FBN | Série Documentos Literários – João da Cruz e Souza

cruz

No âmbito das comemorações do mês da Consciência Negra, a série Documentos Literários, colaboração da Divisão de Manuscritos, apresenta o poeta João da Cruz e Sousa, que nasceu em 24 de novembro de 1861, em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis (SC).

Cruz e Souza era filho de escravos alforriados e teve sua educação garantida pela família dos antigos senhores. Desde pequeno, o menino mostrou pendor para as letras, especialmente a poesia. Dos 10 aos 15 anos, estudou no Ateneu Provincial Catarinense, e, aos 16, começou a publicar seus primeiros versos. Aos 20, além de ter sido um dos fundadores do jornal literário “Colombo”, entrou para uma companhia teatral, percorrendo vários estados do Brasil.

De volta a Santa Catarina, Cruz e Sousa ficou durante algum tempo à frente do jornal “Tribuna Popular”, por meio do qual combateu a escravidão e o preconceito racial – o mesmo preconceito que, em 1883, o impediria de tomar posse como promotor de Laguna. Dois anos depois, passou a dirigir o semanário “O Moleque” e publicou um livro de poemas em prosa, “Tropos e Fantasias”, em parceria com Virgílio Várzea. Em 1890, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde colaborou em vários periódicos, sempre assumindo uma postura crítica em relação à política e às relações sociais.

Os livros mais conhecidos de Cruz e Sousa, “Missal” e “Broquéis”, foram publicados em 1893. No mesmo ano, o poeta se casou com Gavita Rosa Gonçalves, também descendente de escravos, com quem teve quatro filhos. Todos morreram de tuberculose, causando grande sofrimento ao casal e problemas de saúde a Gavita. Por fim, o próprio Cruz e Sousa foi vitimado pela doença, vindo a morrer no dia 19 de março de 1898, em Curral Novo (MG), onde buscava tratamento. As despesas do funeral foram pagas por amigos, entre eles José do Patrocínio.

Cruz e Sousa deixou vários poemas que seriam publicados em livros póstumos, sem que, contudo, alcançassem a importância de “Missal” e “Broquéis”, obras precursoras do Simbolismo no Brasil. A crítica internacional o considera um dos maiores expoentes do movimento nas letras ocidentais. Seus poemas, que lhe valeram as alcunhas de “Dante Negro” e “Cisne Negro”, caracterizam-se pelo uso de imagens fortes e evocativas, denotando uma grande sensibilidade e inquietações espirituais e metafísicas.

O documento que ilustra esta mostra é um catálogo da Exposição do Centenário de Nascimento de Cruz e Sousa, realizada na Biblioteca Nacional em 1961. A maior parte dos documentos expostos pertencia ao acervo do crítico José Cândido de Andrade Muricy (1895-1984).

Acesse-o em:
http://objdigital.bn.br/ace…/div_iconografia/icon1285853.pdf

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