de um professor português que, mais tarde, abriria uma livraria na rua da Alfândega, no centro da cidade. Estudante aplicado, era um ávido leitor das obras europeias vendidas na loja, interessando-se por jornalismo e pela impressão de livros. Dedicou-se, ainda, à poesia, com influência tardia dos poetas do Arcadismo. Vários de seus poemas de juventude homenageavam membros da Família Real e deixam claro que se considerava um súdito da Coroa portuguesa. Mais tarde, porém, aderiu ao crescente movimento pela independência do Brasil, o que ficou patente em seus versos e, especialmente, nos vários hinos que escreveu.

 

 

O mais famoso destes é o Hino da Independência, que não surgiu com esse nome, nem foi escrito após o Sete de Setembro. Na verdade, as tão conhecidas estrofes iniciadas com “Já podeis, filhos da Pátria” – e não “da Pátria filhos”, como em versões posteriores – foram escritas um mês antes da Independência, em agosto de 1822, sob o título “Hymno Constitucional Brasiliense”. O manuscrito teria sido musicado pelo maestro Marcos Portugal, que foi professor de música de d. Pedro I. Este, algum tempo depois, compôs uma nova música para aqueles versos, e chegou-se a pensar que também tinha escrito a letra, mas Evaristo da Veiga conseguiu provar sua autoria em 1833. Nessa época, já havia fundado seu próprio jornal, a “Aurora Fluminense” (que circulou entre 1827 e 1835), e se tornado um opositor do que denunciava como “a indiferença” por parte do Governo. Foi, ainda, deputado, defendendo até o fim da vida a Constituição Brasileira. Segundo Otávio Tarquínio de Souza, que escreveu sua biografia na coleção “História dos Fundadores do Império do Brasil” (1957), Evaristo da Veiga teve grande influência na política do seu tempo e contribuiu para criar um ambiente liberal nos primeiros anos da Regência.

O Hino da Independência foi deixado de lado por algum tempo, voltando a ser executado, com a música do maestro Portugal, a partir do centenário da Independência, em 1922. Mais tarde, os originais de cada hino foram estudados por uma comissão, da qual fez parte Heitor Villa-Lobos, e a melodia oficial passou a ser a composta por d. Pedro I.

O manuscrito original com a letra, ainda intitulado “Hymno Constitucional Brasiliense”, foi doado por Júlio B. Ottoni à Biblioteca Nacional juntamente com as letras de outros hinos escritos por Evaristo da Veiga. Os documentos se encontram sob a guarda da Divisão de Manuscritos. Um fac-símile do “Hymno” foi digitalizado e pode ser consultado no link da BN Digital:

http://objdigital.bn.br/…/mss_I_07_15_0…/mss_I_07_15_020.pdf

FBN | Série Documentos Literários – 28 de abril de 1842: nasce o Conde d’Eu

abril 28, 2017

 

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, cede espaço à História para lembrar o aniversário do conde d´Eu, marido de Isabel, princesa do Brasil.

Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston d´Orléans nasceu a 28 de abril de 1842 em Neuilly-sur-Seine, na França. Era o primeiro filho de Louis, duque de Nemours, e de Victoria de Saxe-Coburg Gotha. Ao nascer, recebeu o título de conde d´Eu, outorgado por seu avô paterno, Louis Philippe I, imperador dos franceses. Este viria a abdicar do trono durante a revolução de 1848 e a se exilar na Inglaterra, e o neto o acompanhou, juntamente com o restante da família.

Gaston teve uma educação esmerada, bastante severa por parte do pai. Aos treze anos iniciou sua carreira de armas, concluída em Segóvia, na Espanha. Participou da guerra do Marrocos, em 1859-60, e adquiriu certa fama como militar. Em 1864, de acordo com o costume vigente entre as famílias nobres, aceitou se casar com uma das duas filhas de d. Pedro II, imperador do Brasil. Em princípio sua esposa deveria ser a mais nova, Leopoldina, enquanto seu primo Luís Augusto de Saxe-Coburg e Gotha, duque de Saxe, iria se casar com Isabel; no entanto, os pares foram trocados, o que parece ter agradado a Gaston. Segundo ele escreveu a sua irmã:

“Acho-a (Isabel) mais capaz do que a irmã caçula de assegurar a minha felicidade doméstica; o país no qual ela deve ter sua residência principal não me desagradou; e eu vejo a possibilidade de tudo conciliar com viagens à Europa, a cuja duração e a cuja frequência não me impuseram nenhum limite.”

O casal de príncipes estava justamente na Europa, em lua de mel, quando se iniciou a guerra do Paraguai. D. Pedro II escreveu ao genro pedindo-lhe que regressasse ao Brasil e fosse se encontrar com ele e o duque de Saxe em Uruguaiana, onde, segundo observou o visconde de Taunay, o conde d´Eu demonstrou “grande interesse pelas coisas do Brasil, observando, perguntando, tudo visitando e tratando de colher minuciosas e exatas informações”. Desejava participar do confronto, mas d. Pedro fez com que o Conselho de Estado negasse seu pedido; só mais tarde, em 1869, seria nomeado comandante-em-chefe dos exércitos aliados. Sua atuação na Guerra do Paraguai é objeto de controvérsias por parte dos historiadores: alguns o apontam como responsável por crimes de guerra, incluindo o massacre de civis e a destruição de um hospital, enquanto outros refutam as alegações como sendo obra de seus muitos detratores e de inimigos da monarquia.

Nos anos após a guerra, Gaston d´Orléans, a quem o sogro negava participação efetiva nas decisões políticas, se tornou, assim como sua esposa, patrono das artes, da cultura e da educação. Preocupava-se também com a melhoria na organização do Exército e o aperfeiçoamento do material bélico. Segundo seus biógrafos, gostava de se comportar como um homem comum e de transmitir lições de simplicidade a seus filhos, mas, apesar disso – ou talvez, em parte, exatamente por isso – era bastante impopular aos olhos dos brasileiros. O historiador Ronaldo Vainfas atribui esse desfavor às críticas sofridas por Gaston por parte da imprensa republicana, notadamente Rui Barbosa.

Em 1889, com o advento da República, a família imperial se exilou em Portugal. O conde d´Eu permaneceu na Europa ao lado da esposa e dos filhos, vindo a morrer no dia 28 de agosto de 1822, a bordo de um navio que o trazia ao Brasil para a celebração do centenário da Independência. Seus restos mortais, juntamente com os da princesa Isabel, falecida em 1821, foram trasladados para o Brasil em 1971 e repousam na catedral de S. Pedro de Alcântara, em Petrópolis (RJ).

A Divisão de Iconografia possui um desenho a grafite que retrata, da esquerda para a direita, o conde d´Eu, d. Pedro II e o duque de Saxe em Uruguaiana, em 1865. A imagem, da autoria de Brás Inácio de Vasconcelos,  integra o “Álbum da Guerra do Paraguai”, que pode ser consultado acessando a BN Digital.

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