FBN | 14 de junho de 2018 – Começa a Copa do Mundo

junho 14, 2018

Em 13 de julho de 1930, há aproximadamente 88 anos, a 1ª edição da Copa do Mundo tinha seu início. No Brasil, os jornais estampavam manchetes sobre o evento e através deles é possível viajar na história e ver como o primeiro Mundial de futebol foi noticiado.

O periódico “A Noite”, em 9 de julho de 1930, chama atenção para o envolvimento que a competição estava gerando em seu título: “Para o campeonato mundial – É enorme o interesse que vem despertando a realização do melhor certame”.

No mesmo jornal, em 11 de julho, foram destacados: “Trabalho intenso, impressões optimas, e espectativas de duvida, receio mutuo e empenho maximo”

 

 

A publicação seriada “O Diário Carioca”, em 6 de julho, faz a cobertura da chegada da seleção ao Uruguai trazendo o perfil de alguns jogadores. No dia 12 de julho, aborda a data do 1º jogo do Brasil e noticia a transmissão das partidas pelo rádio.

 

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Finalmente, o “Diário de Notícias” faz uma série de reportagens. No dia 7, traz uma entrevista com o chefe da embaixada brasileira falando sobre os motivos da participação do país no mundial. Dia 12 de julho, a notícia do início da Copa do Mundo rende a capa da seção de esportes, com o seguinte título: “Será inaugurada amanhã, com os jogos México x França e Estados Unidos x Belgica, a importante competição internacional de Montevidéo, em disputa do riquissimo trophéo denominado “Taça Mundial””. No dia seguinte, o jornal faz uma matéria falando das expectativas para o 1º jogo do Brasil. Dia 14, o dia do jogo, o jornal dedica uma página inteira à partida que aconteceria no dia e aos jogos que já ocorreram no dia anterior.

 

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Para acessar os periódicos e navegar por eles clique nos links abaixo:

A noite:

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O Diário Carioca:

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Diário de Notícias:

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FBN | Documentos Literários: Casamento – Poema de Adélia Prado

junho 8, 2018

Faltando pouco para o Dia dos Namorados, a Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta o poema “Casamento” de Adélia Prado.

Nascida em Divinópolis – MG a 13 de dezembro de 1935, a autora se formou em Filosofia e exerceu o magistério durante muitos anos antes de iniciar sua carreira literária com o incentivo dos poetas (também mineiros) Affonso Romano de Sant´Anna e Carlos Drummond de Andrade. Seu primeiro livro de poemas, “Bagagem”, foi lançado em 1976, e já em 1978 recebia o Prêmio Jabuti por “O Coração Disparado”. Muitos outros se seguiriam, de prosa e de poesia, sendo os mais famosos “Os Componentes da Banda” (1984) e “Manuscritos de Felipa” (1999).

Alguns textos de Adélia Prado foram adaptados para o teatro e o balé; a peça “Dona Doida”, sucesso estrelado por Fernanda Montenegro em 1987 e desde então frequentemente remontado, se baseia em seus poemas. A escritora também dirigiu um grupo de teatro amador e, em duas ocasiões, integrou a equipe da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis, onde continua a residir. Ganhou diversos outros prêmios literários e, em 2016, foi a primeira mulher a receber o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura pelo conjunto da obra.

 

 

Os textos de Adélia Prado são saborosos, leves, lúdicos. Evocam via de regra o cotidiano, a vida doméstica e, frequentemente, a espiritualidade cristã. Em “Casamento”, ela mostra como um simples momento de cumplicidade pode servir para manter acesa a chama de um longo relacionamento a dois.

O poema, publicado no livro “Terra de Santa Cruz”, foi copiado pela autora em 1982 e oferecido à Biblioteca Nacional, onde se encontra sob a guarda da Divisão de Manuscritos.

O documento está acessível pelo link da BN Digital: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_19_005B/mss_I_07_19_005B.pdf

FBN | Notas de Lima Barreto sobre a Divulgação de “Policarpo Quaresma”.

maio 29, 2018

Em meio à atual discussão sobre os problemas do mercado editorial, a Série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta um caderno do escritor Lima Barreto, no qual o escritor tomou notas sobre a distribuição e divulgação de seu livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”.

O romance, que segundo foi um precursor do Modernismo, saiu primeiro em folhetim no Jornal do Commercio, em 1911. Como livro, foi publicado em 1915, às custas do autor, que tomou a si a tarefa de divulgá-lo, fornecendo exemplares a jornalistas e críticos da época. O caderno traz anotações feitas a esse respeito, listando nomes de periódicos e de pessoas como Olavo Bilac, Bastos Tigre e Ruy Barbosa, bem como os endereços de entrega. Também inclui outras notas e um texto que pode ser o rascunho de uma carta, de uma crônica ou simplesmente um desabafo:

“O Polycarpo

Meu livro sahiu há quasi um mez. Só um jornal falou sobre elle três vezes (de sobra). Em uma dellas Fabio Luz assignou um artigo bem agradavel, que sahiu nas vesperas do Carnaval. Ninguém pensava em outra cousa. Passou-se o Carnaval e Portugal teve a scisma de provocar guerra com a Allemanha.  As folhas não se importaram com outra cousa (…) E não têm tempo de falar no meu livro, os jornaes, estes jornaes do Rio de Janeiro.”

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Ao contrário do primeiro romance de Lima Barreto — “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, de 1909 –, “Policarpo Quaresma” foi bem recebido pelo público e pela crítica. Isso, porém, não livrou o escritor de dificuldades financeiras, nem do preconceito social e racial que o acompanhou durante toda a sua carreira, aproximando-o de seu herói, o idealista e incompreendido Major Policarpo.

O caderno integra a Coleção Lima Barreto, que está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e, em 2017, foi nominada pelo programa Memória do Mundo da UNESCO. O documento foi digitalizado e pode ser consultado através do link da BN Digital:

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1428168/mss1428168.pdf

FBN | André Rebouças Trata da Propaganda Abolicionista.

maio 23, 2018
A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, homenageia André Rebouças, um dos maiores nomes do movimento abolicionista no Brasil.
 
Rebouças nasceu em Cachoeira – BA no dia 13 de janeiro de 1838, em meio à revolução popular conhecida como sabinada. Era o mais velho dos sete filhos do advogado autodidata Antônio Pereira Rebouças, que, apesar de todo o preconceito existente na época, tinha prestígio e boa posição social. Em 1846, a família se mudou para o Rio de Janeiro, onde André e seu irmão Antônio estudaram na Escola Politécnica e se tornaram engenheiros militares. Passaram alguns meses na Europa e, ao retornar, passaram a trabalhar para o governo brasileiro, na área de portos e fortificações litorâneas.
Após alguns meses em que serviu como engenheiro na Guerra do Paraguai, André Rebouças voltou para a Corte, onde se dedicou a projetos de modernização do país, contando sempre com a parceria do irmão Antônio. Dirigiu a Companhia de Docas da Alfândega, trabalhou com questões de abastecimento de água e projetou estradas de ferro, entre as quais a Curitiba-Paranaguá, um dos mais arrojados projetos de engenharia mundial em sua época, inaugurada em 1885.

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Naquela mesma década, o engenheiro se engajou na causa abolicionista, colaborando com Joaquim Nabuco, Cruz e Sousa e José do Patrocínio. Para ele, o fim da escravidão deveria estar atrelado à reforma agrária, que acabaria com os latifúndios e daria acesso à posse da terra tanto aos ex-escravos quanto aos imigrantes.
Progressista em questões sociais, André Rebouças era, contudo, monarquista, e deixou o Brasil juntamente com a família imperial. Viveu em Lisboa, onde colaborou com jornais londrinos, trabalhou por algum tempo em Angola e, mais tarde, transferiu-se para Funchal, na Ilha da Madeira. Lá viria a se suicidar, atirando-se de um penhasco, a 9 de maio de 1898.
A carta aqui apresentada foi escrita por Rebouças para seu amigo Domingos Jaguaribe. O engenheiro comunica a criação de um fundo destinado à propaganda abolicionista e solicita uma contribuição. Informa ainda que Joaquim Nabuco lhe enviou de Londres a biografia do abolicionista norte-americano Frederick Douglass (1818 – 1895), que seria traduzida e vendida numa edição popular, ao preço de 200 réis, como parte do esforço de espalhar as ideias pró-abolição em todo o Brasil.
O documento integra a Coleção Jaguaribe, que se encontra sob a guarda da Divisão de Manuscritos.

FBN | Manuel Antônio de Almeida Escreve sobre Nova Friburgo.

maio 16, 2018

No ensejo do aniversário de Nova Friburgo (RJ), que ocorreu a 16 de maio, a Coleção Documentos Biográficos, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta uma crônica sobre a cidade, da autoria do escritor Manuel Antônio de Almeida.

Nascido no Rio de Janeiro a 17 de novembro de 1830, filho de um militar que morreu deixando-o com onze anos de idade, Almeida se formou em Medicina, mas nunca exerceu a profissão. Em vez disso, dedicou-se ao jornalismo, tendo publicado crônicas, artigos e um único romance, “Memórias de um Sargento de Milícias”, que saiu primeiro em folhetim no jornal “Correio Mercantil” (1852-1853) e um ano depois em livro, tendo como autor “Um Brasileiro”. Foi professor do Liceu de Artes e Ofícios e, em 1858, tornou-se diretor da Tipografia Nacional, onde o jovem Machado de Assis trabalhava como tipógrafo.

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Em 1860, Manuel Antônio de Almeida passou uma temporada em Nova Friburgo, de onde escreveu a Quintino (Bocaiúva) acerca de suas dificuldades financeiras e da possibilidade de se estabelecer ali como professor. Data, possivelmente, desse período o original aqui apresentado, que, embora tenha recebido o título “Crônica sobre Friburgo” é na verdade o fragmento de carta ao redator de um jornal, no qual argumenta com calor a favor de escrever a respeito da cidade serrana. Segundo ele,

“Friburgo merece esta pequenina attenção com mais justiça do que muitos logarejos ahi dos confins das nossas províncias, que entretanto merecem todos os dias estimadas menções nos jornaes da Corte”.

No mesmo documento, Manuel Antônio de Almeida se refere a questões políticas, com as quais começava a se envolver na época. Pretendia se candidatar à Assembleia Provincial do Rio de Janeiro. No entanto, antes que seus planos se concretizassem, faleceu no naufrágio do navio Hermes, quando este naufragou na costa de Macaé, no dia 28 de novembro de 1861.

O fragmento textual é proveniente da Coleção Ramos Paz, um dos vários correspondentes de Manuel Antônio de Almeida, e atualmente integra a Coleção Literatura da Divisão de Manuscritos. O original pode ser consultado na íntegra em

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/literatura/mss_I_07_17_004.pdf

FBN | A Voz do Amor – soneto de Olavo Bilac.

maio 10, 2018

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, publica hoje o poema “A Voz do Amor”, de Olavo Bilac.

Nascido a 16 de dezembro de 1865 no Rio de Janeiro, Bilac foi um dos maiores representantes do parnasianismo brasileiro. Escreveu crônicas, textos voltados para o público infantojuvenil e textos de teor cívico e nacionalista, sendo inclusive o autor da letra do Hino à Bandeira (Salve, lindo pendão da esperança). No entanto, foi sua obra poética – iniciada  em 1884 com o soneto “Sesta de Nero”, publicado na Gazeta de Notícias e depois em livro — que o tornou mais conhecido no meio literário e conquistou, pouco a pouco, um número maior de leitores.

Em 1907, Bilac, que com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia constituía a “Tríade Parnasiana”, foi eleito “Príncipe dos Poetas” pela revista “Fon-Fon”. Também foi um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. Faleceu a 28 e dezembro de 1918, no Rio de Janeiro.

Embora investidos do rigor parnasiano, os versos de Bilac são sensíveis, sensoriais, e muitas vezes se aproximam do lirismo dos poetas românticos. No soneto aqui apresentado, o erotismo e a embriaguez da paixão são descritos com imagens vivas – mas, ainda assim, “A Voz do Amor” segue as regras mais clássicas do parnasianismo, que exige métrica precisa.

olavo

O soneto autografado por Olavo Bilac integra a Divisão de Manuscritos e pode ser acessado na BN Digital através do link http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_I_07_10_054A/mss_I_07_10_054A.pdf

FBN | De olho na Copa: A IMPERIOSA MUDANÇA.

maio 8, 2018

Após o fracasso da Copa do Mundo 1950, episódio conhecido como maracanazzo, o brasileiro pareceu encarnar – ou pelo menos incorporar com mais firmeza – um espírito de povo derrotado. Esse espírito de “vira-latas”, para pegarmos emprestado um termo utilizado por Nelson Rodrigues, permaneceu fortemente até a Copa do Mundo de 1958, quando o Brasil finalmente se consagrou campeão jogando um futebol admirável e talentoso, comandado pelas ágeis pernas de Didi, Pelé, Zagallo e o irreverente Garrincha.

 

Antes disso, parecia ser necessário mudar o símbolo que os representantes da nação levavam no campo: o seu uniforme. Assim, em 1952, o Correio da Manhã liderou uma forte campanha em prol da troca da camisa da seleção brasileira. Após a pressão dos periódicos, abriu-se um concurso para que a mudança fosse feita.

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Aldir Garcia Schlee, um gaúcho de 19 anos e vencedor do concurso, não podia prever as consequências daquela singela mudança. Deixando o branco de lado para então assumir a cor amarela como predominante na camisa, o Brasil passou não só por uma festa na apresentação do novo uniforme, mas também começou a viver sua fase mais gloriosa nos gramados.

 

Nos anos seguintes, a seleção brasileira não só entraria para sempre no quadro dos melhores times do mundo, mas passaria a personificar a camisa amarela como uma das principais imagens da nação. Aos poucos, através de uma pequena mudança, que viria a se tornar imperiosa tanto nos gramados quanto no imaginário da nação, o velho espírito de vira-lata estava sendo deixado para trás.

 

Consulte mais sobre o tema na BN Digital: http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/

FBN | Documentos Literários: Nelson Werneck Sodré e o Pensamento Social Brasileiro.

maio 3, 2018

A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta o livro “A Ideologia do Colonialismo”, de Nelson Werneck Sodré.

 

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Nascido em 1911, no Rio de Janeiro, o militar, crítico literário e pensador publicou seu primeiro artigo aos 13 anos de idade, na revista “A Aspiração”, publicada pelos alunos do Colégio Militar. Seguiram-se 75 anos dedicados à escrita, na qual tratou de diferentes temas – política, educação, literatura –, e militou incansavelmente pela causa nacional. Seu trabalho teve especial destaque na campanha “O Petróleo é Nosso”, bem como em estudos sobre a historiografia e a imprensa no Brasil. Ao falecer, em 1999, deixou publicados nada menos de 56 livros e mais de 2.600 artigos, publicados em jornais de grande circulação, como “Jornal do Brasil”, “Correio da Manhã” e “O Estado de São Paulo”, e nas principais revistas do país.

Um de seus livros mais importantes é “A Ideologia do Colonialismo”, no qual aprofunda a reflexão acerca do pensamento social brasileiro através da análise dos textos de pensadores e escritores dos séculos XIX e início do XX: Azeredo Coutinho, José de Alencar, Sílvio Romero, Euclides da Cunha e Oliveira Viana.

A obra foi publicada em 1961 pelo ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros, órgão criado dentro do Ministério da Educação e Cultura, criado em 1955 e extinto em 1964.

 

Está disponível, em sua versão digitalizada, através do link da BN Digital: http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_obrasgerais/drg324668/drg324668.pdf

 

FBN |Mostra mensal – Manuscritos: “APÓS TREMOR, FOGO E ÁGUA, A REAL BIBLIOTECA RENASCE”.

abril 30, 2018

[…] Às nove horas da manhã e 20 minutos se sentiu uma

concussão formidável que derrubou a maior parte das

igrejas e um grande número de edifícios, palácios

e casas particulares. Foi acompanhada de um estrondo

horroroso que se julgou sair do centro da Terra, mas que

não era mais que da queda dos edifícios, palácios, etc. Um 

momento depois se viu a cidade em um incêndio universal.

 

         

Dia de Todos os Santos, 01 de novembro de 1755. Naquela manhã, a população de Lisboa, uma das cidades mais católicas do país, se reunia em igrejas, cumprindo ritos de acender velas e rezar. Em torno de 9 horas, a terra começou a tremer, seguindo-se de um incêndio e um tsumani. O fogo ardeu por cinco dias e nem as ondas de cerca de dez metros foram suficientes para apagá-lo. Em torno de 85% das construções foram destruídas.

A famosa “livraria”, como era chamada a biblioteca dos reis e que remontava ao século XIV, era composta por dois acervos: o da Livraria do Rei e o da Casa do Infantado, esta exclusiva para o uso dos príncipes. Com a tragédia de Lisboa, pouco restou dela, mas D. José I empenhou-se em refazê-la. Para isso, adquiriu acervos através de compra, doações e incorporações. A biblioteca, antes no Paço da Ribeira, foi reinstalada no Palácio da Ajuda. Entre as principais aquisições encontram-se:

  • mais de cinco mil volumes doados entre os anos de 1770 e 1773 pelo abade de Santo Adrião de Sever, Diogo Barbosa Machado;

  • estampas preciosas, códices e manuscritos doados pelo artista inglês Guglielmo Dugood em 1773;

  • incorporação do acervo expropriado dos jesuítas, quando expulsos de Portugal e suas colônias em 1759, pelo Marquês de Pombal, primeiro-ministro de d. José I;

  • doação de livros em 1779, de Bartholomé Ulloa, importante livreiro em Madri.

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A Mesa Censória, responsável na época pela censura de publicações, também influenciou na seleção do acervo da nova Real Biblioteca. Seu rigor atingiu autores como Voltaire e Rousseau, que tiveram suas obras queimadas em praça pública, por serem consideradas de conteúdos depravados ou escandalosos.

Ao longo dos anos, somaram-se novas coleções e documentos e, quando D. João veio para o Brasil em 1808, a biblioteca contava com cerca de sessenta mil peças. A transferência, entretanto, acabou acontecendo mais tarde, em três viagens entre 1810 e 1811. Esses documentos constituem o núcleo da atual Biblioteca Nacional.

Com cerca de 1.000.000 de peças, o acervo do setor de Manuscritos contém uma parte relevante da Real Biblioteca, o núcleo formador da BN. Além disso, o setor continua a receber novas coleções e documentos, tendo-se convertido de representante do poder monárquico em representante da democracia no acesso à informação.

O Acervo de Manuscritos abriga mais de 900 mil documentos, incluindo arquivos pessoais, institucionais, documentos históricos e obras literárias. Abrangendo tanto documentos avulsos quanto encadernados, compreende originais desde o século XI até os dias de hoje. 

O acervo está disponível para consultas de segunda a sexta, das 10h às 18h.           

FBN | Documentos Literários: Fragmentos de um romance do visconde de Taunay.

abril 26, 2018
A Série Documentos Literários, contribuição da Divisão de Manuscritos, apresenta algumas páginas do original do livro “Lágrimas do coração”, de Alfredo d´Escragnolle Taunay.
 
Mais conhecido pelo título de Visconde de Taunay, o autor (Rio, 22/01/1843 – 25/01/1899) foi engenheiro militar, professor, escritor e historiador, entre outras atividades. Lutou na Guerra do Paraguai, foi deputado pela Província de Goiás e, mais tarde, presidente da província de Santa Catarina (junho de 1876 a janeiro de 1877). Como escritor, é conhecido especialmente pelo diário de guerra “La Retraite de Laguna” (1871, primeira edição em francês) — e o romance “Inocência” (1872), publicado inicialmente em folhetins no periódico “A Nação”, sob o pseudônimo de Sílvio Dinarte.
 
O mesmo pseudônimo foi usado no romance “Lágrimas do Coração”, publicado em 1873 pela Editora F. Thompson. O livro, que na edição posterior receberia outro título – “Manuscrito de uma Mulher” –, é o primeiro romance urbano de Taunay, no qual retrata a sociedade burguesa fluminense na segunda metade do século XIX. A protagonista, e também narradora, é a jovem Corina, que se vê dividida entre o amor e a perspectiva de um casamento arranjado.
 

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O fragmento do texto original está sob a guarda da Divisão de Manuscritos e pode ser consultado na sua íntegra na BN Digital através do link: