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FBN | Série Documentos Literários – Paraíba: um trecho manuscrito de Graciliano Ramos

janeiro 6, 2017

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Paraíba: um trecho manuscrito de Graciliano Ramos

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta algumas páginas de texto escrito para o livro “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos.

Um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos, nascido em Quebrângulo (AL) a 27 de outubro de 1892, Ramos foi o autor de romances como “Vidas Secas”, “Angústia”, “São Bernardo”, entre outros, além de livros de contos, crônicas e infanto-juvenis. Publicou também dois livros de cunho memorialístico: “Infância” (1945), em que conta sua história familiar e pessoal até os primeiros anos da juventude, e “Memórias do Cárcere”, publicado oito meses após a morte do autor, que ocorreu a 20 de março de 1953. Nesse livro ele faz o relato do período compreendido entre março de 1936 e janeiro de 1937, quando esteve preso por conta de seu envolvimento com o Partido Comunista.

Além de descrever uma série de acontecimentos impactantes, como a entrega de Olga Benário aos oficiais de extradição, “Memórias do Cárcere” apresenta uma variedade de tipos humanos impagáveis, quer entre os presos políticos, quer entre os prisioneiros comuns. Um deles era o vigarista conhecido como “Paraíba”, que explica detalhadamente o “golpe da velha doente” aplicado na rua a incautos.

Um manuscrito contendo uma versão inicial desse trecho do livro foi doado à Biblioteca Nacional por Clara Ramos, filha de Graciliano, em 1992. Traz correções feitas pelo autor – de quem se diz ter sido exageradamente crítico com seu próprio trabalho, fazendo alterações até alguns momentos antes que um livro entrasse no prelo – e é datado de 11 de junho de 1949. O original se encontra na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado através da BN Digital pelo link

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_13_007A/mss_I_07_13_007A.pdf

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Série Documentos Literários – O Rei que Deve Obrar Só: um poema de Muniz Barreto

dezembro 30, 2016

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta um poema satírico que teria sido recitado por Francisco Muniz Barreto, no teatro da Bahia, na presença de d. Pedro II.

Segundo as notas biográficas deixadas por seu filho Rozendo, Muniz Barreto nasceu em 1804, na vila de Jaguaripe (BA). Sua família o destinava aos estudos de Direito em Coimbra, mas os movimentos precursores da Independência o levaram a entrar para o exército, onde continuou até 1828. Datam dessa época seus primeiros poemas, classificados como “repentes”, que, ainda segundo seu filho e biógrafo, eram “tiros de sátira contra injustiças e grosserias do régulo”.  Viveu por algum tempo na Corte, trabalhando como redator do “Correio da Câmara dos Deputados”, e regressou à Bahia, onde foi nomeado 1º escriturário da Alfândega e onde viria a falecer em 1868.

Durante seus anos de vida, Muniz Barreto alcançou muita notoriedade, sendo considerado o maior poeta brasileiro do improviso. Sílvio Romero, que o mencionou em “História da Literatura Brasileira” (1888), relata como, ouvido o mote, ele se erguia e se punha quase imediatamente a recitar com segurança. O mesmo crítico afirma que seus poemas meditados, ou seja, não improvisados, reunidos em dois volumes intitulados “Clássicos e Românticos”, são os mais fracos de todos.

Em 1864, Muniz Barreto lançou uma coleção de teor inteiramente diferente, o “Álbum da Rapaziada”, composto por poemas fesceninos, isto é, de um teor erótico e satírico na mesma linha de Bocage e, principalmente, de Gregório de Mattos. A publicação não lhe trouxe o lucro que, no prefácio do livro, Barreto afirmou ser o seu objetivo, mas os poemas do “Álbum” costumam ser apreciados por seu humor satírico e pela crítica de costumes, que também se encontravam presentes nos poemas feitos de improviso.

O poema que apresentamos aqui estaria, à primeira vista, entre os encomiásticos –poemas escritos com a finalidade de homenagear pessoas ilustres – de que Muniz Barreto foi autor. Alguns deles foram publicados com a indicação de terem sido declamados em solenidades. Os versos, contudo, têm a clara intenção da crítica aos maus políticos, o que é feito de forma maliciosa, usando com duplo sentido o verbo “obrar” para se referir às atitudes do soberano:

 

Quero Rei que obre sozinho.

Obrar à vista da gente

Até parece indecente.

Não achas, rico Chiquinho?

Obre o Rei do povo em pró,

É justo, mas só por só.

Que os taes eleitos do povo

Tocando a sua matraca

Não valem meia pataca

Nem todos juntos um só.

Não óbrão do povo em pró

Como obraria o Rei só.

 

O manuscrito é proveniente da Coleção Mello Moraes e tem uma anotação em que se diz ter sido copiado pelo barão de Cayru. O original está na Divisão de Manuscritos, e o documento pode ser consultado no link: http://bit.ly/2hNs0Vc

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FBN | Série Documentos Literários – Cartões de Natal na Divisão de Manuscritos

dezembro 2, 2016
A Série Documentos Literários vem apresentar a exposição “Cartões de Natal na Divisão de Manuscritos”, organizada por Priscila Duarte, que ocupará a vitrine da Sala de Manuscritos a partir do dia 5 de dezembro e ficará até o final de 2016.

 

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O hábito de enviar felicitações no Natal e no Ano Novo é bem antigo nos países cristãos. No século XVII, na Alemanha, algumas famílias trocavam cartões com a imagem do Menino Jesus. Os cartões de Natal propriamente ditos, porém, surgiram no Reino Unido, em 1847, quando Sir Henry Cole, agente postal, e seu amigo, o artista John Horsley, criaram cartões ilustrados que eram vendidos a 1 shilling cada. O baixo preço e o fato de poderem ser enviados pela metade do valor de uma carta comum permitiram que o costume se popularizasse rapidamente.

 

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A venda dos cartões ganhou ainda mais impulso nas décadas de 1860 e 1870, com o aprimoramento da tecnologia de impressão. Nas décadas seguintes, o hábito se espalhou por vários países da Europa e das Américas, e a venda de cartões de Natal passou a ser usada por entidades filantrópicas como forma de angariar fundos. No que se refere ao Brasil, o uso dos cartões postais foi adotado em 1880, e é possível que, a exemplo do que ocorreu na Europa, eles logo tenham passado a ser impressos com motivos natalinos no período das festas.
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Esta mostra reúne alguns dos cartões postais existentes no acervo da Divisão de Manuscritos, com destaque para o de Maria Eugênia, enviado ao jornalista Mário Pedrosa e integrante da coleção do mesmo nome, e para os cartões de Poty – com a reprodução de uma gravura do artista –, Gilberto Freyre, Alceu Amoroso Lima e Luís Carlos Prestes, todos pertencentes à Coleção José Olympio.

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FBN | Série Documentos Literários – Joel Rufino dos Santos

novembro 25, 2016

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No âmbito das comemorações do Mês da Consciência Negra, a Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, homenageia o escritor e historiador Joel Rufino dos Santos.

Nascido em Cascadura (RJ), em 1941, Joel Rufino cresceu ouvindo as histórias contadas pela avó, encantando-se com as narrativas bíblicas – para ele, antes de tudo, um livro de contos maravilhosos – e lendo histórias em quadrinhos.  Formou-se em História e foi convidado por Nelson Werneck Sodré para ser seu assistente no ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros). Ali conviveu com grandes intelectuais da época e foi um dos autores da Coleção História Nova do Brasil, produção do MEC e do ISEB, que revolucionou a historiografia no Brasil e teve sua publicação interrompida pela ditadura militar.

O golpe de 1964 obrigou Joel Rufino a pedir asilo político na Bolívia e, depois, no Chile. Viveu na semiclandestinidade ao regressar ao Brasil e esteve por três vezes na prisão. Das cartas que escreveu nessa época para Nelson Werneck Sodré, originou-se o livro para jovens “Quando eu Voltei, Tive uma Surpresa” (2000). A maior parte de seus trabalhos de ficção é destinada ao público mais novo; as exceções são os romances “Crônica de Indomáveis Delírios” (1991) e “Claros Sussurros de Celestes Ventos” (2012).

 

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Durante toda a sua vida, Joel Rufino foi um militante na luta pela justiça social, pelo fim do preconceito racial e pela valorização da cultura popular brasileira, notadamente a de matriz africana. Publicou dezenas de livros de História, crítica literária, ensaios e biografias, como a de Zumbi (1985) e a de Carolina Maria de Jesus (2009); escreveu para o teatro e para a televisão e ganhou inúmeros prêmios, entre eles o Jabuti. Lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela qual obteve o título de Doutor em Comunicação e Cultura. Foi subtitular da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras do Estado do Rio de Janeiro (1991-1992) e presidiu a Fundação Cultural Palmares.

Joel Rufino dos Santos faleceu em setembro de 2015, em decorrência de complicações após uma cirurgia. Seus livros podem ser consultados no Setor de Obras Gerais da Biblioteca Nacional.

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FBN | Série Documentos Literários – O Romance Abolicionista de Maria Firmina dos Reis

novembro 18, 2016

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No âmbito das comemorações do Mês da Consciência Negra, a Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia Maria Firmina dos Reis, a primeira mulher negra a escrever um romance no Brasil.

Nascida em São Luís (MA), em 1825, Maria Firmina não pertencia a uma família abastada, mas foi viver na casa de uma tia cuja situação lhe permitiu ter acesso aos estudos. Em 1847, foi aprovada num concurso para professora de primeiras letras, profissão que exerceu até 1881.

Em 1859, publicou o romance “Úrsula”, de temática abolicionista, que narra uma história de amor entre dois jovens, Úrsula e Tancredo. Seu nome foi omitido na primeira edição; a autora apareceu apenas como “Uma Maranhense”, seguindo uma tradição de anonimato bastante comum entre as poucas mulheres que publicaram livros na época. A própria escritora afirma que “pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados”.

 

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Com características folhetinescas no que se refere ao enredo e à narrativa, a obra, contudo, retrata com sensibilidade o drama dos escravos e afrodescendentes. É, por isso, considerada o primeiro romance abolicionista do Brasil, antecedendo, em mais de dez anos, “Vítimas-algozes”, de Joaquim Manuel de Macedo (1869) e “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães (1875).

Além desse livro, Maria Firmina dos Reis escreveu o romance “Gupeva”, de temática indigenista, e o livro de poemas “Cantos à Beira-Mar” (ambos de 1861). Publicou também o conto “A Escrava” e poemas em diversos jornais, tais como “A Imprensa”, “A Pacotilha” e “Diário do Maranhão”. Foi, ainda, compositora e folclorista. Em 1822, perto de se aposentar, fundou uma escola gratuita, que desagradou à sociedade por misturar alunos de ambos os sexos e acabou por ser fechada em três anos. A escritora faleceu no Maranhão em 1917, aos 92 anos.

O trabalho de Maria Firmina dos Reis permaneceu desconhecido do grande público até a década de 1970, quando foi reeditado. A Biblioteca Nacional tem exemplares de seu romance “Úrsula” e de “Cantos à Beira-Mar” na Seção de Obras Gerais, bem como vários periódicos em que ela publicou seus poemas, alguns dos quais podem ser consultados na Hemeroteca Digital.

 

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Consulte o acervo em: http://acervo.bn.br

Acesse, também, a Hemeroteca Digital no link: http://acervo.bn.br

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FBN | Série Documentos Literários – João da Cruz e Souza

novembro 11, 2016

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No âmbito das comemorações do mês da Consciência Negra, a série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta o poeta João da Cruz e Sousa, que nasceu em 24 de novembro de 1861, em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis (SC).

Cruz e Souza era filho de escravos alforriados e teve sua educação garantida pela família dos antigos senhores. Desde pequeno, o menino mostrou pendor para as letras, especialmente a poesia. Dos 10 aos 15 anos, estudou no Ateneu Provincial Catarinense, e, aos 16, começou a publicar seus primeiros versos. Aos 20, além de ter sido um dos fundadores do jornal literário “Colombo”, entrou para uma companhia teatral, percorrendo vários estados do Brasil.

De volta a Santa Catarina, Cruz e Sousa ficou durante algum tempo à frente do jornal “Tribuna Popular”, por meio do qual combateu a escravidão e o preconceito racial – o mesmo preconceito que, em 1883, o impediria de tomar posse como promotor de Laguna. Dois anos depois, passou a dirigir o semanário “O Moleque” e publicou um livro de poemas em prosa, “Tropos e Fantasias”, em parceria com Virgílio Várzea. Em 1890, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde colaborou em vários periódicos, sempre assumindo uma postura crítica em relação à política e às relações sociais.

Os livros mais conhecidos de Cruz e Sousa, “Missal” e “Broquéis”, foram publicados em 1893. No mesmo ano, o poeta se casou com Gavita Rosa Gonçalves, também descendente de escravos, com quem teve quatro filhos. Todos morreram de tuberculose, causando grande sofrimento ao casal e problemas de saúde a Gavita. Por fim, o próprio Cruz e Sousa foi vitimado pela doença, vindo a morrer no dia 19 de março de 1898, em Curral Novo (MG), onde buscava tratamento. As despesas do funeral foram pagas por amigos, entre eles José do Patrocínio.

Cruz e Sousa deixou vários poemas que seriam publicados em livros póstumos, sem que, contudo, alcançassem a importância de “Missal” e “Broquéis”, obras precursoras do Simbolismo no Brasil. A crítica internacional o considera um dos maiores expoentes do movimento nas letras ocidentais. Seus poemas, que lhe valeram as alcunhas de “Dante Negro” e “Cisne Negro”, caracterizam-se pelo uso de imagens fortes e evocativas, denotando uma grande sensibilidade e inquietações espirituais e metafísicas.

O documento que ilustra esta mostra é um catálogo da Exposição do Centenário de Nascimento de Cruz e Sousa, realizada na Biblioteca Nacional em 1961. A maior parte dos documentos expostos pertencia ao acervo do crítico José Cândido de Andrade Muricy (1895-1984).

Acesse-o em:
http://objdigital.bn.br/ace…/div_iconografia/icon1285853.pdf

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FBN | Série Documentos Literários – Desenhos de Raul Pompeia para “O Ateneu”

outubro 28, 2016
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Na Semana do Livro e da Biblioteca, a Série Documentos Literários apresenta os desenhos de Raul Pompeia — que esteve à frente da Biblioteca Nacional por um curto espaço de tempo – feitos para ilustrar “O Ateneu”, seu mais famoso romance.

Raul Pompeia nasceu em 12 de abril de 1863, em Jacuecanga, município de Angra dos Reis (RJ). Seu pai, magistrado, era tido como severo e carrancudo. Aos onze anos, o futuro escritor foi matriculado num internato, o Colégio Abílio, do qual saiu em 1879 para estudar no Colégio Pedro II. Ainda como estudante, publicou seu primeiro romance, “Uma Tragédia no Amazonas”.

Terminados os estudos, Raul Pompeia foi para São Paulo, onde se matriculou na Faculdade de Direito. Os professores logo passaram a vê-lo com reservas, devido ao seu envolvimento com Luís Gama, a causa abolicionista e o movimento republicano. Em companhia de outros estudantes, como Raimundo Correia e Luís Murat, fundou várias gazetas, embora todas tenham tido poucos números. Em 1883, publicou novo romance, “As Joias da Coroa”. Dois anos depois, transferiu-se para a Faculdade de Direito do Recife a fim de completar o curso, regressando em seguida para o Rio de Janeiro, onde começou a escrever para vários jornais.
Como muitos romances naquela época, “O Ateneu” foi publicado de forma seriada num desses periódicos, a “Gazeta de Notícias”, entre janeiro e março de 1888. Após algumas modificações, ganhou uma primeira edição em livro, publicada pela própria “Gazeta”. Raul Pompeia continuou a escrever, mas sua atenção se voltava principalmente para a política e a vida pública. Em 1894, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional, cargo do qual seria demitido no ano seguinte pela mesma razão que o fizera romper várias amizades: seu apoio ao governo de Floriano Peixoto. O acúmulo de pressões o levou ao suicídio, na casa onde vivia com sua mãe, no dia 25 de dezembro de 1895.
“O Ateneu” foi bem recebido pela crítica desde o lançamento, havendo quem comparasse seu autor a Machado de Assis e aos estrangeiros Balzac, Zola e Flaubert. O historiador Capistrano de Abreu chegou a afirmar que se tratava do “livro mais forte escrito no Brasil até então”. De fato, a obra, um romance de características realistas e naturalistas, inova tanto na escrita quanto no tratamento que dá a questões como a homossexualidade, a angústia da solidão e do isolamento, e as distorções do sistema educacional. É, também, um romance de formação, que acompanha o amadurecimento e as reflexões do personagem “Sérgio”, possivelmente um alter ego de Raul Pompeia, durante sua passagem pelo internato “Ateneu”.
Os direitos do romance foram comprados pela Editora Alves & Cia., que, entretanto, só o publicaria em 1905, acompanhado dos desenhos feitos pelo próprio autor. De acordo com a editora, tratava-se de uma edição definitiva, impressa em Paris. Os desenhos foram reproduzidos em edições posteriores, e os originais foram doados pela editora à Biblioteca Nacional em 1907.
Os desenhos estão na Divisão de Iconografia e podem ser vistos acessando o link da BN Digital:
Para saber mais sobre a passagem de Raul Pompeia pela Biblioteca Nacional, leia o texto do pesquisador e servidor da instituição, Iuri Lapa:

FBN | Série Documentos Literários – “Fantásio”, pseudônimo de Olavo Bilac

outubro 21, 2016

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A Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta um poema assinado por “Fantasio”, um dos muitos pseudônimos de Olavo Bilac.

Tal como muitos escritores do século XIX, o poeta parnasiano (1865-1918) colaborou ativamente com jornais e revistas, e neles se utilizou de pseudônimos tais como “Puck”, “Brás Patife” e “Arlequim”. Alguns tinham inspiração nas cortes infernais, como “Mephisto”, “Belial” ou, ainda, “Diabo Coxo” e “Diabo Vesgo”. Segundo ele, sua intenção, ao usar pseudônimos, não era a de ocultar sua identidade, mas sim a de encarnar um personagem, um narrador que se adequasse à situação descrita na crônica ou no poema. O “Diabo Coxo”, por exemplo, afirmava ter o poder de se tornar invisível, com o que pôde comparecer – e, mais tarde, criticar – a um almoço oferecido pelo Ministério das Relações Exteriores a diplomatas estrangeiros, em julho de 1896.

“Fantasio”, um dos pseudônimos preferidos de Olavo Bilac, assinava poemas e crônicas em versos, tendo figurado muitas vezes no periódico “A Bruxa” (1896-1897). Os temas eram variados: literatura, política brasileira e internacional, campanhas como a do combate à febre amarela. No poema “Em Custódia”, datado de julho de 1894, o que o autor relata é a experiência de passar pela prisão, consequência de sua ferrenha oposição ao Marechal Floriano Peixoto. São versos duros, que traduzem amargura e desesperança:

Quatro prisões, quatro interrogatórios…
Há três anos que as solas dos sapatos
Gasto, a correr de Herodes a Pilatos,
Como Cristo, por todos os pretórios!

O poema foi escrito pelo próprio Olavo Bilac, mas, além de sua assinatura como “Fantasio”, traz também a de um amigo, o escritor Coelho Neto (1964-1934), com quem Bilac chegou a compartilhar outro pseudônimo, “Victor Leal”. Segundo anotação no verso, o documento acompanhava o livro “Poesias”.

O original está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e integra a Coleção Literatura. Pode ser consultado acessando o link da Biblioteca Digital:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_11_029/mss_I_07_11_029.pdf
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FBN | Série Documentos Literários – Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa

outubro 14, 2016

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A série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta uma cópia do poema Vila Rica, de Glauceste Satúrnio, pseudônimo usado pelo inconfidente Cláudio Manuel da Costa.

Nascido a 5 de junho de 1729, na vila de Ribeirão do Carmo, hoje pertencente a Mariana (MG), o poeta era filho de uma brasileira e de um minerador português. Como a maioria dos jovens da elite colonial, estudou em Coimbra, onde escreveu seus primeiros poemas sob a influência do estilo barroco. De regresso ao Brasil, dedicou-se à advocacia, tendo exercido os cargos de procurador da Coroa, desembargador e secretário de Estado. Era um homem influente, bem relacionado, que desfrutava de uma vida confortável.

A participação de Cláudio Manuel da Costa no movimento de inconfidência suscita discussões por parte dos historiadores. Uns dizem que ele não teria passado de um espectador, enquanto outros sustentam que forneceu as bases teóricas para a conspiração, inspiradas no movimento iluminista, que conhecia muito bem. Sua morte, que ocorreu em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG), a 4 de julho de 1789, é o alvo das maiores polêmicas. Os documentos oficiais relatam que o poeta se enforcou na prisão, mas a posição em que foi encontrado e o fato de a sua morte ser conveniente para várias pessoas ligadas ao poder – em especial o visconde de Barbacena, governador de Minas Gerais – fazem com que alguns estudiosos afirmem que o suicídio foi uma farsa criada para encobrir um assassinato.

Vila Rica é o poema mais conhecido de Cláudio Manuel da Costa. A estrutura é a de um poema épico clássico, ou epopeia, e se assemelha à de outro poema brasileiro do mesmo período, O Uraguai, de Basílio da Gama, publicado em 1769. Ambos são representantes do movimento conhecido como arcadismo, que valoriza a vida no campo, se utiliza de personagens mitológicas e, no Brasil, trata de temas da história colonial, introduzindo o indígena como personagem.  É assim que, em Vila Rica, aparecem tanto o Curupira quanto as ninfas do Tejo, bem como o Gênio da Terra, uma criação do autor que representa a tentativa de conciliar os elementos nativos, “selvagens”, e as intenções civilizadoras de Albuquerque, o herói do poema, fundador de Vila Rica.

 

Cantemos, Musa, a fundação primeira
Da Capital das Minas, onde inteira
Se guarda ainda, e vive inda a memória
Que enche de aplauso de Albuquerque a história.


O códice apresentado, uma cópia manuscrita, possivelmente do século XVIII, foi comprado de F. Roiz de Paiva em 1901, pela quantia de 40$000 (quarenta mil réis). Está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e disponível para consulta na BN Digital pelo link abaixo:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1255459/mss1255459.pdf

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