FBN | 8 de março: Dia Internacional da Mulher



Até o início do século XIX – quando em alguns países europeus os costumes se transformavam, e as mulheres já participavam, embora como coadjuvantes, dos grandes acontecimentos políticos –, quem chegasse ao Brasil podia ter a enganosa sensação de estar numa terra sem mulheres.

Apenas as escravas, vistas também como meios de ganho de seus senhores, é que frequentavam, em suas lides diárias, o espaço público. Os registros de artistas, como Carlos Julião e Debret, e da maioria dos viajantes ao Brasil, testemunham isto. Às senhoras brancas cabia o lugar consentido por trás das gelosias, de onde lhes era permitido observar, à sombra e pelas frestas, o mundo solar dos homens. Se saíam às ruas, conduzidas por seus escravos, era em cadeirinhas ou serpentinas protegidas por cortinas, e sempre cobertas de mantos, ao estilo moçárabe – um modo de ocultar os detalhes de sua anatomia. E quando passeavam com os maridos, seu lugar era atrás, e não ao lado deles.

Bárbara Heliodora e Maria Dorotéa Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, são conhecidas como musas da ação libertadora de poetas inconfidentes. Houve mulheres poderosas na Colônia, como Ana Jacinta de São José, a Dona Beja, cuja história de paixão, rapto, prostituição e assassinato abalou a cidade mineira de Araxá (MG), Benta Pereira, fazendeira em Campos (RJ), que, aos 72 anos, pegou em armas para garantir os limites de suas terras, ou Maria da Cruz, líder de uma rebelião no sertão de Minas Gerais contra o governo da capitania. Ao lado delas, uma legião de anônimas assumiu, muitas vezes com enorme sacrifício, a chefia de lares abandonados pelos maridos.Os costumes só começariam a mudar no Brasil com a chegada da Corte portuguesa, em 1808, e como efeito das duas grandes revoluções iniciadas no século XVIII: a revolução moral e espiritual da humanidade provocada pelo Iluminismo e a Revolução Industrial.

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