Posts Tagged ‘Série Documentos Literários’

FBN | Série Documentos Literários – 28 de abril de 1842: nasce o Conde d’Eu

abril 28, 2017

 

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, cede espaço à História para lembrar o aniversário do conde d´Eu, marido de Isabel, princesa do Brasil.

Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston d´Orléans nasceu a 28 de abril de 1842 em Neuilly-sur-Seine, na França. Era o primeiro filho de Louis, duque de Nemours, e de Victoria de Saxe-Coburg Gotha. Ao nascer, recebeu o título de conde d´Eu, outorgado por seu avô paterno, Louis Philippe I, imperador dos franceses. Este viria a abdicar do trono durante a revolução de 1848 e a se exilar na Inglaterra, e o neto o acompanhou, juntamente com o restante da família.

Gaston teve uma educação esmerada, bastante severa por parte do pai. Aos treze anos iniciou sua carreira de armas, concluída em Segóvia, na Espanha. Participou da guerra do Marrocos, em 1859-60, e adquiriu certa fama como militar. Em 1864, de acordo com o costume vigente entre as famílias nobres, aceitou se casar com uma das duas filhas de d. Pedro II, imperador do Brasil. Em princípio sua esposa deveria ser a mais nova, Leopoldina, enquanto seu primo Luís Augusto de Saxe-Coburg e Gotha, duque de Saxe, iria se casar com Isabel; no entanto, os pares foram trocados, o que parece ter agradado a Gaston. Segundo ele escreveu a sua irmã:

“Acho-a (Isabel) mais capaz do que a irmã caçula de assegurar a minha felicidade doméstica; o país no qual ela deve ter sua residência principal não me desagradou; e eu vejo a possibilidade de tudo conciliar com viagens à Europa, a cuja duração e a cuja frequência não me impuseram nenhum limite.”

O casal de príncipes estava justamente na Europa, em lua de mel, quando se iniciou a guerra do Paraguai. D. Pedro II escreveu ao genro pedindo-lhe que regressasse ao Brasil e fosse se encontrar com ele e o duque de Saxe em Uruguaiana, onde, segundo observou o visconde de Taunay, o conde d´Eu demonstrou “grande interesse pelas coisas do Brasil, observando, perguntando, tudo visitando e tratando de colher minuciosas e exatas informações”. Desejava participar do confronto, mas d. Pedro fez com que o Conselho de Estado negasse seu pedido; só mais tarde, em 1869, seria nomeado comandante-em-chefe dos exércitos aliados. Sua atuação na Guerra do Paraguai é objeto de controvérsias por parte dos historiadores: alguns o apontam como responsável por crimes de guerra, incluindo o massacre de civis e a destruição de um hospital, enquanto outros refutam as alegações como sendo obra de seus muitos detratores e de inimigos da monarquia.

Nos anos após a guerra, Gaston d´Orléans, a quem o sogro negava participação efetiva nas decisões políticas, se tornou, assim como sua esposa, patrono das artes, da cultura e da educação. Preocupava-se também com a melhoria na organização do Exército e o aperfeiçoamento do material bélico. Segundo seus biógrafos, gostava de se comportar como um homem comum e de transmitir lições de simplicidade a seus filhos, mas, apesar disso – ou talvez, em parte, exatamente por isso – era bastante impopular aos olhos dos brasileiros. O historiador Ronaldo Vainfas atribui esse desfavor às críticas sofridas por Gaston por parte da imprensa republicana, notadamente Rui Barbosa.

Em 1889, com o advento da República, a família imperial se exilou em Portugal. O conde d´Eu permaneceu na Europa ao lado da esposa e dos filhos, vindo a morrer no dia 28 de agosto de 1822, a bordo de um navio que o trazia ao Brasil para a celebração do centenário da Independência. Seus restos mortais, juntamente com os da princesa Isabel, falecida em 1821, foram trasladados para o Brasil em 1971 e repousam na catedral de S. Pedro de Alcântara, em Petrópolis (RJ).

A Divisão de Iconografia possui um desenho a grafite que retrata, da esquerda para a direita, o conde d´Eu, d. Pedro II e o duque de Saxe em Uruguaiana, em 1865. A imagem, da autoria de Brás Inácio de Vasconcelos,  integra o “Álbum da Guerra do Paraguai”, que pode ser consultado acessando a BN Digital.

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FBN | Série Documentos Literários – 14 de abril de 1857: nasce Aluísio de Azevedo

abril 14, 2017

 

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia o escritor Aluísio de Azevedo em seu aniversário de nascimento.

Mais conhecido por sua obra literária e, especialmente, pelo romance “O Cortiço”, Aluísio Tancredo Belo Gonçalves de Azevedo (São Luís, 14 de abril de 1857 — Buenos Aires, 21 de janeiro de 1913) foi também cronista, jornalista, pintor e diplomata. Era filho de David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul português, e irmão do dramaturgo e jornalista Artur Azevedo, com o qual escreveria algumas peças a quatro mãos. Estudou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e trabalhou como caricaturista em jornais como O Mequetrefe e A Semana Ilustrada.

Com a morte do pai, Aluísio de Azevedo regressou ao Maranhão, onde publicou seus primeiros romances, “Uma Lágrima de Mulher” (1879), obra de cunho romântico e sentimental, e “O Mulato” (1881). Este foi lançado em plena campanha abolicionista e provocou um choque na sociedade, pelas denúncias relativas à questão racial. O livro porém,, fez sucesso na Corte, para onde o escritor se transferiu alguns anos mais tarde e onde publicou vários outros trabalhos. A estética naturalista de “O Mulato”, influenciada principalmente por Émile Zola (1840-1902), autor de obras como “Germinal” e “A Besta Humana”, voltou a aparecer em livros como “Casa de Pensão” (1884), inspirado numa crônica policial, e “O Cortiço” (1890), considerado por muitos sua obra-prima, no qual retrata com realismo e uma certa crueza vários temas considerados tabu: a homossexualidade, o adultério e, mais uma vez, as relações interraciais.

 

 

Em 1895, o escritor se tornou diplomata, servindo em países europeus, no Japão – onde fez muitos apontamentos, mais tarde reunidos em livro, que seria publicado em 1984 –, no Paraguai e na Argentina, onde viria a falecer. Por iniciativa de Coelho Neto, seu confrade na Academia Brasileira de Letras, seus restos mortais foram transferidos de Buenos Aires para a capital maranhense, São Luís, onde estão até hoje.

O conjunto da obra de Aluísio de Azevedo inclui contos, crônicas, poemas e peças teatrais, algumas delas tidas como excessivamente românticas, outras consideradas como trabalhos de cunho comercial. Os mais conhecidos, porém, bastam para afirmá-lo como um dos grandes nomes da Literatura Brasileira.
A Biblioteca Nacional possui um dos primeiros mil exemplares impressos de “O Cortiço”, publicado em 1890 pela Editora Garnier.

O original está sob a guarda na Divisão de Obras Raras, e a obra pode ser consultada através do link da BN Digital :

http://bit.ly/2oXTA9J

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FBN | Série Documentos Literários – “Opusculo Humanitario” de Nísia Floresta

março 17, 2017

No mês de março, dedicado à luta das mulheres pela igualdade de direitos, a Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, traz uma obra de Nísia Floresta, precursora do feminismo no Brasil.

 
Dionísia Gonçalves Pinto nasceu em 1810 em Papari, RN (que hoje tem o nome de Nísia Floresta em sua homenagem). Filha de português e brasileira, viveu em Recife, onde publicou seus primeiros artigos no jornal “Espelho das brasileiras”, e em Porto Alegre, onde se tornou amiga de Anita e Giuseppe Garibaldi. Com a eclosão da Revolução Farroupilha, Dionísia, viúva do segundo casamento, se mudou para o Rio de Janeiro, onde fundou o Colégio Augusto, na Rua do Paço Imperial. O nome da escola homenageava o falecido marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, e também seria incorporado ao pseudônimo usado pela autora: Nísia Floresta Brasileira Augusta.
 
Fundado em 1838, o Colégio Augusto era dedicado à educação de meninas, oferecendo disciplinas até então reservadas apenas aos estudantes do sexo masculino, tais como as Ciências, o Latim, a História e a Educação Física. Nísia foi, por isso, duramente criticada, inclusive por meio de jornais de ampla circulação na Corte:
 
“Trabalhos de língua não faltaram, os de agulha ficaram no escuro. Os maridos precisam de mulher que trabalhe mais e fale menos”. (“O Mercantil”, 2 de janeiro de 1847)
 
Não obstante a campanha difamatória e as várias polêmicas em que se viu envolvida, Nísia Floresta não abandonou sua luta pela educação feminina, quer no colégio, que funcionou durante 17 anos, quer em seus escritos e discursos. Foi autora de vários artigos, ensaios, poemas, novelas e relatos de viagem. Seus trabalhos mais conhecidos são “Direitos das mulheres e injustiças dos homens” (1832) — tradução livre de “Vindications of the rights of woman”, da inglesa Mary Wollstonecraft, na qual Nísia Floresta reflete sobre a ideologia exposta pela feminista inglesa, adaptando-a à realidade da sociedade patriarcal brasileira –; “Conselhos à minha filha” (1842), escrito como presente de aniversário para sua filha Lívia Augusta; e “Opúsculo humanitário”, coletânea de 62 artigos sobre a educação e a condição feminina desde a Antiguidade, publicada em 1853.
 
A partir de 1849, Nísia Floresta viveu na Europa, principalmente em Paris, com breves períodos de retorno ao Brasil. No exterior, onde encontrou mais receptividade para suas ideias, continuou a escrever e a se manifestar a favor da emancipação feminina, além de outras causas como a abolição da escravatura e o direito dos índios à sua identidade. Manteve intensa correspondência com o fundador do Positivismo, Auguste Comte, que fez apreciações elogiosas a seu trabalho. Faleceu de pneumonia em Rouen, na França, em 1885, quando, segundo sua biógrafa Constância Duarte (“Nísia Floresta, vida e obra”, 1995), os norte-rio-grandenses ainda se diziam envergonhados de ser conterrâneos de uma mulher tida como indecorosa e transgressora.
 
A Divisão de Obras Gerais da Biblioteca Nacional possui um exemplar de “Opúsculo Humanitário”, que pode ser consultado no link da BN Digital:

FBN | Documentos Literários – A Inundação do Parahyba em 1841 : Poemeto Heroico

fevereiro 10, 2017

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta o poemeto “A Inundação do Parahyba em 1841”, de Francisco José Moreira Ribeirão.

Segundo o “Diccionario Bibliographico Brazileiro”, de Sacramento Blake, o autor nasceu em 1815 na cidade de Campos, RJ, e veio bem pequeno para a capital. Seu pai o destinava ao trabalho no comércio, mas, em vista de seu filho demonstrar pendores literários, decidiu que deveria se tornar padre. Francisco não concordou, pelo que teve a mesada suspensa. Com a morte do pai, pouco tempo depois, ele regressou a Campos, onde se casou e trabalhou como solicitador, vindo a falecer a 26 de junho de 1885.

 

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Além de “A Innundação do Parahyba”, que afirma ser um “poemeto heroico”, o autor publicou as “Notas biographicas de frei Rodrigo de S. José Pereira” e alguns poemas no jornal “O Monitor Campista”. Sobre o primeiro título, Sacramento Blake afirma ter sido publicado em 1833, quando o autor contava apenas 18 anos; o impresso, porém, traz a data 1842, sendo que a inundação teria ocorrido em 1841.

O livreto, impresso em Campos, se inicia com um soneto escrito por Francisco aos dezesseis anos de idade. Na última página, uma informação curiosa: até 1842, mesmo ano de publicação do impresso, o autor se assinava “Francisco José Dias Moreira” e não “Francisco José Moreira Ribeirão”, conforme anunciou n´ “O Monitor Campista”.

O poemeto heroico está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e pode ser consultado acessando o link: http://objdigital.bn.br/…/mss_I_07_…/mss_I_07_13_010_001.pdf

#FBN #BibliotecaNacional #DocumentosLiterários #Parahyba #Poemeto

FBN | Documentos Literários – Cartão de Erico Veríssimo a Nelson Werneck Sodré

fevereiro 3, 2017

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta um cartão enviado a Nelson Werneck Sodré pelo escritor gaúcho Erico Veríssimo.

Nelson Werneck Sodré (Rio de Janeiro, 27/4/1911 – Itu, 13/1/1999) foi militar, historiador, ensaísta e crítico literário. Durante toda a sua vida defendeu a causa da soberania nacional, com ativa participação em sindicatos, associações civis e militares e movimentos como a campanha “O Petróleo É Nosso”, além de professor na Escola de Comando e Estado Maior do Exército e no ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros.

Ao longo de mais de setenta anos, Nelson Werneck Sodré publicou cinquenta e dois livros e 2.682 artigos em jornais e revistas. Extremamente organizado, colecionou todas as publicações em periódicos numa série de fichários, desde a crônica “Um Dia”– que publicou em “A Aspiração”, revista do Colégio Militar, com apenas 13 anos de idade – até “A Marcha para a Ditadura”, artigo em que critica o neoliberalismo, publicado em novembro de 1996 no jornal “Inverta”.

Nelson Werneck Sodré se destacou também nos campos da educação, da comunicação e, ainda, da crítica literária. Resenhou e fez apreciações de centenas de romances e livros de contos. Dentre eles, o romance “Saga”, de Erico Veríssimo (1905-1975), cuja resenha apareceu na coluna “Livros Novos” do jornal “Correio Paulistano” a 8 de setembro de 1940. Sodré afirma que o autor prosseguiu com sua intenção de conclamar os leitores a visar os altos valores morais, o que já fizera em “Olhai os Lírios do Campo” (1938). Elogia as qualidades do narrador, Vasco, e aponta alguns problemas na construção do livro.

Alguns dias depois, a 26 de setembro de 1940, o autor gaúcho escreveu um cartão que remeteu a Nelson Werneck Sodré, dizendo ter ficado com a impressão de havê-lo encontrado e agradecendo pela resenha, que considera “uma das mais equilibradas” que já leu a respeito do livro. O cartão foi guardado pelo destinatário e integra a Coleção Nelson Werneck Sodré, doada pelo autor à Biblioteca Nacional nos anos 1990 e mais tarde complementada com documentos doados por sua filha, Olga Sodré.

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A coleção original, incluindo os fichários com recortes de periódicos, está sob a guarda da Divisão de Manuscritos. O cartão de Erico Veríssimo pode ser acessado pela BN Digital, no endereço: http://bit.ly/2k4IdJt

 

FBN | Série Documentos Literários – Páginas de Balzac

janeiro 27, 2017

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta uma carta e um impresso com correções manuscritas feitas pelo escritor francês Honoré de Balzac.

Balzac (Tours, 20 de maio de 1799 – Paris, 18 de agosto de 1850) foi um célebre escritor francês, reconhecido por sua vasta produção e pela profunda análise da natureza humana de seus contos e romances. A análise balzaquiana, refletida na sociedade francesa, partia de um espírito ao mesmo tempo científico e filosófico.

Além de escritor, de quem se conta ter atravessado inúmeras madrugadas escrevendo à luz de velas e tomando xícara após xícara de café, Balzac foi também editor, impressor e proprietário de uma fábrica de tipos para impressão, comprada de Joseph-Gaspard Gillé em 1827. A empresa não deu certo, e o artista voltou a seu ofício inicial, mas a experiência foi registrada no romance “Ilusões Perdidas”, em que um dos protagonistas é um pequeno impressor no interior da França.

Quase toda a obra de Balzac no campo da ficção está reunida no conjunto denominado por ele próprio “A Comédia Humana”, o que sugere um contraponto à conhecida obra de Dante. São 95 narrativas completas e 48 inconclusas, divididas em três partes: “Estudos de Costumes”, “Estudos Filosóficos” e “Estudos Analíticos”. O conjunto inclui romances universalmente conhecidos, como “A Mulher de Trinta Anos” (1832), “Eugênia Grandet” (1834) e “As Ilusões Perdidas” (publicado em três partes, de 1837 a 1843). Em suas páginas, Balzac dá vida a mais de 2.000 personagens, que podem se entrecruzar ao longo de diferentes romances.

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Em 1942, o escritor austríaco Stefan Zweig doou à Biblioteca Nacional uma carta original de Honoré de Balzac ao Sr. Casimir, na qual solicita as provas tipográficas de seu livro “Melmoth Apaziguado” (1835), e uma página de prova tipográfica de um texto de não-ficção, com correções e apontamentos feitos por Balzac.

Os documentos se encontram na Divisão de Manuscritos e podem ser acessados pelos links:

Prova tipográfica:
http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss24_1942/mss24_1942.pdf

Carta:
http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1255451/mss1255451.pdf

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FBN | Série Documentos Literários – Paraíba: um trecho manuscrito de Graciliano Ramos

janeiro 6, 2017

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Paraíba: um trecho manuscrito de Graciliano Ramos

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta algumas páginas de texto escrito para o livro “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos.

Um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos, nascido em Quebrangulo (AL) a 27 de outubro de 1892, Ramos foi o autor de romances como “Vidas Secas”, “Angústia”, “São Bernardo”, entre outros, além de livros de contos, crônicas e infanto-juvenis. Publicou também dois livros de cunho memorialístico: “Infância” (1945), em que conta sua história familiar e pessoal até os primeiros anos da juventude, e “Memórias do Cárcere”, publicado oito meses após a morte do autor, que ocorreu a 20 de março de 1953. Nesse livro ele faz o relato do período compreendido entre março de 1936 e janeiro de 1937, quando esteve preso por conta de seu envolvimento com o Partido Comunista.

Além de descrever uma série de acontecimentos impactantes, como a entrega de Olga Benário aos oficiais de extradição, “Memórias do Cárcere” apresenta uma variedade de tipos humanos impagáveis, quer entre os presos políticos, quer entre os prisioneiros comuns. Um deles era o vigarista conhecido como “Paraíba”, que explica detalhadamente o “golpe da velha doente” aplicado na rua a incautos.

Um manuscrito contendo uma versão inicial desse trecho do livro foi doado à Biblioteca Nacional por Clara Ramos, filha de Graciliano, em 1992. Traz correções feitas pelo autor – de quem se diz ter sido exageradamente crítico com seu próprio trabalho, fazendo alterações até alguns momentos antes que um livro entrasse no prelo – e é datado de 11 de junho de 1949. O original se encontra na Divisão de Manuscritos e pode ser consultado através da BN Digital pelo link

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_13_007A/mss_I_07_13_007A.pdf

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Série Documentos Literários – O Rei que Deve Obrar Só: um poema de Muniz Barreto

dezembro 30, 2016

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A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta um poema satírico que teria sido recitado por Francisco Muniz Barreto, no teatro da Bahia, na presença de d. Pedro II.

Segundo as notas biográficas deixadas por seu filho Rozendo, Muniz Barreto nasceu em 1804, na vila de Jaguaripe (BA). Sua família o destinava aos estudos de Direito em Coimbra, mas os movimentos precursores da Independência o levaram a entrar para o exército, onde continuou até 1828. Datam dessa época seus primeiros poemas, classificados como “repentes”, que, ainda segundo seu filho e biógrafo, eram “tiros de sátira contra injustiças e grosserias do régulo”.  Viveu por algum tempo na Corte, trabalhando como redator do “Correio da Câmara dos Deputados”, e regressou à Bahia, onde foi nomeado 1º escriturário da Alfândega e onde viria a falecer em 1868.

Durante seus anos de vida, Muniz Barreto alcançou muita notoriedade, sendo considerado o maior poeta brasileiro do improviso. Sílvio Romero, que o mencionou em “História da Literatura Brasileira” (1888), relata como, ouvido o mote, ele se erguia e se punha quase imediatamente a recitar com segurança. O mesmo crítico afirma que seus poemas meditados, ou seja, não improvisados, reunidos em dois volumes intitulados “Clássicos e Românticos”, são os mais fracos de todos.

Em 1864, Muniz Barreto lançou uma coleção de teor inteiramente diferente, o “Álbum da Rapaziada”, composto por poemas fesceninos, isto é, de um teor erótico e satírico na mesma linha de Bocage e, principalmente, de Gregório de Mattos. A publicação não lhe trouxe o lucro que, no prefácio do livro, Barreto afirmou ser o seu objetivo, mas os poemas do “Álbum” costumam ser apreciados por seu humor satírico e pela crítica de costumes, que também se encontravam presentes nos poemas feitos de improviso.

O poema que apresentamos aqui estaria, à primeira vista, entre os encomiásticos –poemas escritos com a finalidade de homenagear pessoas ilustres – de que Muniz Barreto foi autor. Alguns deles foram publicados com a indicação de terem sido declamados em solenidades. Os versos, contudo, têm a clara intenção da crítica aos maus políticos, o que é feito de forma maliciosa, usando com duplo sentido o verbo “obrar” para se referir às atitudes do soberano:

 

Quero Rei que obre sozinho.

Obrar à vista da gente

Até parece indecente.

Não achas, rico Chiquinho?

Obre o Rei do povo em pró,

É justo, mas só por só.

Que os taes eleitos do povo

Tocando a sua matraca

Não valem meia pataca

Nem todos juntos um só.

Não óbrão do povo em pró

Como obraria o Rei só.

 

O manuscrito é proveniente da Coleção Mello Moraes e tem uma anotação em que se diz ter sido copiado pelo barão de Cayru. O original está na Divisão de Manuscritos, e o documento pode ser consultado no link: http://bit.ly/2hNs0Vc

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FBN | Série Documentos Literários – Cartões de Natal na Divisão de Manuscritos

dezembro 2, 2016
A Série Documentos Literários vem apresentar a exposição “Cartões de Natal na Divisão de Manuscritos”, organizada por Priscila Duarte, que ocupará a vitrine da Sala de Manuscritos a partir do dia 5 de dezembro e ficará até o final de 2016.

 

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O hábito de enviar felicitações no Natal e no Ano Novo é bem antigo nos países cristãos. No século XVII, na Alemanha, algumas famílias trocavam cartões com a imagem do Menino Jesus. Os cartões de Natal propriamente ditos, porém, surgiram no Reino Unido, em 1847, quando Sir Henry Cole, agente postal, e seu amigo, o artista John Horsley, criaram cartões ilustrados que eram vendidos a 1 shilling cada. O baixo preço e o fato de poderem ser enviados pela metade do valor de uma carta comum permitiram que o costume se popularizasse rapidamente.

 

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A venda dos cartões ganhou ainda mais impulso nas décadas de 1860 e 1870, com o aprimoramento da tecnologia de impressão. Nas décadas seguintes, o hábito se espalhou por vários países da Europa e das Américas, e a venda de cartões de Natal passou a ser usada por entidades filantrópicas como forma de angariar fundos. No que se refere ao Brasil, o uso dos cartões postais foi adotado em 1880, e é possível que, a exemplo do que ocorreu na Europa, eles logo tenham passado a ser impressos com motivos natalinos no período das festas.
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Esta mostra reúne alguns dos cartões postais existentes no acervo da Divisão de Manuscritos, com destaque para o de Maria Eugênia, enviado ao jornalista Mário Pedrosa e integrante da coleção do mesmo nome, e para os cartões de Poty – com a reprodução de uma gravura do artista –, Gilberto Freyre, Alceu Amoroso Lima e Luís Carlos Prestes, todos pertencentes à Coleção José Olympio.

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